mercredi 20 janvier 2016

CRÔNICA DA URDA

CARTAS QUE NÃO SE REPETIRÃO JAMAIS NR 9 – DE URDA ALICE KLUEGER PARA GILBERTO GIL E CAETANO VELOSO

(Em papel timbrado da Academia Catarinense de Letras – datilografada – fotocópia)

                                    Blumenau, 27 de outubro de 1994.

                                               Meus doces anjos:

                                    Queria escrever uma carta para Gil e outra para Caetano, mas como separá-los? Quero dizer a ambos as mesmas coisas; no meu coração estão tão juntos que não há como escrever uma carta diferente para cada um, e daí a ideia de uma só carta para os dois: fotocopio-a, sorteio quem vai ficar com o xerox, resolvo o meu problema.       
                                    Que quero lhes dizer, meus ternos baianos? Quero lhes dizer tudo, e esse tudo é tão grande que uma carta fica sendo uma coisa boba.
                                    Eu os tenho amado pela vida afora, como sei que tantos brasileiros (e também não-brasileiros, vi o quanto são amados em Cuba e outros lugares) o têm feito. Vocês foram a luz que iluminou os altos e baixos da minha adolescência; são o arrimo das ideias da minha vida adulta; foram sempre a ternura derretendo o coração.
                                    Doces anjos, creio que vocês têm ideia da influência que exerceram sobre toda a minha geração, e exercem sobre as novas gerações que estão chegando. A gente retribui essa influência amando-os, e esse amor deve chegar até vocês, pois há sempre mais energia e ternura emanando de vocês e criando mais amor, como aqueles círculos que se formam na água quando a gente atira uma pedra num lago parado.
                                    Um dia, faz mais de dez anos, vi Caetano de pertinho, depois de show na minha cidade, e guardo aquele momento no meu coração com a calidez do momento em que nascem as estrelas azuis.
                                    Antes de ontem vi Gil, toquei-o, mal queria acreditar que aquilo estava acontecendo mesmo. Talvez Gil se lembre, falamos de livro meu onde Caetano é personagem, deu-me até o endereço para que lhes enviasse o mesmo, disse-me que Caetano gostaria de conhecer o livro.
                                    Envio o livro agora, depois de anos que saiu. É uma história de amor, a única que arrisquei até hoje (sou romancista-histórica) e havia que colocar um de vocês no livro. Acabou sendo Caetano, pela época em que se passa e por “Alegria, alegria”, música que até hoje orienta minhas decisões na vida, por seu fortíssimo verso que diz tudo: “Por que não?”.
                                    Se vocês chegarem a ler o livro, não exijam muito dele. Sou aprendiz ainda, há muito o que me aperfeiçoar para algum dia escrever realmente bem. Se o lerem, deem-me a alegria de um retorno, duas linhas me dizendo que o fizeram, para que meu coração possa se expandir de alegria ao saber que meus ídolos, meus heróis, um dia compartilharam comigo aquelas linhas que escrevi anonimamente no meu quarto, que houve uma comunhão entre nós, por algumas horas – vai ser difícil não morrer de felicidade!
                                    E, anjo Caetano, não me leve a mal por ter tomado a liberdade de usá-lo como personagem meu: a magia da vida, do mundo e de vocês deu-me tal direito que, espero, você não conteste.
                                    Meus baianos gurus (eu sou totalmente louca pela Bahia; pretendo, daqui a ano e pouco, ir morar de vez no Pelourinho), inclino-me ante vocês para dizer: Axé! Poderia escrever um livro para falar da minha ternura e do meu amor por vocês, mas aí teriam que tirar muito tempo para lê-lo e seria até enfadonho para quem já sabe do amor que desperta em todo um povo.
                                    Meus queridos, muita luz! Deus os abençoe! Eu os amo.

                                    URDA ALICE KLUEGER
                                    Rua 7 de Setembro 1314
89.010.202 – Blumenau – SC (endereço de muitos anos atrás, que já não funciona.)
                       

CONVITE - CONSULADO GERAL DO BRASIL EM GENEBRA


O Consulado-Geral do Brasil em Genebra convida para o 

coquetel de lançamento da exposição

Rio Naïf e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos

dia 26 de janeiro 2016 às 18h

no Espace L, 23 Rue des Bains 1205 Genève

Obs: Uma parte da exposição será exibida no Espace L e outra no Consulado em Genebra. As obras da mostra do Espace L ficam em exibição até 5 de março e depois seguirão para a Fundação Brasilea, em Basel. A mostra do Consulado será inaugurada dia 21 de janeiro e permanecerá aberta à visitação até 18 de setembro. 

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Rio Naïf e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos

Receber os Jogos Olímpicos e Paralímpicos em 2016 é motivo de grande orgulho para os brasileiros e, em especial, para os cariocas, que serão responsáveis por acolher os atletas e o público nesse encontro de mais de 200 países em torno do esporte.

A arte Naif, com suas cores, simplicidade e vivacidade, tem a cara do Rio de Janeiro e também tem um jeito próprio de mostrar a cultura brasileira, inclusive pela perspectiva do esporte. 
É com imensa alegria que, para celebrar as Olimpíadas e Paralímpiadas no Rio, o Consulado-Geral do Brasil em Genebra, em parceria com o Museu Mian , o Espace L e a Brasileia  e, com o patrocínio do Departamento Cultural do Itamaraty, traz a Genebra obras vibrantes e representativas do Naif brasileiro com temas esportivos e cariocas.

Esperamos que o trabalho dos artistas naif brasileiros transmita para cada visitante a vibração das competições, emolduradas pela beleza das paisagens da cidade maravilhosa.

Embaixadora Maria Nazareth Farani Azevêdo
Cônsul-Geral do Brasil em Genebra

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Rio Naïf e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos

Podemos buscar as origens da arte naïf nas cavernas da pré-história, nos primeiros seres humanos que nelas deixaram seus traços.

Foi graças ao "aduaneiro" Henri Rousseau, com toda a sua ingenuidade, que a pintura naïf moderna conseguiu reconquistar um lugar ao sol. A palavra naïf foi pronunciada pela primeira vez no século XIX para designar a pintura de Rousseau. No final do século XIX e ao longo do século XX, artistas como Picasso, Modigliani, Gauguin e outros foram em busca de inspiração em lugares longínquos, com os primitivos, na arte negra, na Oceania. Rousseau pintava suas florestas, animais selvagens e exóticos em Paris mesmo, no Jardin des Plantes. Ele possuía dentro dele mesmo tudo aquilo que os outros desejavam adquirir. Kandinski escreveu: ‘Rousseau abriu o acesso às novas  possibilidades  da simplicidade...” Foi graças a ele, a Vivin, Bombois, Bauchant e Séraphine que a arte naïf foi relançada e se firmou na época moderna.

O pintor naïf, é em geral autodidata, independente, sem engajamento com escola de arte, ou estilo. Ele tem uma linguagem própria, suas características são a ingenuidade e a liberdade. Os naïfs se exprimem da sua própria maneira, tem idéias próprias e as encontra sozinho no mais profundo do seu ser. Não se aprende a ser naïf, se nasce assim. O naïf pinta o cotidiano, festas, tradições folcloricas e religiosas, lança apelos à salvaguarda do planeta, do eco-sistema, da paz, do amor, dos sonhos e do imaginário. Sua pintura é ingênua, pura emoção. Segundo Lucien Finkelstein, fundador do MIAN, "eles são os anarquistas do pincel”.

Através da pintura naïf, ingênua, repleta de bom humor e de cores, proponho uma viagem lúdica pela cidade do Rio, a descoberta de algumas modalidades olímpicas e paralímpicas, assim como um verdadeiro casamento entre a arte e o esporte. Enquanto Rousseau relançava a arte naïf nos tempos modernos, Pierre de Coubertin, também relançava a idéia do esporte olímpico. Estes dois grandes renovadores poderiam afirmar: Mens sana in corpore sano.

Como Curadora e Diretora do MIAN-Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil,no Rio de Janeiro, apresento algumas obras de artistas naïfs que possuem quadros na coleção do Museu Naïf. Tenho como intuito principal valorizar, estimular e divulgar a arte naïf, expressão artística genuína e das mais representativa da cultura e do povo brasileiros.

O tema da exposição abrange um panorama alegre e colorido da cidade do Rio de Janeiro, que abriga em 2016 os Jogos Olímpicos, algumas das suas atrações turísticas como praias, o Corcovado, Pão de Açúcar, Maracanã e também modalidades olímpicas e paralímpicas.

Gostaria de agradecer o convite do Consulado do Brasil em Geneve e do Espace_L para participar do projeto da exposição “RIO NAÏF e os JOGOS OLIMPICOS E PARALÍMPICOS”, a ser realizado no Consulado e no Espace_L em Genebra e, na Fundação Brasilea em Basel, durante o ano de 2016.

Jacqueline A Finkelstein - Curadora

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Rio Naïf et les Jeux Olympiques/Paralympiques 

​Vernissage le 26 janvier 2016 dès 18h
Exposition jusqu’au 5 mars 2016

Les origines de l’art naïf remontent jusqu'à la préhistoire, dans les cavernes, avec le premier être humain qui y marqua ses traits.

Le mot naïf fut prononcé pour la première fois au 19ème siècle afin de désigner la peinture du “douanier” Henri Rousseau. L’artiste peignait ses forêts, animaux sauvages et exotiques, dans Paris, au Jardin des Plantes. Il possédait déjà en lui-même ce que tous cherchaient à acquérir - À la fin du 19ème siècle et tout au long du 20ème siècle, des artistes comme Picasso, Modigliani, Gauguin et d’autres, s’en furent allés chercher à réapprendre à peindre avec les primitifs, en Afrique ou en Océanie - Kandinski a écrit: “Rousseau a ouvert la voie aux possibilités nouvelles de la simplicité..." C’est grâce à Rousseau, ainsi qu’à Louis Vivin, Camille Bombois, Bauchant et Séraphine, que l’art naïf est relancé et imposé à l‘époque moderne.

Le peintre naïf est en général autodidacte, indépendant, sans engagement envers aucune école, ni aucun style. Il possède un langage particulier, ses caractéristiques sont l’ingénuité et la liberté. Le naïf s’exprime de sa propre manière, il a ses propres idées, et il les trouve seul au plus profond de lui-même. On n’apprend pas à être naïf, on naît ainsi ou on ne le devient jamais. Le naïf peint ses environs, les fêtes, les traditions folklores et religieuses, il fait appel à préserver la planète, l’écosystème, la paix, l’amour, les rêves et l’imaginaire. Sa peinture est ingénue, essentiellement pourvue d’émotion. D’après Lucien Finkelstein, fondateur du MIAN, ils sont "les poètes anarchistes du pinceau”.

A travers la peinture naïve, pourvue d’ingénuité, de bonne humeur et de couleurs, je vous propose un voyage ludique à travers la ville de Rio, dans le but de découvrir quelques modalités olympiques et paralympiques, ainsi  qu’un réel mariage entre l’art et le sport. Lorsque Rousseau relançait l’art naïf à l‘époque moderne, Pierre de Coubertin relançait lui l’idée du sport olympique au même moment. Ces deux grands rénovateurs nous affirmerons: Mens sana in corpore sano. (Un esprit saint dans un corps saint)

Conservatrice et Directrice du MIAN - Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil -, à Rio de Janeiro, je présente quelques œuvres d’artistes naïfs qui font partie de la collection du Musée. Mon but est de valoriser, stimuler et divulguer l’art naïf, expression artistique génuine de la culture et du peuple brésilien par tous les moyens possibles. Le Brésil est l’un des 5 grands pays de l’art naïf avec la France, l’Italie, Haïti et l’Ex-Yougoslavie.

Le thème des tableaux choisi pour cette exposition inclue un joyeux et coloré panorama de la ville de Rio de Janeiro, où  les Jeux Olympiques auront lieu en 2016, ainsi que plusieurs de ses attractions culturelles, les plages, le Corcovado, le Pain de Sucre, le Maracanã et quelques modalités olympiques et paralympiques.

Je souhaite remercier le Consulat du Brésil à Genève et L’Espace L de m’avoir invité à participer au projet de l’exposition “Rio Naïf et les Jeux Olympiques et Paralympiques”, qui aura lieu à Genève au Consulat, à la galerie d'art Espace_L, et à la fondation Brasilea à Bâle, durant l’année 2016.

Jacqueline A Finkelstein, Conservatrice

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