vendredi 15 janvier 2016

PARTICIPE DA REVISTA VARAL DO BRASIL!

Inscrições abertas para as próximas edições:

- Edição de março, com tema MULHER, envio de textos até dia 25 de janeiro;
- Edição especial de PÁSCOA, envio de textos até dia 25 de fevereiro;

- Edição de maio, com tema AS QUATRO ESTAÇÕES ou tema livre (Para o tema as quatro estações você pode escolher apenas uma delas ou falar das quatro estações, pode também falar do clima, das relações do clima com a vida da gente, etc.). Envio de textos até 25 de março.

- Edição especial O LADO ESCURO DO SER:Para junho faremos uma edição especial diferente, bem diferente...
Falaremos do lado escuro do ser: os defeitos, os vícios, os pecados, os pecados capitais, as lutas interiores, os pesadelos, o medo, as agonias, os sustos, o que nos assombra, o que nos tira o bom humor...
Falaremos de tristeza, de dor, de morte, de partidas, de ingratidão, de incertezas, de sonhos perdidos, de esperanças esquecidas, de vingança...
Falaremos da violência, das agressões físicas e psicológicas, dos abusos, dos crimes e dos castigos, as sombras, o lado sombrio...
Também buscaremos inspiração em filmes, livros ou pinturas e desenhos que evoquem o lado escuro da vida.
Traremos para a luz, o lado escuro que existe no ser humano.
Envie seu texto (prosa ou verso: poesias, contos, crônicas e etc.) para o e-mail    varaldobrasil@gmail.com até dia 15 de abril. Toda participação é gratuita.


Todos os textos podem ser em verso ou prosa e a participação é gratuita. Não há necessidade do texto ser inédito e nem de ser afiliado a alguma organização, associação ou academia.



LIVRO: PALAVRAS COLORIDAS

Originalidade em traços e poesia.
Palavras Coloridas além da intenção arte-terapêutica destaca-se pela proposta lúdica, artística e literária.
Palavras Coloridas é o encontro singelo de palavras, traços e cores unidos na mesma inspiração.
Cada cor colocada neste livro preenche um espaço, compõe o todo e transforma-se em uma obra singular, tornando-se assim a expressão livre da trajetória do pensamento.

A obra revela um pouco da alma e da criatividade do ser  em construir e desconstruir o imaginário e sussurra suavemente que a vida é aquilo que agente pinta.


CRÔNICA DA URDA

CAIO GAKRAN

                                   Hoje eu chorei de emoção. Um povo antigo aqui da minha terra continua fazendo seu resgate na História de forma linda e acelerada, e hoje houve outro grande fato que iluminou os horizontes deste vale aonde vivo e me deixou cheia de orgulho e de alegria.
                                   Foi com o Caio, mas eu só vou falar dele mais para a frente. Quero contar, primeiro, um pouquinho sobre o seu povo, o antigo dono desta terra onde hoje eu piso e tantos pisam, terra que já era do povo de Caio pelo menos há 5.000 anos, conforme cerâmicas descobertas já neste milênio pelo arqueólogo Marco Antônio Nadal de Masi .[1] 
                                   Valente povo! Conservou seu território no passado mais distante e se aferrou a ele nos últimos 500 anos, desde quando por aqui começaram a aparecer os europeus e seus descendentes: primeiro os invasores portugueses, depois os imigrantes alemães, italianos e outros, sequiosos por terra, cada um a roubar o que era possível do vasto território da gente que vivia segundo costumes antigos, integrada na natureza. Estou falando do povo Xokleng-Lãklanô, primeiro habitante da maior parte de Santa Catarina e de um pouco dos dois estados vizinhos, caçadores-coletores que tinham como alimento-base o pinhão, que o invasor quase iria extinguir na sua sede por madeira.
                                   Com seu território paulatinamente cada vez menor e suas fontes de alimento, consequentemente, também cada vez mais ínfimas, o Xokleng-Lãklanô resistiu bravamente ao contato com o branco invasor que, além de lhe roubar as terras e a comida, empreendeu tal caçada humana institucionalizada, com os horrores cometidos devidamente contados nos jornais da época, que o município de Blumenau, por exemplo, no alvorecer do século XX, foi parar no Tribunal de Haia[2], acusado de genocídio.
                                   Houve um momento, já no século XX, que aconteceu o que o branco chama de “apaziguamento”, expressão vil para se denominar o submetimento do povo antigo pelo invasor – esse contato com o “branco” vai resultar em mais diversas formas de dizimação dos submetidos, como a contaminação por doenças trazidas da Europa, a ponto de haver um momento em que o Xokleng-Lãklanô teve apenas, ainda, somente cerca de 400 indivíduos.
                                   Povo aguerrido, no entanto, guardou sua língua, seus costumes, sua cultura – creio que faz uns 30 anos que a população subira, de novo, para mais de 4.000 indivíduos. Na verdade, não sei quantas pessoas Xokleng-Lãklanô existem hoje, mas não devem ser poucas. É aí que entra a minha emoção de hoje e o Caio. Faz tempo que os irmãos de etnia de Caio estão frequentando as universidades e fazendo muitas coisas maravilhosas na vida, como o pai de Caio, Nanblá Gakran, o primeiro doutor do povo, formado pela Universidade de Brasília, linguista que participa de grandes congressos internacionais em lugares como a Suécia, por exemplo, e a irmã de Caio, já no terceiro ano de Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina – penso por ter notícias da família de Caio faz tempo é que me levou a toda esta emoção. Sabem o que aconteceu hoje? Saiu a lista de aprovados da UFSC, e o Caio passou... em Medicina! Vai ser o primeiro médico Xokleng-Lãklanô dos tempos modernos (claro que lá no passado houve outros médicos na sua etnia, que tinham saberes antigos).

                                    URDA ALICE KLUEGER
                                    Rua 7 de Setembro 1314
89.010.202 – Blumenau – SC (endereço de muitos anos atrás, que já não funciona.)
                       

CONVITE


ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...