lundi 29 février 2016

GRUPO VARAL DO BRASIL OFICINA CRIATIVA

Tema: UM DIA EM MINHA VIDA

Formato: contos ou crônicas
Organização de Isabel Vargas

Desenvolvimento: Contar em formato conto ou crônica como é, como foi ou como seria um dia em sua vida. Pode ser texto curto ou mais longo. O texto pode contar o passado ou o presente. Pode ser narrado na primeira pessoa ou não.

Objetivo: Desenvolver laços, apresentar-se de forma mais íntima aos amigos do Grupo, mostrar um pouco do que você faz, é, gosta de fazer, etc.

Duração: duas semanas (até dia 10 de fevereiro).

Os textos devem ser colados neste post sem ilustração e sem formatação especial.
Todos os comentários deverão ser feitos à parte, em novo (s) post.
Espero que muitos de vocês participem!
Obrigada a todos.

 Norália Castro

Um dia em minha vida.

Ontem choveu. Hoje chove como choveu anteontem. É tempo de chuvas, precisamos delas e a plantas revigoram, assim como minha alma é limpa e eu refaço voos no dia que começa.
Minha rotina de hoje é tão diferente da de ontem, aquele ontem longínquo vivido intensamente. Minha rotina de hoje é calma, sem pressa, apenas uma espera preenchida de cousas novas...Cousas novas? Assim me parece a cada dia...Passeio por entre plantas e pedras. Observo o desenvolvimento das cousas que me cercam e curto a descoberta de cada detalhe. As nuvens cinzas que cobrem o céu chuvoso, me atraem cada vez mais a espera do sol que inexoravelmente virá por detrás. Enquanto espero pelo novo sol, escuto os cantos de pássaro que passeiam ao redor de minha casa.
Normalmente não sinto tristeza. Ao contrário. Sou grata por estar vivendo mais um dia de minha longa vida, podendo dizer Bom Dia, Dia.
Minha casa é aconchegante, e não tem bichos nela. Não gosto de ter cães ou gatos. Cavalos eu teria, se tivesse espaço para eles, pois adoro cavalos. Não os tendo, prefiro mil vezes as plantas, as árvores, as flores. Sempre tive necessidade mais de terra e dos produtos diretos da terra. Sou realmente montanhosa, como disse uma escritora amiga. Eu me denominando montanhesa e ela me chamando montanhosa. Montanhesa ou montanhosa, guardo as lembranças do mar numa concha espetacular que ganhei de um amigo: nesta concha escuto o mar que sempre chamou minha atenção à distância, algumas vezes curtidas. Em contrapartida, minhas montanhas são cheias de rios, cachoeiras e correntezas, de belezas especiais. Curto demais os verdes que se espalham pelas minhas montanhas...

Sem duas coisas eu não saberia viver, no estágio em que estou: televisão e computador.
Logo após me levantar, ligo a TV. Tenho sede de notícias. Preciso saber o que acontece no mundo. Por vezes me disse que tenho de parar de ter notícias do mundo, estou cansada de tantas mortes ou guerras, de tanta maldade... mas não consigo. Preciso saber notícias, vício desde a época em que tinha jornais impressos na mesa do café
Há poucos dias uma notícia me encheu de emoção: o Papa Francisco e o presidente do Irã se cumprimentando no Vaticano. Que emoção! Uma chance a mais na esperança pela Paz Mundial.

Ontem,recebi de uma ex-colega um email em que ela me diz: é tempo de espera. Precisamos enfrentar esta espera com Fé e Amor. Espera de que, me perguntei: da morte... sim, meu tempo de viver está ficando a cada dia mais curto, mas enquanto estou viva, posso dizer BOM DIA, não ficarei olhando, apenas olhando o tempo passar. Não ficarei. Me recuso encolher-me num casulo, a fechar-me, mesmo não mais podendo fazer longas caminhadas, não mais bordando, pintando ou desenhando, ou até mesmo cozinhando: minha limitação física me deixa muitas vezes raivosa e chorosa, mas avanço em passos lentos o que for necessário...Os livros me fazem companhia: continuo lendo tudo que posso ou me esforço por querer. Enquanto eu puder digitalizar, estarei bem e feliz, coisa que quase não faço mais com uso de lápis ou canetas: minhas mãos estão tremulas e minha letra transformada. Mas tenho ainda o computador que me salva desse impasse.

Acho que a maior qualidade que tenho é ser curiosa. Muito curiosa. Quero saber de tudo, quero ver tudo. Esta curiosidade não me deixa ser saudosista, ou chorar por isto ou aquilo perdido. Gosto de saber de tudo e com detalhes. Procuro viver o dia a dia como se apresenta. Por vezes a solidão se apresenta de forma dolorida, assim como uma lembrança menos feliz. O passado sempre se apresenta e eu o recebo em forma de poesia ou alguma prosa , para logo depois deixar para trás e viver o que está ao meu redor, palpável e concreto.

Não acho que tenho de rir estar feliz por tudo e com tudo. Não sou partidária de ser feliz por tudo...Acho isto totalmente impossível. A dor existe para que possamos enxergar o seu contraditório e tirarmos lição do melhor possível. Há treze anos que não vivo um dia sequer sem dor física na coluna, estragada pelo tratamento brutal feito e pelo desgaste natural. No início, e as vezes, ainda hoje, senti e sinto raiva desta herança...Assentar-me e levantar de uma cadeira é algo penoso demais, assim como levantar-me da cama. Esta dor crônica passou a fazer parte de mim, mas muitas vezes tira o sorriso dos lábios...
Tenho trabalhado meu gênio raivoso, e como tenho trabalhado, pois sei que a dor física não tem cura. Uma fisioterapeuta vem fazer exercício comigo, 3 vezes por semana, o que em ajudado muito.
Moro sozinha. Muitos conhecidos se espantam de ver que moro sozinha. Amores se foram. Parentes e amigos também. Esta redução de gentes ao redor é o preço que se paga pela longa vida. Mas vivo bem comigo mesma, na minha casa com meus auxiliares e tenho também, a duas casas abaixo da minha, as pessoas que mais amo: minha filha, meu neto e também o meu genro. Sou uma privilegiada por poder ainda viver junto com as pessoas mais significativas de minha vida.
Vez por outra aparece aqui alguma amiga virtual que vem me conhecer. Já recebi várias visitas de amigos virtuais. Uma alegria! Recentemente recebi uma bordadeira. Amigos e familiares de Beagá também aparecem para matar a saudade...
E assim, vivo o meu tempo de espera, ainda produzindo cousas... Vivo bem e posso dizer Bom dia, Dia... E cada dia a mais é uma graça divina a ser vivida intensamente.
No momento, trabalho no livro para o meu neto...Estou entusiasmada com este livro que está ficando uma gracinha.... Belo....
Brumandinho, 28 de janeiro de 2016
Norália da Mello Castro.


Norália Castro

 SETE ANOS NO TIBET

O telefone tocou. Atendi. Do outro lado, uma voz feminina gutural e firme, perguntou: -
- é você, Norália?
-Sim, sou eu. Quem fala?
- É a Joyce Cavalcante
- Joyce?
- Sim, sou eu.
E, já emocionada e quase incrédula que estava atendendo a nossa presidente da REBRA... procurei ouvir mais e falar menos, mesmo porque a emoção me tolhia.
- Você viu que está bombando na sua página da Rebra, hoje?
- Não, não vi, ainda não abri o micro hoje...
- Pois é, você está lá...e saiba que fiz tudo com muito carinho, de coração...
E a conversa continuou por uns 15 minutos.
Deixando o telefone, soltei um UAUUUUUUUUUUU....feliz com este inesperado telefonema, vindo de uma presidente que admiro e amo .
Passei o resto do dia em estado de graças: uma felicidade ímpar. Um telefonema inesperado mas muito amigo, como sempre fui tratada pela presidente da Rebra, nestes sete anos de convivência respeitosa e amiga.
Sete anos na Rebra, o meu Tibet. Passei a sentir o personagem de Brat Pitt, nesse filme antológico, quando as circunstâncias da vida fizeram o personagem conviver com gentes do Tibet, modificando todo o seu conceito de vida, unindo valores orientais com os ocidentais, fazendo-o enxergar melhor os valores do coração.
Sim, foi através da Rebra que fiz revolução na minha vida, totalmente diferenciada hoje. Foi através da Rebra que conheci o VARAL DO BRASIL, e outros amigos preciosos. Foi através da Rebra que trabalhei, trabalhei e trabalhei com palavras e textos. E quantos amigos conquistei...
Sete anos de REBRA, meu Tibet revolucionário.
Só me resta dizer à Joyce: muito obrigada por existir e fazer parte da minhavida.

A emoção ainda é grande. Só sugiro que quem não viu esse filme – Sete Anos no Tibet, não deixe de ver: a beleza da filmagem, o aprendizado do personagem e toda a mensagem de sensibilidade ditada pelo coração, que sugere o filme. Um grande filme. E naturalmente curtir também a beleza de Brat Pitt.
Paro por aqui, pois a emoção que me invade ainda é grande...fico sem palavras.
Obrigada, Rebra.
Obrigada, Varal do Brasil
Obrigada, amigos e amigas escritores.
Obrigada, amigos e amigas de sempre.
.Bom dia a todos.Norália

Jacqueline Bulos Aisenman

 O dia não amanheceu e já estou na ativa. Tenho o hábito de acordar muito cedo. Poderia inventar qualquer motivo para isto, mas a verdade é que sempre amei levantar cedo. Gosto de aproveitar bem minhas manhãs, pois é justamente pela manhã que minha energia é maior e minhas ideias estão sempre mais claras.
Começo o dia agradecendo intimamente. Me preparo em silêncio (a casa ainda dorme!) e depois de tudo pronto vou para meu cantinho trabalhar. Ligo o computador, coloco a agenda de papel na data do dia. Uma música suave vem juntar-se a mim: Gosto de ouvir Bach. Ouço quase todos os dias, nas primeiras horas da manhã, as “suítes” para violoncelo de Bach. Depois seguem-se outras clássicas ou então músicas que classifico como “da natureza”: sons para reiki, barulhos de chuvas, tempestades, mar, etc.. (Mais tarde, com o passar do dia vou mudando a “trilha sonora” e posso dizer que ouço de tudo: MPB, música POP, jazz...
Com um cafezinho, cedo inicio o périplo de responder meus e-mails. Como são sempre muitos (chegam a ser centenas às vezes), geralmente a cada dia respondo os que chegaram há mais tempo e, se possível, os urgentes do dia. Só não respondo e-mails no final de semana que para mim é sagrado e reservo para mim mesma e para a família. Depois das respostas vou trabalhar com a revista, o blog, site do Varal e outros espaços na Web que o Varal tem. Confesso que sou apaixonada pelo Varal! Adoro edição, todo o trabalho de editar, escrever, encontrar as boas ilustrações... Adoro o encontro virtual com os escritores e os leitores. Tudo para mim é uma imensa alegria.
Faço pausa por volta das oito horas para as frutas da manhã e, depois, o segundo café. Sempre expresso e forte, sem açúcar e sem leite. Depois disto, sigo trabalhando até aproximadamente meio dia.
Ah, tem a pausa das dez horas para o lanche e um breve descanso! (Todas as pausas são necessárias para mim que sofro, desde que tive uma meningite em 2002, de problemas de saúde que nunca se afastam. Muitas sequelas e outros problemas que fui recebendo da vida com o tempo e me fazem não ter ideia do que significaria um dia sem dores físicas...).
As vezes preparo o almoço, noutras providencio algo pronto e que não tome muito tempo. Então vou almoçar. E, mau hábito que tenho, quando almoço sozinha, faço isto lendo! Como meu esposo chega quase sempre tarde do trabalho para o almoço, esta refeição é meio solitária.
Na parte da tarde, logo no início, vou estudar. Faço curso de grafismo em casa por vídeo-aulas e com o apoio de livros há algum tempo e estou simplesmente amando. Aprendo sobre edição de textos, fotografia e edição de imagens, tipografia e muito mais. Já aprendi um monte de coisas, mas a cada aula sinto que terei tanto ainda a aprender que espero ter tempo para saber o máximo possível e tudo utilizar no trabalho que faço com o Varal.
Tenho durante a tarde meu horário de descanso, onde me afasto do escritório por um tempo. Este período é fundamental para recarregar as forças.
Costumo encerrar minhas atividades profissionais por volta das dezoito horas. Sempre acompanhada de meu cãozinho Biscuit, hoje com quase dezesseis anos. Outra pausa para descanso e depois vou preparar o jantar (nos mesmos moldes do almoço).
Minhas horas de lazer são divididas entre filmes, séries de TV, livros e o meu joguinho favorito no I Pad, Angry Birds! Não assisto jornais, novelas ou outros programas de televisão. Não gosto.
E, claro, sempre tenho tempo, não importa como mas tenho, para meus filhos e meu esposo. Os três e o pequeno Biscuit passam na frente de tudo!
                           


Maria Lima Delboni Lima


 Eu também Jaqueline, assim nos deixamos conhecer.. Agora um pouco de mim. Estou aposentada. Acabei de escrever minha tese de doutorado em ciencia da Educação para a Universidade de Rosario - Argentina. Pesquisei sobre o bilinguismo e a aprendizagem do Pomerano em Santa Maria de Jetibá, uma cidade no interior do Espírito Santo. Lecionei Inglês e Português e aprendizagem de idiomas sempre foi um desafio para mim, Assim que escrever esta tese em espanhol foi um grande desafio.O passar da fala para a escrita é um grande passo. Foi o desafio que me mostrou que somos capazes de fazer aquilo que propomos, é só começar.Ler sempre foi meu passatempo preferido e agora me aventuro na escrita. Estou terminando um livro de contos para editar, um pouco sem tempo. Do café da manha até a noite me envolvo com meu netinho que está agora com dois anos e mora comigo. Ele demanda todo meu tempo. As horas roubadas desta diversão me coloco diante da tela do computador , mas muitas vezes as palavras me escapam, porque meu pensamento está disperso. Agora começando o ano, ele vai para a escolinha e terei um tempo maior para meus lazeres, para meu livro e amigos.



Carla De Sà Morais-Gossuin

 "UM DIA EM MINHA VIDA"

Um dia em minha vida descobri que a leitura me evadia de toda e qualquer angústia, de todo e qualquer sofrimento. Tinha 10 anos!
Mais tarde, adolescente, devido às desilusões amorosas, descobri que as "curava" escrevendo; e foi assim, que ainda mais timida que hoje comecei a escrever os meus 1os poemas que fizeram rir certas pessoas que sem pudor, os descobriram.
Vivi muitos traumas na minha vida que tento apagar com os anos mas, às vezes vêm ao de cima; não reclamo nada, nem acuso ninguém, muito menos me vingo ou tento fazer justiça, mesmo sabendo que todo o mal que me fizeram ou eventualmente me fazem é sem fundamento. Deixo tudo isso entregue ao tempo e a Deus.
A escrita, substitui anti-depressivos e anti-ansioliticos! Não estou a dizer que sou poetisa ou escritora, não; a pretensão não faz parte da minha lista de defeitos, tenho outros é claro... Quero dizer que me alivia, é um mundo criado para mim onde, entre realidade e divagação, a minha alma flutua para além de todas e quaisquer barreiras.
Sou livre e sinto-me livre...!
Bem haja Jacqueline, bem hajas Lúcia Amélia.
Carla De Sà Morais





Marilu R F Queiroz

Um dia de calor infernal

Como preciso exercitar as pernas, hoje resolvi ir e voltar à pé da academia. Não é longe, somente uns oito quarteirões. Para ir é uma descida que facilita qualquer caminhada, mas que na volta se transforma numa subida que não é muito convidativa para um dia tão quente assim.
São Paulo, pleno primeiro de fevereiro. Segunda feira em que o sol premia a semana, com um calor insuportável. Parecia que as horas se arrastavam, os minutos se tornavam incontáveis devido ao mormaço, que teima em assombrar esses dias que antecedem ao carnaval.
A ida foi tranquila e rápida, mas na volta minhas passadas eram largas e pesadas como as de um elefante. A subida imprimia um ar de sacrifício à minha caminhada, as pernas pesavam toneladas e os pés inchados pelo exercício exaustivo doíam e teimavam em se fazer presentes.
Cada quarteirão, uma surpresa com relação à distância. o trajeto que nem é tão longo assim, se esticara de tal forma, que ficava cada vez mais difícil atingir o meu objetivo. Primeiro comecei a cantarolar baixinho para imprimir ritmo à minha caminhada. Até consegui ficar um pouquinho mais animada, mas dois quarteirões depois me peguei pensando na vida... Não do modo quase automático como às vezes faço, mas de um jeito diferente, atípico!
Lembrei da chuva fina que caíra no sábado, quase uma garoa... Que coisa boa sentir na pele a água fresquinha a amainar o calorão e nos provocar uma sensação refrescante, benéfica. Mas não, o calor só aumentava e quando cheguei perto de casa vi a minha vizinha que também frequenta a mesma academia encostando o carro. Toda faceira ela me perguntou:
– De onde você vem toda suada e acabada?
Disse a ela que fui e voltei da academia a pé. Ela deu uma gargalhada e me disse:
– Hoje resolvi fazer a natação de manhã. Estava na academia, pena que não a vi. Eu poderia ter lhe dado uma carona!


Inês Carmelita Lohn

O DIA MAIS IMPORTANTE EM MINHA VIDA.

Aquele dia foi diferente de todos os outros, minha emoção tomou conta de todo meu ser. As lágrimas eram de felicidade eu estava chegando ao pódio almejado.
Quando acordei pela manhã já entrei em estado de graça, não tinha como conter as lágrimas eu custava acreditar que o dia de realizar o meu sonho havia chegado. Nos meus plenos 54 anos, estava vivendo o momento mais especial da minha vida. Dia da minha formatura do segundo grau.
Os preparativos me fizeram ficar em estado meditativo e em prantos de comoção . No momento que eu estava me vestindo para a festa de formatura diante de um espelho eu agradecia a Deus em voz alta, e ao chegar no local eu me senti pequena diante do sonho que estava realizando.
Por um momento eu tive a sensação que estava no colo da Virgem Maria recebendo carinho e atenção. Senti uma paz divina que me banhou por inteira e uma força angelical brotou dentro do meu coração, me fazendo olhar de fora para dentro e ver que eu era uma pessoa especial aos olhos do grande oleiro do universo. Já que o mundo até então havia me descriminado e cuspido em meu rosto por eu não ter me formado.
A entrada no auditório foi triunfal as pessoas estavam felizes apenas eu chorava de felicidade numa entrega absoluta pela realização.
E na hora que subi ao palco tocava a música Catedral de Zélia Duncan, o professor Guilherme de física foi quem me recebeu com muita gentileza, e foi naquele exato momento que aconteceu algo inexplicável.
O professor me apertou em seus braços e rodou comigo no palco como se faz com uma criança, meus pés saíram do chão e quando terminou a música a plateia aplaudiu de pé e muitas estavam chorando pelo momento vivido.
Enfim recebi o meu diploma e entreguei a Deus em forma de agradecimento por ter chegado ao fim daquela maratona com sucesso e boas notas.
Humildemente quero confessar, hoje praticamente oito anos após eu escrevi esse pequeno texto em lágrimas e muita comoção, recordar aquele dia me leva fazer uma grande reflexão, pois foi o dia mais importante da minha vida.

Inês Carmelita Lohn

Ana Rosa Santana


Acordo todos os dias com uma serenata na janela (meu gatinho e seu canto choroso querendo seu “papá” e carinhos), me levanto, mesmo com preguiça, vou atender ao gato e iniciar os afazeres domésticos. Meu marido e filho saíram bem cedo para o trabalho e eu fico sozinha, imersa em pensamentos. Depois ligo o computador para ver as notícias, acesso o facebook, leio e respondo mensagens, checo os e-mails (fiquei particularmente contente hoje porque fui notificada que um curta meu está na seleção oficial de uma grande mostra).
Estou com muito trabalho essa semana, tenho roteiros para analisar, figurinos para ajustar, dois longas em produção, alguns trabalhos paralelos, a correria de sempre.
O calor está sufocante, paro para um almoço e um descanso, está difícil continuar os afazeres do dia com esse clima, parece que nada consegue amenizar essa temperatura.
Mas eu vou seguindo a jornada mesmo assim, as coisas não se resolvem sozinhas; coloco uma música, tento retomar as análises, são mais de 300 páginas e quando dou por mim já estou distraída escrevendo uns pensamentos que me ocorreram, criando um novo conto, a veia de escritor sempre ativa…
Faço um esforço, retomo a concentração, termino a tarefa importante e me preparo para o retorno dos homens da minha vida que vão chegando um logo após o outro, enchendo a casa de barulho, famintos, falando ao mesmo tempo...E o dia vai terminando da mesma forma que começou: com uma sinfonia.A Sinfonia da minha vida.











Isabel Vargas


Quando pensei em falar sobre um dia em minha vida, a princípio, pensei em falar sobre o acontecimento mais trágico de minha vida a partir do qual tudo mudou. Mas, embora isso não saia de meu coração e de minha vida, decidi optar pela vida. E, não é em aspecto literário, mas real. Lembrei-me do dia da conversa com minha filha sobre a sua gravidez.
Ela tinha dezoito anos estava no primeiro ano de universidade e tinha um namorado. Naquele mesmo ano, ao final do ano era a formatura de minha filha mais velha na universidade e antes disso em outubro o baile de debutantes da menor. Mas, como dizem que mãe tudo sabe e tudo sente, já estava percebendo que algo estava errado ou diferente. Disse a ela: Não vamos estragar esse acontecimento dos quinze anos de tua irmã. Uma semana não fará diferença. Semana seguinte sentaremos com teu pai e conversaremos os quatro. E assim foi feito.
A primeira coisa que fizemos foi perguntar se ela tinha algo a nos dizer, ao que ela respondeu que sim e completando disse que estava grávida. Até hoje, a minha reação me surpreende, pois pensava que o dia que isso ocorresse iria chorar, fazer um drama. Eu respondi: Ainda bem. Poderias estar doente, mas não, é uma vida que vem aí. O que vocês pretendem fazer? Eles disseram que queriam casar, mas não tinham condições. Nós ajudaremos retruquei. Meu marido nem queria que eles casassem, mas para mim ela ficar solteira com filho era algo que não admitia. Impus como condição para ela casar, pois necessitava de nossa autorização, em função de não ter sido, ainda, alterada a maioridade para as mulheres que ela não abandonasse a faculdade. Conversamos com os pais dele e em dois meses realizamos o casamento.
Esta minha neta viveu sempre à nossa volta e para meu marido e eu era um quinto filho. Foi a única que conviveu muito com o avô, pois quando nasceu nosso segundo neto meu marido mal podia segurá-lo em virtude da doença.
Creio que é de minha natureza optar sempre pela vida, pelas boas energias, pela alegria. Hoje tenho cinco netos que são meu estímulo para viver muito.


Isabel Vargas


Um fato que para mim foi muito importante foi o primeiro convite para participar de um primeiro livro. Já escrevia há algum tempo e publicava no jornal local e em jornal de município vizinho.
Em dois mil e seis resolvi fazer um blog e nele colocar tudo que escrevia e publicava em jornal e sites. Certo dia, recebi um email convidando-me para participar de um livro chamado Reflexões para o bem viver. Respondi o email agradecendo e dizendo que deveria ser um engano, pois não era escritora e nunca participara de livro nenhum.
Muito gentilmente deram-se ao trabalho de responder e dizer que não havia engano algum e que estavam me convidando de fato. Foi uma alegria imensa. A partir daí começou minha aventura no mundo das publicações.




Maria Nilza Campos Lepre

Acho que sou doida!

Se alguém pudesse me ver ao acordar pensaria que sou doida.
Moro sozinha, mas levanto falando bom dia e conversando feliz da vida. Conto os meus sonhos relato os projetos feitos para o dia, e se tenho algum problema também falo sobre ele.
Estou me contradizendo? Acreditam que não estou sozinha?
Saibam que acertaram.
Em minha casa de humano somente eu, mas tenho dois seres especiais e iluminados juntinho a mim, dois gatinhos, meus amores: Iris e o Pequeno Tigre, a quem chamo de Tigrinho.
Eles enchem os meus dias de alegria e carinho. Amo estes dois amiguinhos.

Maria (Nilza) de Campos Lepre – 16/06/2015




Saulo Oliveira

O Meu Dia

Debruçado sobre o branco teclado, ao delírio de “Across the Universe” (Beatles), arremessado brandamente aos espaços poéticos de uma nostalgia recente (há poucos anos reapresentado à incrível banda de Liverpool por minha filha adolescente!).

“Help me” falaria uma voz, gotejando transparentemente, fenda mínima, microrrisco, em rochedo vertical.

A minha cidade é um alarido de luz (um monte de pássaros reais e imaginários povoam os arredores do meu café da manhã).

A noite é dulcíssima (beijo mulher e filhos).


ORGANIZAÇÃO: Isabel Vargas

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