lundi 6 juillet 2015

VIAGEM

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

(Para Célia – que foi comigo)
No túmulo de Kafka, em Praga, eu pedi: “Orai, por nós”!
Foi súplica, imprecação.
Antes, agora. Sempre.
No cemitério “Père Lachaise”, em Paris, escrevi no (túmulo) de Proust: “Merci, Marcel”.
(Não, não fui apenas a cemitérios.)
E bati perna por Paris, fique contemplando o movimento nas escadeiras da “Opera”.
Ir e vir de gentes.
(No metrô – contemplando a mocinha com boina e meias  grandes – ela lia, não mexia  em
celular – pensei: não verei nunca mais esse rosto, nem os outros,  pessoas que vão e que vem.
Andar – e andar mais ainda – é um dos prazeres maiores que sinto em Paris.
(Mas em relação às viagens da década de 70 – na época, com escasso dinheiro e fugindo da ditadura brasileira –, havia agora turista demais – chineses, japoneses, brasileiros etc., todo mundo querendo comprar e não VER. Os  lugares cheios de gente.
Registrar: não ver. O viajante vê – o turista registra.
E fugia dos locais mais turísticos – por exemplo, andando e andando pela beira do Sena.
Não, desta vez nada do Louvre, Palácio de Versalhes (só andei pela cidade e pelo seu mercado).
No Portão de Brandemburgo, em Berlim, “ouvia” o som de paradas – vi pedaços do Muro.
E revi, numa longa e iluminada conversa, o meu velho amigo Flávio Aguiar.
E lembrei que – num inverno europeu há tantos anos (1971) –, eu o atravessara, e passara um dia em Berlim Oriental, com o meu saudoso amigo Alberto Albuquerque e, à noite, Luiz Travassos nos esperava  para tomar um vinho.
Lembrança de tanto sangue derramado: mas havia também Beethoven e Goethe.
Violência e beleza.
Um concerto: era Mozart em Viena.
Em Bruges, senti mais beleza. Era uma cidade revisitada.
(Na primeira vez, década de 70, senti as pessoas menos estressadas e mais simpáticas, como aconteceu em Madri e Roma – no geral, elas –(em alguns países – estavam mais irritadas e antipáticas.)
Tantos outros lugares não citados: como Santiago de Compostela. O que dizer? Já disseram tanto. Restam-me qualificativos que são lugares-comuns: linda, impactante. Mais que isso: cheia de uma energia que não sei definir.
E revistei o Porto – cidade que muito amei, e fiquei na casa de um querido casal amigo, revendo a queria Manaíra, conhecendo o André – ambos tão sensíveis e cultos, além de dialogar de novo com o combativo e humanista Carlos Mota.
Como Lisboa – conhecendo o cotidiano da cidade, as pessoas, a vida real -, parando no apartamento alugado pelo querido Fábio, sobrinho sensível, preparado, tão amigo e generoso que lá estudava. Ele já está de volta a Porto Alegre
Queria “segurar” a vida. Um instante. Uma eternidade. O rio que flui.
Driblamos a morte, “esquecendo” que – sem prorrogação, sem recursos, sem embargos – ela, inelutavelmente, nos alcançará na soleira da morte.
(Eu sei: só capto fragmentos, andando às pressas, numa narrativa quebrada – sempre em busca intensa de uma verdade humana. Consigo captar algo, não a totalidade. É da humana lida.)
Viajamos para o esquecimento. Mas “precisamos” viajar.
Em Dresden, sentei num banco à beira do rio –, e parecia inacreditável que a bela cidade barroca alemã, tivesse sido completamente destruída na Segunda Guerra.
É preciso escutar um fado, e contemplo o Tejo.
Ah, Lisboa revisitada de Pessoa!
Viajamos para encontrar o que já sabemos?
Chovia muito em Veneza, e fazia frio.
Em Londres, caminhei por parques.
E “enxergar”, ir além é fundamental (navegar é preciso –: ver (e aprender) é sempre necessário.
Se você está sempre preocupado em ensinar, nunca vai aprender.
Na Picadilyy Circus (junção de estrada e de espaço público da Londres’s West na cidade de Westminster), num sábado à noite (acho que nunca vi tanta gente junta e de tantas nacionalidades,  um casal indagou-me se sabia o endereço de certa rua.
Em Amsterdã andei por canais, contemplando tantas pessoas andando de bicicleta, e (re) visitei o Museu Van Gogh.
Em Pompéia, pensei novamente na História (será ele sempre um pesadelo?), na vida e em todos os impérios que sempre passarão – apesar de considerarem-se eternos.
Onde estou? No quintal da minha casa? Atravesso mares para descobrir o que um menino, lá atrás, já sabia – encanto, finitude, sangue, esperança. A vida como um breve sopro que precisa ser vivido, a cada dia, sempre. Até.
(Brasília, novembro de 2014, e Salvador, maio e junho de 2015)


LIVIA LIMP convida para a abertura de sua exposição "Xilócopa # 2


Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa - LEANDRO GABRIEL


Deus Tá in Tudo que é Canto

Antônio Marcos Bandeira


Deus tá in tudo que é canto
No canto dos passarim
No canto duma criança
Nos canto pelos camim
Deus tá na muié buxuda
Insperano os bruguelim

Deus tá no canto dos óio
Dos cegos que rê além
Deus tá no canto dos mudo
Que mudo cantam tumém
Deus tá nos que num escuta
Mair sabe dizê amém!

Deus tá nas forma das letra
Dos cego que eles nos trais
Deus tá no canto dos pasro
Nos canto de vida e pais
Deus tá na rida das rida
Que ELE muda demais

Deus tá in tudo que é canto
Nos canto da natureza
Deus tá no canto dos home
Que cantum cum tanta beleza
Deus tá na rida dos jove
Na casa que num é fortaleza

Deus tá in tudo que é canto
No canto das prantação
Deus tá in quorqué pessoa
Que dento do seu coração
Tenha o Sinhô Jesuis
Cumo seu Sinhô e Luz

O seu Deus da salvação!

ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...