jeudi 9 avril 2015

NOVIDADES DO VARAL DO BRASIL!

Olá amigos de tantos lugares!

O sol brilha no céu de primavera aqui em Genebra, as temperaturas começam a subir um pouco alegrando os corações de quem sente o longo frio do inverno europeu.
Passados os feriados de Páscoa voltamos com nossas atividades!
Temos a alegria de dizer a vocês que nossa revista de maio sairá mais cedo. Ela será distribuída no início da segunda quinzena de abril. Com tema livre, traremos quase duzentas páginas de muita boa leitura para você.
Estamos na reta final dos preparativos para o 29º Salão do Livro e da Imprensa de Genebra. Serão mais de trinta autores presentes, música, artes plásticas, uma festa cultural como o Varal: literária, mas sem frescuras!
Teremos a presença entre tantos autores dos consagrados Marcelino Freire (Pernambuco), Ronaldo Correia de Brito (Ceará) e Cintia Moscovich (Rio Grande do Sul). Teremos também música com o cantor Marcos Assumpção que virá especialmente do Brasil para o evento!
E para os escritores que não puderam vir este ano, preparem-se: fizemos uma parceria com uma agência de viagens brasileira para financiar passagens e estadias em Genebra para 2016! Não é o máximo? Informações a partir da segunda quinzena de maio, quando abriremos as inscrições para o 30º Salão do Livro e da Imprensa de Genebra (que acontecerá na última semana de abril de 2016).

Convidamos você para participar de nosso concurso literário internacional, o III Prêmio Varal do Brasil de Literatura que premiará contos, crônicas, textos infantis e poesias. Solte sua imaginação e participe! O texto não precisa ser inédito. Informações em nosso site www.varaldobrasil.com ou através de nosso e-mail varaldobrasil@gmail.com


VENHA NOS VISITAR!








SILVÉRIO DA COSTA E O “MEMORIAL DO MEDO”




                                   É bem difícil, para mim, falar com propriedade desse ”Memorial do Medo” com que meu amigo Silvério da Costa agraciou o mundo, tamanha a sua profundidade e complexidade.
                                   Silvério entra na minha vida faz mais de vinte anos, creio, como um romântico poeta português que trocou sua pátria pelo Brasil e aqui vive na cidade de Chapecó/SC, ganhador de prêmios literários a granel e dono de fecunda e contundente produção de versos, e assim o vi por muito tempo até que, ano passado, ele como que me deu um soco no peito que me tirou todo o ar, ao publicar esse livro único e corajoso e lhe dar o nome que deu, pois não é qualquer escritor que tem a capacidade de mergulhar na profundidade do medo como ele o fez, sem nenhum pudor, sem nenhuma reserva, de um jeito único e inesquecível.
                                   Quando ainda muito jovem, li um livro chamado “A condição humana”, de André Malraux, que foi também um livro que me atingiu muito, e quando terminei de ler o ”Memorial do Medo” quedei-me a pensar por muito tempo, com muita seriedade, que esse livro de Silvério poderia se chamar “A condição humana II”, tão forte e tão profundamente essa condição é analisada nele, palavra a palavra, linha a linha, capítulo a capítulo, dor a dor, medo a medo. Claro que o que acabei de escrever é um diletantismo – nenhum outro nome estaria tão bem colocado nesse “Memorial do Medo” quanto o que o foi, pois o Silvério que eu conhecia ali foi forjado, no medo, no temor, no terror, na angústia de não saber se sobreviveria ao instante seguinte, no pavor de ver os amigos e os inimigos destroçados por armas e por bombas na injusta, fratricida e terrível (haverá guerra que não seja assim?) guerra de Angola, onde jovens que poderiam ter sido felizes na sua Portugal ancestral se transformaram em carne para canhão, a mando do ditador Salazar, que se aferrou ao poder enquanto pode, queimando na fogueira das vaidades a fina flor da juventude portuguesa, coisa bem a gosto do Capitalismo.
                                   Chegando a Luanda em 1961, aos 22 anos, já depois de conturbada e difícil infância e adolescência na pátria, Silvério vai se dar conta com muita clareza do que é a guerra, uma guerra onde ele luta para salvar a pele, pois não reconhece como inimigos aos opositores angolanos, tão vítimas do Capital quanto ele. Por 26 meses vive a insanidade do medo sempre presente, assim como, com certeza, seus “inimigos” também estão a viver, pois também Angola está a queimar no medo e no horror a fina flor da sua juventude, no pavoroso processo de descolonização que também tem origem na ganância europeia, a princípio, e nas riquezas do seu subsolo, depois, o que quer dizer que também no Capitalismo.
                                     São fracas linhas gerais, as minhas, sobre um livro de tal profundidade e magnitude, mas que não se deve deixar de ler. “Memorial do Medo” nos deixa marcas que imagino indeléveis, pois quem, como Silvério, poderia tê-lo escrito sem passar para o papel a terrível realidade de se viver sob as tenebrosas garras do pavor?
                                   Por sorte, caso sobrevivesse, nosso autor tinha, como uma luz no fim do túnel, o aconchego de um amor no longínquo Brasil, e cá o temos, hoje, dentre nós.
                                   Não sei o que te dizer agora aqui, Silvério. Penso que não há o que escrever além de que sou solidária contigo e te compreendo.

                                   Blumenau, 02 de Abril de 2014.


                                   Urda Alice Klueger

                                   Escritora, historiadora e doutora em Geografia.



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