vendredi 6 février 2015

FESTIVAL DE BERLIM - 3

FILME ESPANHOL GELA OS ESPECTADORES

Berlim - filme espanhol gela expectadores
O filme da abertura do Festival de Berlim, Ninguém quer a noite, da espanhola Isabel Coixet, no caso de passar no Brasil e para se ver em dia de verão, já que simula a busca do explorador Robert Peary, pela esposa ciumenta Josephine Peary, e isso quer dizer a tela mostrando neve, gelo, frio o tempo todo, correndo o risco o espectador de pegar uma pneumonia.
Pobre da atriz Juliette Binoche, embarcada nessa aventura de seguir as pegadas do esposo ausente e amante de esquimó, e de ter de passar o inverno num posto avançado da rota em direção do Polo Norte. Para quem não sabe, numa época em que ainda não havia as roupas protetoras contra o frio de hoje, Robert Peary botou na cabeça chegar até ao que se supunha ser o centro do Polo Norte. E nessa aventura tinha um concorrente, Frederik Cook.
Ambos passavam meses em cabanas construídas no meio do deserto de gelo e neve, entre esquimós, que atualmente é mais correto se dizer Inuit, ou indígena local, até ambos acreditarem terem atingido seu objetivo. Uma comissão de especialistas teve de decidir e Robert Peary foi considerado o descobridor do centro do Polo Norte, em 1908. Vitória atualmente contestada pelos meios tecnológicos de que dispomos: nem Cook e nem Peary teriam chegado ao local certo.
Uma aventura dessas tinha repercussões na família e Robert Peary era pior marido que marinheiro na Marinha Mercante. Dos trinta anos de casamento com Josephine, mulher apaixonada, só passou com ela cerca de três anos, tempo suficiente para lhe ter feito dois filhos que, evidentemente, não viu nascer.
O filme parte do roteiro do espanhol Miguel Barros, uma imaginária ou mesmo real viagem de Josephine, a senhora de origem inglesa e alemã mas novaiorquina, em busca do marido aventureiro, obcecado em desbravar o deserto gelado do Ártico. Juliette Binoche leu o roteiro, que na verdade é de um homem e nunca se sabe se homem entende o ciúme ou paixão de uma mulher, e achou bacana, pois contava uma aventura masculina vivida por duas mulheres, uma americana e uma esquimó, num filme dirigido também por outra mulher, uma espanhola.
Assim escrito, parece ter sido um êxito a confluência dessas três mulheres. Cinema são imagens na tela, mas muitas vezes os críticos deixam-se levar pela retórica do realizador numa entrevista coletiva, como presenciei, no ano passado, com Praia do Futuro. Desta vez, com Ninguém quer a noite, não se pode falar em retórica da catalã Isabel Coixet, que aproveitou da entrevista para se queixar do mau tratamento gastronômico dado à equipe do seu filme, na Norvégia, onde o filme foi rodado. deveria ter ido ao Brasil, se houvesse neve.
E ninguém precisa ficar com pena de Juliette Binoche porque nas cenas de muito frio, ela sentia calor, pois havia um estúdio instalado no meio da neve, em síntese, tudo era cinema. Só que Josephine Peary vestida com seus melhores trajes quentes novaiorquinos da época, no meio da neve, não convence.


E o críticos espectadores diante das quase duas horas de vento e tempestade de neve ficara de gelo, na abertura do Festival de Berlim - nenhuma palma, só vontade de abotoar o casaco e subir o cachecol. 

FESTIVAL DE BERLIM 2015 - 2

 Rui Martins
-----------------

BERLIM - Brasil traz  uma dezena de filmes

Embora não esteja na competição internacional de longas-metragens, o cinema brasileiro conquistou um importante espaço dentro do Festival de Berlim.
Mais de uma dezena de filmes serão exibidos para o público, críticos e produtores nas diversas mostras paralelas Panorama, Forum e, na mais recente, a Nativa, dedicada ao cinema indígena.

O filme Sangue Azul, de Lírio Ferreira abre a mostra Panorama, deddeicada aos chamados "filmes de autor". O filme Ausência, de Chico Teixeira faz também parte dessa mostra. Na Panorama Especial, aparece o filme de Anna Muylaert, Que horas ela volta. Em Panorama Documento, surge Walter Salles com um filme rodado na China sobre um seu colega realizador, o título é Jia Zhang-ke, um homem de Fenyang.

Na mostra Forum, dedicado aos cinema de experimentação, estão Beira Mar, de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon; e Brasil S.A. de Marcelo Pedroso.

“Estamos muito felizes pelo cinema brasileiro estar mais uma vez com relevante participação em um festival tão importante como o de Berlim”, afirma o presidente do Programa Cinema do Brasil, André Sturm. “Isso reflete a maturidade e qualidade da produção brasileira, além de nos encorajar a seguir com o trabalho do Cinema do Brasil em aproximar as produções e produtores brasileiros de importantes players internacionais” complementa.

“Sangue Azul” e “Ausência” fizeram parte do Boutique Cinema do Brasil, evento que convida relevantes profissionais de mercado internacional para assistir a filmes brasileiros em pós-produção. Já “Que Horas Ela Volta?” foi apresentado ainda em finalização na Carte Blanche do Festival de Locarno, que foi dedicada exclusivamente a produções brasileiras em 2014, por meio de uma parceria com o Cinema do Brasil.

Único filme concorrendo numa competição internacional em Berlim, a de curtas-metragens, o filme Mar de Fogo, de Joel Pizzini. Outro curta-metragem, fora de 
competição é Escape from my eyes, uma coprodução com a Alemanha, de Felipe Bragança.

Na mostra de filmes nativos, estão os longas, As hiper mulheres, de Carlos Fausto Leonardo Sette e TakumãKuikuro; e O mestre e o divino, de Tiago Campos Torres. E os curtas brasileiros Obrigado irmão, de Hepari Idub´rada, e Já me transformei em imagem, de Zezinho Yube.


ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...