lundi 5 janvier 2015

REVISTA VARAL DO BRASIL - JANEIRO DE 2015



Varal estendido!

E nos despedimos de mais um ano! Um adeus a tudo o que vivemos em 2014 e que nos deixa a saudade e as lembranças.
E entramos de cabeça em mais um ano, com todas as expectativas e esperanças. 2015 que nos aguarde, estamos chegando com tudo, todas as forças e toda vontade!
O ano de 2014 para nós do Varal do Brasil foi muito positivo.
Tivemos a segunda edição de nosso Prêmio Varal do Brasil de Literatura, premiando autores brasileiros e portugueses. E já abrimos as portas para a terceira edição do concurso!
Tivemos uma magnífica participação no 28o Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra, com a presença de muitos escritores vindos de muitos cantos, inclusive os renomados Alice Ruiz e Luiz Ruffato.
Tivemos a edição de duas antologias: Voando em Bando, produto do Grupo do Varal no Facebook, com nossos “exercícios” em equipe realizados quase que semanalmente. E o já tradicional e inovador Varal Antológico 4, com vários autores e uma capa maravilhosa da artista plástica Maria Lagranha.
Nossa revista ultrapassou as quarenta edições e tem alcançado cada vez mais lugares e pessoas, seguindo ao encontro dos leitores por e-mail, sites, blogs e redes sociais. O número de participantes, sempre significativo, mostra bem que o nosso “sem frescuras” ainda tem muito o que mostrar!
O Varal do Brasil  foi assim cumprindo sua meta de divulgação da língua!
Para o ano de 2015, estamos já nos movimentando, e muito!
Começam a chegar os livros que participarão conosco do 29o Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra. Já vai se formando o quadro de autores que estarão autografando conosco. E isto só aumenta a nossa grande emoção, que atingirá seu máximo de 29 de abril a 3 de maio. Ainda mais que além de todos os autores inscritos, teremos conosco Cintia Moscovich, Marcelino Freire e Ronaldo Correia de Brito. Sim, nosso estande é especial e nós nos orgulhamos de trabalhar seriamente com a literatura!
Fechando em fevereiro o livro Varal Antológico 5 ganhará vida pela primeira vez através dos ares de Genebra, sendo apresentado no Salão do Livro. Uma honra para nós termos estes autores escolhidos!
Desejamos agradecer a todos os que estão sempre conosco, participando das atividades do Varal ou simplesmente acompanhando. Você é muito importante para nós!
Assim, desejamos que 2015 seja um ano de muita paz, muitas alegrias e muito sucesso e que a literatura de nossa língua tão linda brilhe ainda mais no Brasil e no exterior.

Feliz Ano Novo!

Ou peça pelo e-mail varaldobrasil@gmail.com

FEIRA DO LIVRO DE GENEBRA, SUÍÇA! VENHA VOCÊ TAMBÉM!


Crônica da Urda

JULIAN ASSANGE, MEU AMOR!

(Em tempos de Natal, é importante que lembremos que Julian Assange continua, há mais de dois anos, encurralado na Embaixada do Equador em Londres.)

                                               (Para Eduardo Venera dos Santos Filho)

                                   Ele poderia ter sido meu filho. Em 1971, quando ele nasceu, eu tinha 19 anos, começara a trabalhar num primeiro emprego e estava a me apaixonar irremediavelmente por aquele que seria o tão grande amor da minha vida que nunca acabaria de passar. Tudo era apropriado para eu ter tido um filho nessa altura: era jovem, saudável, tinha células perfeitas para dar continuidade à vida, um companheiro perfeito para dar origem a um filho perfeito – só que Julian Assange não nasceu de mim, embora hoje, olhando para trás, bem queria que tivesse sido eu a lhe dar à luz.
                                   Ele não nasceria no Brasil, no entanto, e o nome da sua mãe seria Christine, ao invés de Urda. Como se fosse também um pouco meu filho, nasceria por cá pelo mesmo Hemisfério Sul, embora a Austrália, o país dele, até hoje ainda me faça pensar, em primeiro lugar, em cangurus, coalas e no grande crocodilo que quase comeu a perna do Crocodilo Dundee, além de uma fila de governantes que nunca me parecem simpáticos, todos usando uniformes certinhos, de terno, gravata e barrigão, os quais passaram a me chamar a atenção a partir das atrocidades acontecidas em Timor Leste.  Eta gente fria, aquela dos governos australianos!
                                   E o menino genial não nasceu de mim nem do Brasil, mas nasceu tão genial que pôs todo o mundo em polvorosa. Tenho prestado atenção nele desde o primeiro dia em que Willian Bonner, aquele mesmo que disse que seleciona as notícias para o ignorante público brasileiro ver no Jornal Nacional pensando se agradariam ou não a Homer Simpson falou a respeito do sítio daquele menino genial errando na pronúncia, dizendo que era o “uaikeliks”, para no dia seguinte se retratar e dizer “uikeliks”, tão grande era o impacto da notícia no mundo.
                                   O fato é que um menino que era puro gênio nascera no mundo, brincara um pouco de hacker para aprender a como fazer para descobrir os grandes segredos que se escondiam nos novos aparelhos das novas tecnologias, e ontem à noite, ainda, ouvi como ele contou como estava tentando entender o mundo que o rodeava e onde vivia – e da sua estupefação ao entender, ainda tão menino, que o que pensara bonito como uma ave canora não passava da mais sórdida cova de leões que já se viu sobre este planeta, com seus milhões de malefícios, assassinatos , guerras sujas, economia podre e a vileza das mais diversificadas traições. Quando entendeu o que verdadeiramente passava, sua genialidade diante da tecnologia moderna fê-lo criar a mais sofisticada das páginas da Internet, onde sua sede de justiça e ânsia da verdade passou a publicar as mais ignóbeis verdades sobre o que acontece, de verdade, no mundo, deixando de calças curtas os maiores assassinos da humanidade a babujar desculpas esfarrapadas nas quais ninguém mais acredita e a alertar ao povo inocente sobre verdades que a gente simples nem imaginava.
                                   É claro que aquela máfia do horror, aquela que ficou de calças curtas, tratou logo de botar a mão nele e na sua equipe: encurralaram-no em Londres com um bobo pedido de extradição para uma Suécia grande alimentadora de guerras com a venda das armas que produz – e estava implícito que da Suécia haveria uma nova extradição para um outro país chamado Estados Unidos onde a mais amenas das esperanças era a de uma cadeira elétrica.
                                   Não compreenderam Assange, claro! O lindo menino que poderia ter sido meu filho enganou um pouco de cá, um pouco de lá – e acabou por ir proteger-se dentro da embaixada do Equador, aquele país de gente tão querida que já pude conhecer um dia. Claro que o Equador lhe deu asilo político – e claro que os parentes dos crocodilos da Austrália não estão nem aí para o filho de quem deveriam se orgulhar. O problema, agora, é tirar Julian Assange de dentro da embaixada do Equador, levá-lo até ao aeroporto de Londres para que ele possa, afinal, lépido e faceiro, tomar o rumo desta nossa América dita Latina que comunga dos seus ideais e já o ama por antecipação.  Por enquanto a coisa ainda não se deu, pois está cheinho de polícia inglês ao redor da embaixada equatoriana, esperando o menor pretexto para ir lá acorrentar esse menino como se fazia no tempo da Idade Média!
                                   Tenho fé na minha América, no entanto! De um jeito ou de outro, Julian Assange vai acabar sendo trazido para cá e vai ser o nosso orgulho. Pudesse eu, ia lá contrabandeá-lo para as delícias de Quito.
                                   Julian Assange,, meu querido, quisera ter sido a tua mãe, e então te chamaria de Julian Assange, meu amor! Tua mãe foi outra, o que não quer dizer que não possa te chamar de meu amor! Venha logo, nuestra América está te esperando!   

Blumenau, 02 de Setembro de 2012-09-03

Urda Alice Klueger

Escritora, historiadora e doutora em Geografia.

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