lundi 12 octobre 2015

O ESTRANHO EGO DOS ESCRITORES QUE NÃO SÃO LEITORES



Jacqueline Aisenman


Eu me perguntava há um tempo atrás a razão pela qual por mais que você divulgue seus livros entre escritores (redes sociais, principalmente), nenhum efeito positivo surge. Não há sequer comentários além do clássico de uma palavra só e que determina ainda mais o fato de que, quem ali comentou, sequer leu o que foi publicado.
Pois bem, eis que dei de cara com a reposta a esta questão: Não há respostas às divulgações, porque divulgar é exatamente o que estão tentando fazer milhares de escritores, todos com um ou mais livros recém-saídos das editoras. Todos estão tão endoidecidos com o fato de que estas mesmas editoras não fazem nada, mas nada, além de publicar o livro, que se jogam na difusão dos mesmos em todos os espaços que se mostrem abertos para tal.
O resultado? Ninguém lê. Ninguém tem tempo para ler o anúncio de outro escritor! Ninguém quer perder tempo lendo sobre o livro de outro escritor! Ninguém quer saber de livros de outro escritor!
O estranho ego dos escritores mostra que eles não são leitores. São tão somente escritores publicados ou auto publicados que estão na luta, árdua luta, de mostrar ao mundo os seus trabalhos. Mas nesta guerra fria, diria mesmo gelada, acaba-se perdendo o verdadeiro rumo da literatura: nela há uma ligação intrínseca entre o ler e o escrever. Não há vida literária sem a interação entre a leitura e a escrita!
Mas na maratona da divulgação literária não sobrou espaço para a leitura. Escritores que se jogam na propagação de suas obras ficam tão concentrados em seus próprios umbigos que não lhes sobra o tempo, portanto tão necessário, urgente, vital, de ler outros livros que não sejam os dele. Na verdade, a maioria não lê sequer as sinopses de outros livros. Verdade ainda: não leem nem mesmo a divulgação de seus pares.
Então o que vemos é um lançamento de livro atrás do outro, livros sendo editados em toneladas e jogados na mídia popular (que a mídia real é muito seletiva e não dá a mínima para os novos autores, mesmo eles já sendo velhos na guerra da edição). Livros que não terão, infelizmente, um futuro mais longo do que o próprio lançamento. Alguns irão parar na parte de trás das prateleiras de uma livraria, outros nem mesmo isto.
E apesar da tristeza que dá ao se perceber tudo o que ocorre, o que mais entristece mesmo é perceber o egocentrismo de grande parte dos escritores, sejam eles novos, antigos, autores de um livro só ou de muitos. Egocentrismo que os leva a concentrar sua atenção e força apenas no próprio umbigo, deixando assim de ver todo o resto que a vida tem para mostrar através dos livros que vão surgindo ao seu redor.
Porque é necessária a volta às origens: é necessário que se volte a ler. Que se edite menos, que se leia mais. Que se escreva muito, mas que se leia muito mais.
Para que não continue tão estranho o ego destes escritores que não são leitores e que deixam marcas negativas na literatura atual.

Vamos ler os livros dos nossos amigos!

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