mardi 8 septembre 2015

UMA CONVERSA COMIGO MESMO (A)

OFICINA CRIATIVA DO GRUPO VARAL DO BRASIL NO FACEBOOK

Organização de Marilu F. Queiróz

Olho para algum lugar longe de mim e enxergo qualquer coisa mais profunda. Enquanto meus olhos vagueiam por lugar algum, reencontro paisagens antigas aqui tão dentro. Revejo meus conceitos que estão espalhados pelos jardins da alma. Me conecto com a essência da criação que existe no fundo do meu ser. Reconheço as emoções que se apresentam. E eu, cá com meus botões, me agradeço por me permitir um tempo comigo mesma.

Sou um vendedor de sonhos
Em algum país distante,
Abro a caixa de sonhos e sonho.
Ofereço diamantes
Ao meu primeiro cliente
Ou uma flor, ou um abridor
De lata de sonhos
Para algum vendedor novato
Para um outro fugidio vendedor ambulante.

...Um toque Divino

Há na natureza um toque Divino
do Pai de todas as criações!...
existe tanto de Deus na natureza,
um toque de amor em toda beleza
que contagia os corações.
E nessa conversa comigo mesma,
não pude deixar de pensar,
que em meio a tanta grandeza,
a pequenez dos homens na terra
ainda conseguem pensar em guerra.

Um olhar para mim

Um olhar para mim, ou um olhar em mim: não sei se de fora ou de dentro, se me contemplo e me vejo, ou, se sinto e me vejo. Seja qual for o ponto de vista da mirada, ela está lá e o que vejo me lembra Clarisse Lispector quando se olha em um espelho: onde foi, em que ponto eu me perdi?
Da menina alegre, das brincadeiras da infância, das inconsequências dos atos juvenis e mais forte – da crença no poder do fazer acontecer.
Onde está esta força? Onde estão minhas certezas? A confiança no outro tem se mostrado capenga, os fatos precisam ser torneados, revestidos com roupagem de Poliana para trazerem alegrias. É a realidade da vida adulta, o preço de ter de crescer? Será realmente necessário? O que sinto é que não é possível sentir de novo os sabores ingênuos que perdi – perdi.


Encontrando Caminhos

Sempre acreditei que os caminhos devem ser buscados, no entanto, verifico que os caminhos às vezes nos buscam. Parecem estar por aí a espera de uma mirada, de um toque, para que eles se abram, se aproximem e nos prendam – e a gente se envereda por eles.
O grupo varal me saltou aos olhos em minha folha no Face, me prendeu, e, nem olhei para outra possibilidade, ou para outros grupos; busquei uma integrante adicionei e pronto, aí estava o meu caminho.
 Agora é caminhar. Não sei bem o que esperar do grupo, nem mesmo sei das expectativas dos participantes com relação aos demais, mas me pareceu interessante a primeira proposta, e aqui estou a falar de como os caminhos nos pegam. Participo de um grupo de leitura, que também começou assim como quem não quer nada, e tem caminhado, às vezes a passos largos, outros de tartaruga, mas está a caminhar. Pode-se dizer que são caminhos paralelos à minha profissão: leitura sempre foi um hobby, mas daí a crítica ou escritora vai uma grande distancia. O codificar e decodificar são procedimentos usuais da leitura, processo automático, mas que vai se enriquecendo e se tornado uma arte à medida que se avança em este caminho. Não está aí descobrir o que pensa o autor e sim o que se pensa e é interpretado ao ler o que o autor escreveu,e isto depende de vivência de conhecimentos prévios, da capacidade de aceitação, de abertura para o novo e muito do humor do momento – são os caminhos.
 Estou certa, no entanto, que estes caminhos se cruzam e me levam a algum lugar, não determinado, que vai aparecendo ao longo da caminhada e com certeza modificam minha vida e meu pensamento. Naturalmente é preciso mais do que uma mente aberta, uma vontade de crescimento, talvez o desejo de mudança – crescimento é isto: mudança. Não importa que tipo de mudança, o que importa é mudar, deixar se levar pelos caminhos sem questionar – deixar que os caminhos te levem


Penso que o ser humano é dotado do que chamamos de razão. Não podemos deixar que a emoção se perca e tire o sentido da nossa existência: a alma e a capacidade de perdoar a si mesmo.




A cada dia penso mais em como seria a vida sem as belezas que a natureza nos oferece. Tudo o que há de mais bonito sentimos e admiramos todos os dias. De fato, a natureza é uma mãe generosa e amorosa.



VISUAL

Olho dois olhos,
Revivo tantos "vivas!",
por um momento,
diante do espelho.
Rego tantos anos
Que já me mostram
As rugas das aparências


Até quando, pergunto ao meu coração, devo ouvir a ofensa que cala? E ele quieto também nada quer dizer. Minha mente sabe que tentarei apagar da memória tudo aquilo que magoa. Se de fato esquecerei, nada posso afirmar. Só sei que aprender precisa de horas, assim como esquecer requer emoção reeducada, coisa difícil pra mim. Caminho perseguindo a fumaça do homem novo, enquanto o homem velho chora porque chora a criança. Pela criança, aceito me esconder na noite e consigo esperar o dia que seca as lágrimas e traz o calor que renova a vida. Na luz, o pensamento se pacifica e tenta entender os monges e as bruxas, fadas e duendes, enquanto minha criança e eu juramos perdoar setenta afrontas multiplicadas por sete e outras vezes. Se não morrermos, conseguiremos entender que recomeçar é lei do tempo, e disso sabe o arguto coração.


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