vendredi 11 septembre 2015

TALENTO E VOCAÇÃO

OFICINA CRIATIVA DO GRUPO DO VARAL DO BRASIL NO FACEBOOK
Organização de Isabel C. S. Vargas

TALENTO E VOCAÇÃO


NORÁLIA DE MELLO CASTRO

TALENTO

Quando crianças brincamos com os lápis e aos poucos vamos descobrindo nossa identificação com as letras, uns mais, outros menos. Nossos professores e parentes próximos, talvez sejam os primeiros a observarem a nossa facilidade para a escrita, antes mesmos de nós. Nossos colegas, então, os que tem mais dificuldades com o Português, passam a nos solicitar préstimos. O português de um modo geral é um bicho de sete cabeças, mas, para o talentoso não.Assim, aos poucos, vamos nos identificando com a escrita e desenvolvendo o nosso talento, que é um dom especial que atinge a alguns, embora toda criança escreva... Há algo mais nos chamando para as letras, um DOM NATURAL.
Um dom que pode ser descoberto, não apenas quando criança, mas em qualquer outra época de nossa vida. Na adolescência, este talento natural pode explodir.

VOCAÇÃO

Glória Perez disse que se o escritor tiver PAIXÃO pelo que faz, romperá certamente em sucesso, pois a carreira de escritor é árdua por demais. Concordo plenamente com esta autora: para ser escritor para outro nos lerem, precisamos de PAIXÃO pelo que nos propomos a fazer e é esta PAIXÃO que nos fará chegar ao objetivo proposto: ser escritor para outros.
A paixão exige dedicação, persistência e paciência.
E no desenrolar de nossa vida, não paramos de escrever, mesmo que não nos lêem. Escrevemos constantemente. E nosso envolvimento com os livros é também constante. Não há como escapar de leituras, observações, deduções... nossa mente é um eterno falante a exigir que lhe dê formas de letras: palavras.

Talento:
Hoje no Faustão

Foi apresentada a vida de DOMINGOS MONTAGNI, o Miguel da novela Sete Vidas, ator revelação de 2014, de 5.3 aninhos.
Para mim, serve de exemplo que confirma que vocação pode ser despertada em qualquer momento, em qualquer época.
Domingos era professor de Educação Física, amava ser professor, usava Artes em suas aulas, nunca pensou ou batalhou para ser ator. Um dia, lá veio o convite para fazer uma peça de teatro, talvez sua bela figura de homem tenha estimulado tal convite. Ele aceitou, se preparou, e estourou como galã da globo, no ano passado. Ele, além do belo físico, tem talento natural e espontâneo. Faz sucesso na sua segunda novela.
A trajetória de vida de cada um faz acontecer o despertar de talentos, melhor dizendo, a tomada de consciência do talento ali escondido..

Maria Nilza, uma colega do grupo varal que eu admiro muito.
Jovem, casou-se, fez família, dedicou-se inteiramente ao lar, amava seu marido e de repente... veio a viuvez. O marido amado, companheiro de muito anos se foi, e ela cheia de dor ficou... tornou-se uma escritora após os 60 anos, e seus livros são uma preciosidade. Terna, simples, linguagem direta, nos presenteou com livros e me fez pescar mil lições com O DIÁRIO DE UMA PESCADORA, e com uma historinha das mais singelas, Cabana Encantada. Aqui no nosso grupo, ela sempre se dirige a nós com um – MEUS AMORES. Escrevo sobre Maria Nilza, para que ela participe também da nossa brincadeira, pois está doente. Se assim não fosse, tenho certeza que ela já teria escrito sobre Talento e Vocação, e eu não podia deixar nossa amiga de fora.
É também uma homenagem que presto a ela, uma escritora que me comoveu, comove e tenho tanto respeito.
È outra escritora que se descobriu na arte de escrever, tardiamente, sem ser tarde. Ainda tem muita coisa para nos presentear com seus contos, crônicas e romances.

Vocação

Quando se descobre uma vocação? Ela vem da alma. Pode-se descobrir que tem esta ou aquela vocação em qualquer época.
Fatores determinantes da vida de cada um levará a esta descoberta mais cedo ou mais tarde. A vocação está impregnada no nosso corpo está na nossa alma, e 
se imporá de que forma for, em algum lugar, no momento certo.

MARILU F QUEIROZ

Vocação e Talento

Durante a minha infância inteira meu irmão e eu fomos estimulados pelo exemplo do meu pai. Um homem para lá de especial que escrevia poemas, histórias, pintava lindas telas à óleo, executava trabalhos de madeiras entalhados com ferramentas que ele adaptava. Com todo o carinho que lhe era tão peculiar fabricava brinquedos para mim e meu irmão, como carrinho de boneca, caminhãozinho, balanços, pernas de pau, brinquedos de lata, entre outras coisas maravilhosas que só ele sabia fazer. De noite lia para nós histórias infantis tiradas dos livros de uma coleção de Monteiro Lobato. Lá fantasiávamos as aventuras que de tão bem contadas fazia-nos viajar pelos locais descritos pelo autor.
Com tudo isso desde muito cedo fomos desenvolvendo um gosto por escrever e desenhar. Aos oito anos escrevi a minha primeira história a partir de um filme que papai nos levou para assistir. Aos onze anos fiz o primeiro poema e daí por diante. Meu irmão aos 10 anos pintou o seu primeiro quadro à óleo e aos doze já fazia desenhos para as moças que estudavam para ser professoras, e elas pagavam pelos seus trabalhos. Mais tarde começou a fazer pequenos escritos.
Tenho a impressão que a vocação vem desde cedo ou inato. No meu caso, vinda da família do meu do meu pai, pois tenho primos que escrevem, pintam, fazem esculturas. Estimulado sim desde a mais tenra infância, o talento herdado se conserva durante toda a vida, mas precisa ser exercitado, acumulando pesquisa e estudos para adquirir aprimoramento. O talento adquirido requer treinamento constante para ser desenvolvido.


NEIDE BOHON

Falando em infância sempre viajei pelos meus quintais, com minhas bonecas de pano, inventava e recitava para minhas invisíveis comadres, mais tarde foi a pintura e desenho, horas e horas de prazer... Quanto a vocação acredito que é nato, a pessoa nasce com o dom seja qual for. O talento, esse não sendo nato pode ser desenvolvido,estudado a qualquer tempo da vida...Enfim é isso que penso.

CARMEN MORAES

Mas quando a vocação vem acompanhado do talento, e do amor pelo que se faz... recebemos dádivas dos céus... Aí aparece todas as maravilhas que um mortal é capaz de realizar...

BLENDA BORTOLINI

Muitos me perguntam quando comecei a criar meus personagens e a escrever meus contos infantis. Hoje, respondendo a muitos, escrevo no formato de um pequeno conto..

Tudo começou quando as luzes de toda região aonde eu morava apagavam-se, tinha se tornado uma rotina, minha mãe acendia as velas e as colocava em um lugar alto no quarto. Minha irmã, com medo do escuro, deitava-se ao meu lado e eu para acalma-la , fazia com as minhas mãos pequenos gestos e criava os meus primeiros personagens. E com a luz da vela, faziam as sombras das minhas mãos e contava minhas historias. As vozes dos personagens se misturavam aos risos da minha pequena irmã, meu primeiro publico, minha primeira plateia.. Depois disso, vieram as apresentações nas escolas, teatro nas igrejas, shows musicais, feiras musicais.... a arte sempre esteve no sangue da família. E com meu jeito desinibido de ser, fui avançando nesse mundo encantador da arte, musica e literatura... "As sombras " têm formas dos nossos desejos ou medos. Basta manipula-las com a nossa vontade... elas se transformam!


MARIA NILZA DE CAMPOS LEPRE

Depois de ter lido o lindo texto de minha querida amiga Norália Castro, não poderia deixar de participar desta oficina. Apesar de ainda estar convalescendo. Obrigado pelas lindas palavras. Você me levou as lágrimas.


Desde muito cedo eu sempre fui diferente de meus irmãos. Enquanto eles gostavam de aventuras e brincadeiras de bola, corridas e outras, eu ficava sempre num canto entretida com meus cadernos de desenhos, lápis de cor e meus livros de histórias.
O tempo passou e eu sempre me dedicando aos prazeres das artes. Na adolescência comecei os estudos de violão, depois entrei para a Escola de Belas Artes de nossa cidade acreditando que meu dom fosse para as pinturas e desenhos. Estava errada, apesar de desenhar, esculpir e pintar razoavelmente, esta na realidade não era a minha área. 
Somente depois que a vida me deu uma rasteira aos sessenta anos de idade, descobri o que me estava reservado neste mundo. 
Sempre tive facilidade para colocar no papel tudo que me ia à alma, mas nunca tinha levado isso a sério. Somente depois de ter colocado no mercado meu segundo livro “Nilza por Maria” é que percebi que este era na verdade meu verdadeiro dom. Desde então não parei mais de escrever. 
Espero poder continuar por muito mais tempo.

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