mercredi 23 septembre 2015

CHUVA, UMA OFICINA CRIATIVA DO GRUPO DO VARAL DO BRASIL NO FACEBOOK

Organização de Isabel Vargas



POESIA

A chuva e as lágrimas

Chove.
A rua fica rapidamente alagada,
água correndo pelas calçadas
água correndo sob os carros que passam.
Chove.
Meu rosto molhado confessa
o choro que eu quis esconder.
Enquanto a chuva cai desesperada
tentando suprir a terra
do tanto que ela necessita,
tão seca a terra...
Enquanto a lágrima cai atormentada
tentando levar a dor
tentando lavar a agonia
de sentir tanto, tanto...
Chove.
E a chuva é bênção...
E a lágrima é bênção...
Mesmo que transbordem os rios...
Mesmo que eu me afogue...
A chuva e as lágrimas
são inevitáveis...
são imprescindíveis...
para continuar a viver.

Jacqueline B Aisenman

Chuva

Seja bem-vinda...
Chuva benfazeja...
Lave meu corpo...
Limpe minha mente...
Liberte minha alma...
Refresque minha vida...
Acaricie meu coração...

Maria (Nilza) de Campos Lepre

                    
CHUVA E VENTO INSTRUMENTOS DE RENOVAÇÃO

Chuva que cai de mansinho
Benesse traz ao meio ambiente
Água sagrado que cobre o leito
Fértil e gentil da mãe terra.

Vento que espalha o pólen
Que generoso se doa
Fertiliza a terra no cio
E novas sementes faz brotar

Chuva e vento instrumentos da criação
Que renovam o solo, alimentam os animais
Saciam a sede e a fome do homem
Alimentam olhos ávidos de beleza natural.

Chuva e vento serenos, bênçãos de Deus
Tempestades furacões, natureza intrépida
Bravia e incontrolável. Alma indomável.
Denuncia maus tratos à natureza indefesa.

Alerta aos homens sobre os males
Que podem advir da falta de cuidado
Com o solo, com os rios, as matas e o ar.
Fúria imprevisível que exige respeito.

Chuva benção indispensável à sobrevivência
Acalma corações inquietos quando de mansinho cai
Soando como música aos corações dos amantes
Que abraçadinhos se deliciam com o choro da terra.

Vento mensageiro de todos os tempos
Quando sopra suave nas estações
Cumpre sua missão primordial
Assoprar aos ouvidos sobre os desejos da criação.

Vendavais, como os temo em qualquer época,
Bravia natureza que mostra a ira do centro da terra
Dando sinais de incomodação com os excessos
Praticados por insanos desrespeitosos e inconsequentes.
Isabel C S Vargas


A Chuva

Que chuva é essa...
que cai serena sobre o asfalto úmido?
Molha os resquício do dia quente
e limpa das ruas as folhas caídas.

Que chuva é essa...
Que infiltra em nossos cabelos?
Com ousadia escorre pela costa abaixo
de um jeito desconexo e frio.

Que chuva é essa...
Que umedece nossos pensamentos?
Acaricia-nos a alma e que transforma
nossas inquietudes em devaneios.

Que chuva é essa...
Que sorrateira se vai sem aviso?
Deixa-nos inquietos, molhados e com frio...
jogados na suave noite de verão!

Marilu R F Queiroz


PROSA

Vendaval.

O vendaval que assolou nossa cidade ontem a tarde foi intenso. A velocidade do vento foi uma coisa de colocar medo na pessoa mais destemida. Derrubou muros, árvores, destelhou casas, e acabou levando coberturas de postos de abastecimento de combustível.
Mas, como tudo na vida tem uma compensação, tivemos aqui em nossa “Morada do Sol”, um dos mais maravilhosos crepúsculos que já tive o privilégio de assistir. O céu se vestiu inteiramente de um vermelho vivo. As cores eram tão intensas que se assemelhavam a fosforescência. Os raios de sol se infiltraram por entre as nuvens que ainda restavam, e proporcionaram a todos, um espetáculo majestoso.
Agora entendi o dito: “Após uma tempestade vem sempre a bonança”.
Parece que Deus sempre nos da uma compensação após nos mostrar que ainda esta no comando.

Maria Nilza Campos Lepre



 E a chuva cai.

Como é bom despertar com gotas de chuva criando lindas melodias ao bater nas águas da piscina, ao lavar o telhado das casas, ao alimentar as plantas e limpar o ar que respiramos.
O som chega aos meus ouvidos como se o grande maestro da natureza estivesse nos enviando uma linda mensagem de amor.
Espero que todos prestem atenção na mensagem de vida que a chuva nos traz.
A Natureza é nossa amiga, nosso modo de sobreviver neste planeta, pois, dependemos dela.
Por favor, preservem o nosso meio ambiente, plante uma árvore, depositem o lixo nos lugares certos, cuidem dos animais e florestas, pois somente assim nossos filhos poderão viver em paz neste mundo, tão depredado por gerações passadas e pela nossa própria.
Vamos passar para nossos filhos valores que foram esquecidos pelos nossos antepassados.
Ainda é tempo de salvar nosso planeta.

 Maria Nilza Campos Lepre

Chuva Inesquecível 

A chuva caía pesada, lavando a sujeira das ruas e encharcando meus pés; parei, fechei o guarda-chuva e sem medo deixei que ela me molhasse, lavasse as lágrimas do meu rosto, tirasse a poeira das minhas roupas e levasse consigo toda tristeza impregnada em minha alma, imaginei a dor que eu sentia descendo pelo meu corpo junto com a água fria, escorrendo pela enxurrada e sumindo em ondas bueiro adentro, para nunca mais voltar...E quando a chuva parou eu recomecei a caminhar, molhada até os ossos, tremendo de frio, batendo os dentes; mas me sentindo limpa, purificada, leve e estranhamente forte, pronta para recomeçar, para ir a luta, fortalecida, graças aquela chuva inesquecível.

Ana Rosenrot








A MÚSICA DA CHUVA

A chuva nunca marca hora, não baliza o lugar. E, é ilimitada a probabilidade de desabar aqui, agora, em dias de inverno...Aconteceu que no momento, e neste lugar, deu-se o embate da chuva com o solo, que, seco de sede, estava...
Certamente, haviam marcado encontro, pois, a chuva toca música, que ora parece ser um adágio, ora semelha-se uma sinfonia, parecendo ser ensaiada com a terra e tocada pela melhor orquestra do mundo, a natureza, que é exigente...
Há dias em que a música, que a chuva toca, parece ser uma sonata, levando nossos olhos a lacrimejar...Mas, hoje, ela parecia estar tocando desgovernada. O encontro não havia sido marcado com o maestro e ele a deixou sozinha... Raios explodiam a todo instante, os trovões apavoravam, parecendo que tocavam a percussão desorientados, sem tempos, sem compassos...
Havia muito tempo, não presenciávamos uma chuva assim. O canto da chuva é um canto doce, que transforma o dia cinzento, em um dia colorido, misturando os tons de azul e cinza...
Quando a chuva cai e corre pelo telhado, ouvimos o cantar dela... É um canto, que possui diferentes tons e semitons, ora canta como se fosse um tenor, ora como um contralto e, às vezes, um soprano... A chuva, na sua música, tem diferentes andamentos, há horas em que ela chega parecendo que está nos arrastando pelo espaço, perpetuando a vida, nos levanto até às alturas alcandoradas...
É... a chuva nos faz ver a vida passar, através da janela, pois, na rua, não daria para ouvir sua música, pois o barulho dos carros impediriam...
Mas, atrás do umbral da janela, podemos sentir sua música e ouvir o seu canto... Hoje, a chuva foi pesada, sem o azul e sem o cinza. Pintou o ar, com a cor dos maiores desesperos, não houve prédio que não tenha tremido... Foi uma chuva negra. E, o pesado escuro das nuvens veio junto com os brados dos trovões, varrendo o orgulho humano em enxurradas...
A grande beleza da chuva está em ela não marcar hora. Ela adota uma música diferente para cada olhar, que a contempla...Há música e também harmonia, mesmo quando ouvimos o estrondo dos trovões... Parece nos querer dizer algo: -Olhe bem, dentro de cada gota, há um arco-íris...- Pois não é que ela tem razão?
Quando ela se vai, vemos o infinito arco-íris, com os instrumentos em punho. Enquanto a chuva cantava, o arco-íris tocava, para surgir logo a seguir...

Marilina Baccarat de Almeida Leão











CANTANDO NA CHUVA.
Hoje amanheceu um dia lindo. meio frio, mas com um sol radiante e poucas nuvens: nenhum sinal de chuva à vista. Abro o computador e leio lá o pedido da nossa editora: o tema da nossa brincadeira: falar sobre CHUVA.
Que eu posso falar sobre chuva hoje?
Vasculho minha mente e coração.
Não me proponho a falar sobre chuva, num dia tão lindo como hoje...
A chuva tem castigado a região sul do País, castigado dezenas de cidades... Ver inundações destrutivas assim, é algo que comove e faz chorar, até pedir à Mãe Terra, para ter piedade, mas ela se mostra impiedosa em alguns lugares...cumpre o seu papel restaurador, certamente.
Escrever hoje sobre chuva...Me vem à memória, a roceira da terra, que em visita a minha casa, me disse:
- meus pais e avós me ensinaram que a chuva é BOA, que ela vem molhar as plantas, a terra, nos dar comida. Mas... quando zangada, a chuva vem e leva tudo, destrói tudo...Termos que cuidar da Natureza para que ela não nos castigue...Aprendi isto com meu ancestrais... cuido do meu terreno com carinho e amor, pois quero que a chuva sempre venha para nos beneficiar, não destruir... A chuva constrói, mas também pode levar tudo...Passei por sua casa para lhe dar bom dia, e vou correndo para casa, antes que a chuva que está armando me pegue pelo caminho...
E a roceira da terra saiu correndo de minha casa. Olhei por toda a visão que me circula, bem no fundo, as nuvens negras estão vindo rápidas...
Então, uma outra lembrança vem me salvar o dia de hoje que preciso escrever sobre chuva...
Um jovem homem cantando, cantando, Singing in the rain... toma conta da tela do cinema... cantando e dançando pela rua em que está...Um silêncio geral no cinema, demonstra o quanto a emoção dessa dança e desse canto atingiu a todos. A jovem de então teve seus olhos em chuva – lágrimas de emoção intensa... E o jovem ator – Gene Kelly emociona a todos com o convite:
... e eu estou pronto para o amor/ para o amor/ que as nuvens tempestuosas persigam todas as pessoas desse lugar.../caminhemos com a chuva.../ eu tenho um sorriso no meu rosto.../ eu descerei por essa rua/ com um feliz refrão.../ cantando...cantando na chuva...;/ para o amor...
***
Filme e música e ator ficaram um clássico na história do cinema.
E este canto para o amor se tornou um clássico no meu coração. Amo a chuva, de que jeito ela vier. Amo Mãe Terra serena ou brava.
Amo o amor à chuva.

Norália de Mello





EU RESPEITO CHUVA E VENTO

Sei o quanto a chuva é necessária para todos e até aprecio um barulho suave de chuva. Sem exageros. Já falei inúmeras vezes que detesto os exageros em tudo, por isso digo que meu sentimento maior em relação à chuva é de temor. Creio que são resquícios de trauma de infância. Sempre morei em casa, até depois de casada comprar um apartamento no qual morei sem qualquer interrupção durante trinta anos. Dos anos que morei em casa com meus pais e irmãos tenho recordações de inúmeras goteiras que nos incomodavam sobremaneira, fazendo-nos trocar móveis de lugar para fugir da água que escorria dos tetos, quando a chuva era intensa ou quando havia ventos fortes ou chuva de granizo que causavam danos nas telhas. Lembro de enchentes que me pareciam imensas causando flagelo às famílias. Hoje, isso se tornou corriqueiro, senão aqui no sul, em qualquer outra região do Brasil e também mundo afora, pois tudo é instantaneamente visto na televisão e nas redes sociais.
Certa ocasião. Meu pai que trabalhou décadas no escritório de uma serralheria culminando como gerente, antes da aposentadoria, certa vez levou para nossa casa um funcionário que tinha três filhos e cuja casa havia sido invadida pela água. Aquela atitude de meu pai me fez admirá-lo, pois eu o achava uma pessoa muito severa e sem demonstrações efusivas de afeto.
Ao longo dos anos temos vivenciado momentos de apreensão em ocasiões de chuvarada sempre pensando naqueles que residem em zonas mais vulneráveis e que
necessitam de mais ajuda, entretanto, o que se vê em minha cidade, por falta de serviços urbanos mais eficientes ou descaso dos governos e, ainda materiais de reparos sucateados é enchente em plena zona central da cidade. Uma calamidade.
Confesso que os trinta anos que permaneci no apartamento foram os mais tranquilos de minha vida. Residindo bem acima do chão, sem medo de invasão das águas, sem goteiras, umidade, pois até subir todos os degraus, os pés já deixaram o restante da umidade e sujeira fora da porta do apartamento.
Vivenciei temporais em zonas de insegurança e senti muito medo. Passávamos nossas férias em Santa Catarina, em Balneário Comburiu, algumas poucas vezes em Florianópolis, mas sempre íamos a outras cidades turísticas passear. Nestas regiões citadas as chuvas são comuns. Vem com intensidade, parece que vai desabar toda a água do mundo e em seguida passa, porém vivemos vários destes momentos na estrada, com árvores caindo e até morros desabando. Uma temeridade que me fazia chorar em virtude de viajarmos com os quatro filhos. Meu marido que tinha um espírito aventureiro dizia que eu era muito medrosa, mais precisamente, que eu fazia fiasco chorando o que só servia para assustar as crianças. O fato é que sobre estes fenômenos não temos controle.
Aprendi a ter muito respeito por tais fenômenos. Certa vez, em local seguro, em andar alto de um edifício fiquei a observar o que chamei de um belo espetáculo da natureza, um temporal carregado de raios e trovões. Foi neste momento, por estar em local seguro, e por poder apreciar de perto algo tão intenso que aprendi a ter este sentimento de respeito. Não podemos desafiar tais fenômenos. É necessário resguardo, não tomar banho de praia como muitos o fazem, não ficar em piscina, não ficar próximo a corrente de energia, abrigar-se, não ficar embaixo de árvores.
Estes fenômenos são de grande magnitude, avassaladores e atinge a qualquer pessoa, independente de classe social, etnia, religião, grau de instrução. Eles nos ensinam que somos pequenos diante da natureza. É bom salientar que a natureza sempre ensina basta
Estar atento e querer aprender.
Há criaturas que são arrogantes, de uma soberba imensurável, desprezam os que estão abaixo de si na esfera social o que é muita ignorância é só relembrarmos de fenômenos como tsunamis que atingiram inúmeros países ao mesmo tempo sem qualquer controle e furacões como o Catrina nos Estados Unidos. Em nosso país também tivemos tornados que em minutos devastaram furiosamente algumas regiões. Pessoas que tinham carros os perderam, mostrando que bens materiais se vão e que o mais importante são as pessoas, os afetos e os sentimentos que nutrimos e passamos aos que nos são caros e que nos cercam.

Isabel C S Vargas


CHUVAS

Não gosto de chuva com raios e trovões... me metem medo , temor até pavor... os raios então...tremo nas bases.
Não me lembro de tragédias vistas na infância...A primeira inundação – do rio Betim, eu curti e fui até o rio brincar nas águas...Na rua em que vivia com meus pais, era uma curtição andar pelas enxurradas que desciam nessa rua...a molecada todinha e eu também, curtíamos as enxurradas.
A chuva era benvinda até... quando no primeiro ano de Serviço Social fiz o batismo das tragédias da chuva: uma inundação enorme numa favela, derrubando casas, matando gente...Mas, nem assim, atribui à chuva esta tragédia, que para mim estava na má distribuição de terras, no desequilíbrio social...
Ao longo do exercício profissional, enfrentei várias consequências de inundações e destruição... Mas, aí, além do desiquilíbrio social, veio a consciência de como o homem é ladrão: as ajudas que os flagelados recebiam em grande quantidade, ficavam com os ajudantes da distribuição: carregavam quase tudo destinado aos pobres coitados que sofriam as perdas...Algo revoltante demais, que cheguei para minha chefe de então e disse a ela que podia me demitir, mas eu não trabalharia mais em catástrofe de inundações...E não mais trabalhei. Era demais para mim ver e participar de tal atrocidade que não tinha como conter...Além disto, o que vi ser feito por questão de moradia, foge a uma normalidade tal que penso ainda hoje, este problema de moradia nunca terá fim... podem dar ou vender casas populares, mas o aproveitamento desta questão, existirá sempre...
Hoje, vemos e temos conhecimento de grandes tragédias de chuva, por todo o planeta. Uma resposta religiosa, que me ensinou uma religião oriental, me mostra bem o que acontece: a chuva vem em escala maior, dependendo das MÁCULAS acumuladas ao seu redor... seja numa cidade ou num país...O melhor explicando: a questão de poluição numa grande cidade, é hoje comprovadamente causa de chuvas destruidoras. O Planeta Terra está exigindo mais atenção e cuidados, e a questão de uma política para melhor conservação, está nos jornais e nos documentários, mostrando os riscos em que vive toda a humanidade: um desequilíbrio na sustentabilidade planetária...As máculas estão pesando sobre nós, quer em extensão planetária, quer em extensão de cidades.
O fenômeno chuva sempre existiu, em várias épocas...Mas as máculas também, basta lembrar porque Noé foi ordenado a construir uma arca e salvar o que pudesse...Creio que se tratarmos melhor a Natureza, ainda poderemos salvar muitas coisas... A Mãe



Terra está carente de afetos e zelos, para que ela nos responda com mais suavidade... Muito da melhoria de nossas cidades e de nosso Planeta está nas mãos de uma boa política para melhor vivermos...Precisamos continuar trabalhando para uma melhor consciência e praticidade social...
Após dias de seca, amo ver a chuva chegar e o cheiro da terra levantar e vir até minha casa... Ah! O cheiro da terra molhada, me mostrando que a Natureza continuará viva...

Norália de Mello Castro.



Chove fraco

Os pingos fazem apenas um som nas telhas. Meu pensamento foi embora. A suavidade da alma transparece.  Chuva que lava a alma e que fertiliza a terra.


Flavia Pereira Lage Barbosa

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