jeudi 2 juillet 2015

Oficina Literária “Entre duas possibilidades, que caminho tomar?”.



Oficina Literária “Entre duas possibilidades, que caminho tomar?”.

 Realizada pelo Grupo do Varal do Brasil no Facebook
Organização: Ly Sabas

A estrada que não tomei

(...)
Em algum lugar, há uma distância de tempo imensa:
divergiam em um bosque duas estradas
e eu escolhi a menos viajada
e esta escolha fez toda a diferença.

Robert Frost
Trad. Carlos Drummond de Andrade


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Desde que nascemos fazemos escolhas... Escolhemos se vamos nascer ou não... Se iremos escovar os dentes, abrir os olhos, engatinhar, andar... Sempre escolhendo... Muitas vezes estas escolhas nem são percebidas por nós, a vida direciona, outros escolhem... mas as fazemos. Outras vezes, são mais conscientes, recheadas de opções que as tornam ainda mais complicadas. Escolher não é, de fato, algo tão simples. Talvez sua complexidade esteja na essência da simplicidade. Com base em nossos hábitos, valores, padrões, desejos, será que não somos nós que tornamos as escolhas pouco fáceis? Na verdade, queremos tudo e não queremos nada. A moda nos fascina e desejamos coisas e começam novas escolhas: comprar ou não comprar... qual a cor... preciso? Que profissão seguir? Casar ou ficar? Candidato a presidente? A questão é que tudo na vida é uma escolha e, até o fato de não escolhermos, ou deixarmos que alguém escolha por nós, também é uma escolha...

Escolhi casar. Entre ficar tentando respirar liberdade, escolhi casar. Escolhi o caminho que ainda não tinha nenhuma pegada. O outro caminho, embora ladeado por amoras silvestres, era sufocante, doloroso e pisoteado em poucas demonstrações de afeto. Eu assim acreditava. E fiz minha primeira escolha adulta baseada em certezas adolescentes. Não perguntei, não questionei, nem fiz nenhum reconhecimento. Apenas segui em frente, arrastando meu companheiro de caminhada, acreditando que seria muito fácil tirar qualquer pedra da estrada.

Optei por não casar... Fiz escolhas que foram muito importantes e se refletiram em toda a minha vida. Sempre fui muito autêntica e não queria ninguém me podando. A minha liberdade talvez fosse muito boba, por que não queria que controlassem meus horários... Com 25 anos tive um filho. Lutei para viver num mundo machista, onde as mulheres pioneiras que desbravavam caminhos, nem sempre eram aplaudidas. Mesmo incógnita fiz parte destas mudanças, lutando por mais liberdade e valorização para as mulheres. Conquistando direitos, e com eles aumentando os deveres. E ouvi muito: tu tens coragem... fui em frente e não me arrependo. Até sonhei com príncipes, mas só encontrei sapos... Não sou feminista, sou apenas uma mulher que escolheu ser livre...

Claro que muitas escolhas, conscientes ou não, são tolhidas quando essas infringem limites. Cito caso de adolescentes. Que estas escolhas sejam as corretas, que delas advenha à felicidade é o desejo de todos nós. Podemos voltar atrás, redefinir e tudo isso faz parte do processo individual de chegar à felicidade e/ou realizar sonhos. Minhas escolhas foram sempre bem definidas, principalmente porque tinha que ter foco e dele não me desviar para chegar ao ponto que convencionamos dizer vencer na vida ou ser alguém. Tudo isso sempre foi muito consciente. A pior de todas as escolhas é quando nos encontramos em uma situação crucial, de desespero e chegamos a pensar não ter forças para emergir. E, foi nos piores momentos de minha vida que escolhi a vida. Apesar de todas as dores reuni minhas forças, apelei para minha fé lembrei-me de outras tantas em situação semelhante e decidi que não iria sucumbir que iria carregar minha dor, mas não iria ficar paralisada e iria seguir em frente e impulsionar os que estavam ao meu redor para seguirem suas vidas também. Escolhi a vida e a esperança.

Dois caminhos, questionamentos que jamais fiz. Deixei-me levar pela intuição e no que a vida pode me proporcionar. Sempre fui ligada às artes desde pequena, jamais pensei em ser outra coisa senão artista. A escolha mais importante que tive de fazer foi sair da casa dos meus pais e me aventurar, realizar os meus sonhos. Como ondas, meus caminhos se cruzavam, se distanciavam e não consegui decidir se seria uma coisa ou outra. Sou o que sou simplesmente: escritora e aquarelista. Mas na próxima vida gostaria muito de ser um pássaro bem bonito que canta e voa bem alto no céu azul, tendo como vista as paisagens tão belas, que a natureza nos oferece.

Durante a vida fui fazendo escolhas, trocando de caminhos, mudando as direções. Claro que fui assombrada pelo "se". Muitas vezes! E se eu tivesse... se eu fizesse... Mas sempre segui adiante. Voltar nunca foi parte de meus planos. Hoje, olho para trás e tenho lembranças e saudades. Poucos arrependimentos. E quando olho para frente ainda vejo muitos caminhos abertos. Todos se chamam esperança!

Toda vez que me proponho a realizar alguma coisa vejo que há sempre dois caminhos ou mais a seguir. Escolher o mais fácil nem sempre é o mais adequado. Talvez nos leve a erros, que são mais comuns quando se tem pressa. Num caso como esse, o mais sensato é ter paciência e estudar mais o assunto. A calma nos ensina que podemos obter resultados bem mais precisos e objetivos, com relação ao que pretendemos fazer. Portanto, como dizem: a paciência é o segredo do sucesso!

Quando por aqui cheguei, só havia um caminho a trilhar, mas enquanto fui crescendo o caminho começou a se bifurcar e sempre tinha que fazer uma escolha: “— Sigo a da direita, ou a esquerda é melhor?” Mas, durante anos escolhi seguir em frente, pois me encontrava segura nesta trilha. A vida foi passando até que um dia, surgiu a minha frente uma encruzilhada, fui obrigada a escolher outra direção. Fiquei perdida, mas acabei acertando na escolha que fiz. Ao contrario de ficar me lastimando pelas perdas que o mundo havia me reservado, comecei a escrever sobre tudo que estava guardado dentro de mim desde o dia de meu nascimento.
Foi assim que depois dos sessenta anos tornei-me escritora e poeta. Não me arrependo de nada que tenha feito, mas agora quero aproveitar o pouco que me resta.

Há muito tive consciência que errei de profissão. A profissão que sempre acalentei, sonhei, desejei: ser FAZENDEIRA...E, muitas vezes rindo eu disse: não nasci filha de fazendeiro, não consegui um companheiro fazendeiro, não ganhei na lótus e nem dinheiro suficiente para comprar uma fazenda. Então, era continuar o caminho já traçado se...Se... ah! O se... quantos? Centenas. Arrependimentos? Algumas dezenas. Mas, vivendo, apenas vivendo, tirando o melhor de cada tropeço, sempre desejando mais e mais... Mas, tenho a dizer que a vida foi pródiga: me apresentou sempre dois caminhos: um para lá, outro para cá... Sempre pude escolher de alguma forma. E na velhice estou em Paz; missão cumprida.

A vida é feita de escolhas; portanto escolha ser feliz... Isso não quer dizer que não tenhas dissabores, mágoas ou dores... Mas, tudo faz parte da vida.  Saber viver... e colocar tudo em seus lugares. E dar o devido valor a cada coisa... no seu tempo..

Tudo na vida tem um motivo: o importante é sabermos distinguir o certo do duvidoso. A cada decisão que se toma na vida temos uma razão. Somos movidos pela certeza de que tudo sairá da forma como imaginamos. Sempre haverá trajetórias para escolher, estradas a percorrer e tudo isso com a finalidade de aprendermos com os erros e acertos. Viver é o maior ensinamento que nos é incumbido durante a estadia e trajetória de nossa existência. Estamos sempre aprendendo, pois ela nos mostra vários caminhos para escolher e nos ensina inclusive a ter paciência e estabilidade emocional.

Não há como fugir das escolhas, elas estão presentes nos atos do cotidiano, a todo o momento, às vezes fáceis, e muitas vezes muito difíceis. Decisões banais ou cruciais que decidirão a vida: são decisões. Sou comedida, e de modo geral costumo pensar duas vezes antes de qualquer atitude, no entanto o “se” aparece sempre: ele está presente no antes e no depois de cada ato. No entanto, considero que tenho um grande predicado - não sou de remoer as coisas, de arrepender-me de decisões, assim que, o que está feito está feito, e o “se” desaparece como apareceu, de repente.

A vida muitas vezes nos coloca em encruzilhadas as quais nem temos tempo de analisar para escolher qual direção seguir. Acontecem algumas vezes episódios catastróficos tais como: doenças, morte de entes queridos, ou acidentes inesperados. Nestes casos não temos opções a não ser seguir o fluxo dos acontecimentos.
Entretanto, existem outras bifurcações sem tragédias em que podemos parar pensar, analisar e escolher o melhor caminho a seguir. Na maioria acertamos na escolha, mas existem outras em que o caminho que escolhemos nem sempre é livre de armadilhas, buracos e pedras. Mas assim é a vida. Sempre a nos presentear com surpresas. Nem sempre são agradáveis, mas adoro viver.

Acalentando esperança, muitas vezes foi preciso desviar dos atalhos da vida, desatar os nós das intempéries, quando pensei girar ao contrário do mundo. Então, nesta amarra que teimava desnortear-me, dei um giro na vida!
Embora nem tudo se alcance, o sonhar serve para acalentar a esperança. No olhar de hoje, tende-se a abrir uma nova cortina... Desta ilusão, quiçá pousara o desejado, sempre de um novo recomeçar! Em caminhos outonais.

Sigo sozinha, porque vou em busca de me encantar, em busca de mim mesma, pois, ninguém poderá caminhar por mim, nem mesmo me fazer companhia. Os encantos são reais, são encantos da vida, que não têm falhas, como eu as tenho. Só este caminho que sigo, me ensina onde vou encontrar encantos, para poder ficar encantada de mim mesma.
Encontrar-me dentro dos encantos da vida, só depende de mim mesma. Só eu, e mais ninguém, posso me encantar e me fazer feliz. Os encantos são importantes e muito, mas, só consigo enxergá-los plenamente se me realizo como uma encantadora do saber se encantar, pelos caminhos, por onde todos os dias eu passo...

Um dia eu li: “Caminhante, não há caminho. O caminho se faz ao caminhar”. Caminhando vou no caminho e ali mais outro a se formar. Assim minhas escolhas vão se formando, meus caminhos vão se bordando, nas voltas que a vida dá. Escolhas nem sempre são fáceis. Nem sempre são conscientes. Algumas são tão frágeis e outras tão consistentes.
O novo caminho, qual será?

Porque apenas passo, optei por não dizer e segui, sem olhar para as tantas escolhas largas e fáceis que sempre se apresentam. Os caminhos. Desta vez, fui por mim e, ao chegar, já lá eu estava e me vi. Se não entende, digo que não quero mais os brados claros de uma boa discussão; ainda que educados, mas nunca amenos; ainda que verdadeiros, mas tão soberbos. Prefiro as poucas palavras, a trilha estreita, mas extensa, aquela que exercita a paciência da gente e que mostra as possibilidades sutis. Se me entende, sabe que busco reconhecer o encanto que existe entre os que adotam as delicadezas na fala, nas ideias, no olhar e nos sorrisos. Sinceros. Um processo demorado de compreender, mas quando acontece, permite juntar os gestos moderados a expressões que qualificam uma ação amiga. E depois nos deixa seguir bordando a boa vontade na mente, pedacinho por pedacinho, para tentarmos marcar o cenário da vida com uma bela possibilidade de paz. Nessa hora, o mundo não é hostil. É leve.

Bem que ela pressentia o outro lado, nela marcado de tanta expressão embutida, guardada, escondida, sem nome definido à procura de espaço pra coexistir... E já tarde, foi descobrir que a Arte era seu começo e fim pra, mal nascida, ter que desistir, pois que outro caminho já se delineara e fora assumido de corpo e alma no seu projeto de amar, constituir família, ser feliz... Sem volta. Guardou suas ideias criativas.
E gerou uma história de Amor bonita, bonita! Um casamento que valera a pena, as filhas, abarcando toda uma vida de expressão que não era aquela que deixara para trás, agora sublimada na Arte de Viver... E foram 40 anos desta escolha, canalizando emoções de alegria e dor, muitos cansaços, algumas frustrações manifestas na arte de conviver e crescer em família, investindo no afeto, na troca e na convivência amorosa no plantio sensível de cada dia, fazendo-a crer que tudo valera a pena ao perscrutar seu universo interior.
Faz pouco, vem se abrindo ao novo caminho, aquele deixado lá atrás, dando boas vindas à artista, que sendo primeiro artista da vida, se faz agora, em nova florescência, arte brotada e maturada na experiência, no aconchego do novo olhar por descobrir o aprendiz. Aquilo que for, será...

Tenho duas possibilidades: Ser feliz ou ser prático. Não dá para ser as duas coisas ao mesmo tempo, pois são, digamos, paradoxais, opostas, antônimas. Perdido entre uma e outra, vejo-me em via crucis, vicejando uma terceira via, uma outra alternativa. Não há... não há... não há.
Resumo da ópera: tatuei o Yin e o Yang no ombro e parti pra lida cotidiana, afinal, o mundo não salva, nem tem
“control C, control V”.

Nunca escolhi caminhos ou rumos verdadeiros. Disseram-me que voaria destino incerto em terras distantes.
Cigana moderna, navegante destemida, guiada pela Fé. Intuição de menina, presente da Deusa, Mãe divina.

Escolher é se aventurar, tudo na vida depende das escolhas que fazemos, sei que muitas vezes deveria ter seguindo pela direita ao invés de pela esquerda e isso teria me poupado de muito sofrimento, mas me manteria numa desconfortável ilusão. Deveríamos agradecer pelos momentos de dúvida, pois a liberdade é a maior das dádivas.
Dizer sim ou não? Boa pergunta que me faço sempre, pois tenho a tendência de responder com o coração.
Branco ou azul? Salto alto ou baixo? Longo ou curto? Decisões simples que exercitam nosso poder de escolha.
Que caminho tomar? Que rumo seguir? Que destino devemos dar a nossas vidas? Caminho com fé, confiando na coragem que nem sempre tenho, sigo os instintos torcendo para que estejam certos, me entrego a vida, esperando não errar nas escolhas. Vivo a roleta russa da existência.

Caminharam juntos e nos apresentaram suas escolhas:

Alexandra Magalhães Zeiner – Ana Rosa Santana – Carmem Di Moraes – Cida Gaiofatto ( Gaiô) – Flávia Assaife – Isabel Albuquerque – Isabel Vargas – Jacqueline Bulos Aisenman – Ly Sabas – Maria Lima Delboni Lima – Maria Nilza Campos Lepre – Marilina Baccarat de Almeida Leão – Marilu F. R. Queiroz – Neyde Bohon – Norália Castro – Paulo Pazz – Sandra Nascimento. 

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