jeudi 23 juillet 2015

EVANGELHO


EMANUEL MEDEIROS VIEIRA


Vivemos em plena cultura da aparência: o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa mais do que Deus
(Eduardo Galeano)
Missa, Missão, Missal
Luto (Perda e Resistência)
Jogo de palavras.
O tempo como obsessão, tudo é midiático, se evapora – nada perdura.
Nada?
Filosofemos sobre o Nada.
Cruzada Eucarística, Congregação Mariana, Ação Popular (AP),
tortura, processo – ir para longe.
Era outro o teu evangelho.
Que fazer com tanto cupim na memória?  Naftalina não basta;
O médico olha para uma ressonância magnética (ou tomografia?), e informa com (simulada?) indiferença:
“Há um tumor”.
Receitas, papéis, exames, uma manhã qualquer do século XXI.
Só no táxi entendes – o que fazer com tudo isso?
Será um lugar-comum – aviso: é preciso persistir: em cada canto da casa, no sótão, como travasse uma guerrilha interior. São outros demônios.
Redação escolar, um parreiral, papai discursando, presépio, peru de natal
E o menino inunda o velho – um mar agora aterrado, outra ilha, pipa, bolinha de gude.
“Evita o sentimentalismo”, exijo.
Todo mundo estava vivo.
Sim, todo mundo estava vivo.
(Salvador, julho de 2015)


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