vendredi 17 avril 2015

OFICINA: UM CONTO, MARIA E JOSÉ

Conto realizado a várias mãos no Grupo do Varal no Facebook



Para esta semana pensei em mini, micro contos. Mas todos baseados na mesma linha de enredo: Anita conheceu José. E aí? O que aconteceu? O que poderia ter acontecido? Quem são Anita e José? Onde estão? Como estão?
Máximo de linhas: dez. 
Não mudar os nomes dos personagens.
Não é para continuar o que um ou outro fazem, mas para fazer mini micro continhos independentes, ok?
Questões, dúvidas, falaremos separadamente!...

 O início

 Eram duas da tarde, a fome já tinha passado quando Anita avistou José. Sentiu de repente um outro tipo de fome. Sorriu para ele, fatal.
 Eram duas da tarde, a fome já tinha passado quando Anita avistou José. Sentiu de repente um outro tipo de fome. Sorriu para ele, fatal. Após ficarem um instante paralisados, um em frente ao outro, descobriram que estavam apaixonados. Foi amor a primeira vista, entende?! Ai, já era... Foram caminhando lado a lado, quando, de repente, Anita toma coragem e pega firme na mão de José e ele retribui a ação com um beijo forte e acalorado. Os dois não tinham noção do que estava acontecendo, era mais forte que eles. Um envolvimento incrivelmente emocionante. Quando se olharam, com falta de ar, de tanto ficarem se beijando, deram muitas risadas, sem saber para que direção seguir.
  A marquise era pequena e mal dava para proteger da chuva. De repente, Anita, toda encolhida de costas contra a parede da loja, percebe aquele vulto crescendo ao seu lado. A chuva aumentara de intensidade e a enxurrada desce pela calçada, lavando as ruas. João se recolhe sob a marquise e diz um Oi... Anita acolhe aquele Oi molhado e trêmulo. Por ela, por eles, as estrelas deixaram de cumprir seu périplo cotidiano.

 Anita conheceu José, num lindo jardim florido. Ele a convidou para um café, ela logo aceitou e botou fé, porque ele se mostrou muito querido. Ficaram apaixonados e decidiram caminhar lado a lado. Já não eram só amigos, eram namorados. Numa bela viagem a Paris, disseram um ao outro: Vou pra sempre te fazer feliz!
  
 Anita e José cresceram juntos, eram vizinhos na pequena cidade chamada Esperança. Nesta cidadezinha todos eram incentivados a acreditar num futuro melhor, num amanhã diferente do hoje.
Anita sonhava ser bailarina, dançar pelos palcos do mundo,
flutuar em sua ponta de vida levando o sorriso as faces mais duras...
José era violinista, tocava o pequeno instrumento de forma
autodidata, o violino havia sido de seu avô que também tocava.
E assim, José tocava em seu violino belas melodias nas quais
Anota bailava em sua ponta surrada, na terra batida dos sonhos numa pequena
cidade chamada Esperança...

  - Amor - fala carinhosamente Anita para José juntinho ao seu ouvido. - lembra aquela rosa vermelha que você me ofereceu quando eu estava sentada solitária e pensativa no banco da praça naquele frio inverno na serra de Martins? - ele sorrir ternamente confirmando a doce lembrança e responde. - Foi quando a vi pela primeira vez. Você estava tão terna e angelical. Uma delicada rosa enfeitando o jardim da natureza. Não resisti. Apaixonei-me perdidamente naquele instante inesquecível e disse para mim, eis a mulher da minha vida. Preciso conquistá-la. Só assim serei feliz. Peguei aquela rosa e ofertei-te. Foi o início do nosso grande amor.

  Será?
José amava Anita, que não amava ninguém... Ele se derretia
em gentilezas e escrevia melosas cartas de amor, que volta e meia eram devolvidas à sua caixa de correio. Mas não desistia. Decerto algum dia ela abriria os olhos e enxergaria que ali perto estava alguém cheio de amor para dar. Pobre José na sua ânsia de amor, não percebia os olhares lânguidos que Anita dirigia à sua irmã Marina. Será?...
 Ah!... O amor.

Ah!... O amor. Toda vez que José pensava nele chegava à exaustão sentimental. Isso acontecia sempre que ele se lembrava de Anita, o seu primeiro amor. Ela fora a moça que balançava o seu coração só de passar. Foi o arrepio na espinha, o faltar do fôlego só de ter de chegar perto dela. E agora, o que restou? Somente a doce lembrança do farfalhar da saia de Anita, cada vez que caminhava ao seu lado. A risadinha marota e o olhar... Ah! O olhar mais doce do que os docinhos da vovó Francisca.


Hoje em dia

O amor provoca sentimentos mais diversos possíveis. José sonhava com Anita e por ela nutria o mais profundo amor. Mas ela nem sequer percebia a sua existência, Sofrer por amor é uma sensação doída que atormenta e tira o sono. Ainda mais quando não se é correspondido. Por tudo isso José se resignou e tocou a sua vida de forma mais simples possível, ou seja: trabalho, casa - casa, trabalho. Foi então que ele conheceu alguém que correspondia totalmente as suas expectativas e foi correspondido. Não se passou muito tempo, Anita sentindo falta de todas aquelas atenções que José sempre lhe dispensava sentiu falta dele e resolveu recuperar o seu amor. Tarde demais. Como se diz hoje em dia: a fila anda!

  Anita conheceu José num grupo de recuperação da autoestima. Eles tentaram se entender. Ela gostava de ópera, ele de rock. Ela queria ver as estrelas, ele MMA. Ela tentou levá-lo numa exposição de quadros antigos, mas ele a arrastou para um pagode na Lapa. Ela queria assistir A CULPA É DAS ESTRELAS, mas ele a convenceu a ver SEXTA 13 parte 9.  Anita não queria desistir dele, então o chamou para tomar um chá em sua casa, ele chegou trazendo uma garrafa de aguardente. Os dois amanheceram estirados no chão da sala, de porre. Aquilo se tornou uma rotina. Até que meses depois eles passaram a frequentar os ALCOÓLICOS ANÔNIMOS.

 Anita e José estavam destinados a ficar juntos... Anita que sempre foi inquieta e sonhadora, queria algo mais do que viver e morrer numa cidadezinha isolada no sertão, lutou muito e se formou em psicologia, trabalhou dia e noite, passou privações e juntou dinheiro suficiente para realizar seu grande sonho: conhecer a Europa.José, sempre calmo, desanimado até, trabalhava numa empresa de informática e havia se esquecido de sonhar; todas as tardes ele se sentava numa praça bem no centro de Berlin com um livro nas mãos e deixava o tempo passar. O encontro dos dois já estava marcado, somente eles não sabiam...


  Anita chegou à festa sozinha, esperava encontrar amigos. O som estava muito bom, tocavam uma música lenta, e os casais na sala pareciam nem se mover. Anita olhou para os lados, por cima das cabeças e de repente avistou um par de olhos que pareciam grudados nela, tentou sorrir para quebrar o clima e nada. Sem saber como se viu entre dois braços dançando, entre duas mãos que acariciavam, uma boca que buscava a sua e dizia: - me chamo José e você? Ela respondeu: - Anita, e o som de sua voz quebrou a fantasia - estava só, nem havia saído do lugar.

 Anita rola a tela quase até o final. Quem sabe, vamos tentar... Esse tem o nariz muito grande... Hum, aqui... olhos azuis, parece interessante... um tanto vesgo, talvez... melhor não... Não gosto de testa grande, esquece... Nossa... agora sim, esse pode dar um bom caldo! Olha só que sorriso sedutor, meio moleque, beeem charmoso... Vejamos o perfil completo... José, nome tradicional, um tanto careta, combina com você não, viu tentação?! Será que está on-line... Perfeito!

Anita e José tiveram alta do Hospital Psiquiátrico. Ambos sofrem da mesma patologia: falta de amor. Anita, bipolar. José, empresário falido. Deu entrada no Hospital, depois de cometer uma tentativa de suicídio. Apaixonaram-se na terapia de desenho durante o internamento. Desenharam um para o outro. Desenharam-se um no outro. E o amor nasceu nas suas almas fragilizadas pelo Tempo. Estão agora, livres. De mãos dadas, caminham juntos em direção do Sol...


 Como de costume, Anita entrou numa livraria para comprar um livro. Ela percebeu que aqueles olhos de desejo e conquista por detrás das prateleiras novamente estavam lhe olhando. Assim que chegou em casa encontrou um bilhete dentro do livro, dizia assim: meu nome é José, passarei hoje à noite em sua casa para jantarmos juntos. Na hora que estavam jantando, Anita contou a José que entrava na livraria e comprava livros apenas para ser olhada por ele. A troca de olhares sobre a mesa da janta em poucos meses já estava no sim diante do altar.


Anita preparava um almoço em sua Pousada Parada dos lagos quando José (Zezinho) voou e se protegeu, batendo centenas de vezes por segundo suas asas, atrás de sua protetora de sempre, coisa de uns quase vinte anos seguidos. Era um "amiguinho" beija-flor que tinha medo de outro que não o deixava tomar a água colocada na varanda da pousada. Os hóspedes admiram este fato e fazem muitas fotos!!! Carlo Montanari
(Anita: leia-se Escritora Deucélia Maciel e a história é real!).


O sol escaldante do mês de dezembro era um convite a se dar um pulinho na praia, um mergulho no mar. As pessoas pareciam que disputavam um espaço na areia. Anita decidiu ir dar um mergulho, quando uma onde forte a derrubou. Ela perdeu a noção do espaço e começou a se debater. De repente, sentiu que alguém a segurava e retirava-a do mar nos braços. Foi quando ela olhou fixamente e percebeu que estava sendo conduzida por surfista. Ao colocá-la na areia, os olhos se cruzaram, ah e que olhar! Foi exatamente nessa hora, que o encanto aconteceu. A química rolou. José a convidou para tomar uma cervejinha. Conversaram, trocaram telefones. Tudo era mágico entre eles. O amor estava no ar. Era como se o encontro estivesse marcado naquele lugar. À noite, José parou o carro no portão da casa de Anita e lá estavam eles, prontos para viver um sonho.

 Anita saltou do carro e nem olhou para traz. Afinal, não era a primeira vez que Henrique fazia isso com ela. Estava já acostumada a seus desprezos, sempre que chegava fins de semana.
Apressou os passos e alcançou a portaria do prédio. Passou o final da tarde tentando distrair, mas a cabeça não conseguia deixar de pensar no ocorrido.
Henrique não se importou com a reação de Anita. Pisou no acelerador e saiu.
Era costume dele, chegar às sextas feiras, pegar Anita no curso de inglês, deixá-la em casa. No percurso, sempre arranjava um motivo qualquer para implicar e provocar uma briga. Anita, extremamente aborrecida, já vinha pensando em terminar o namoro. Isso estava se tornando rotina. Sempre às sextas feiras! Ele brigava e passava o fim de semana sem procurá-la. As ligações que ela fazia pra ele, sempre caíam na caixa de mensagem.
No domingo, cansada de estar em casa pensando na vida, resolveu ligar pra uma amiga e marcar para almoçarem em algum restaurante próximo a praia.
- Alô! Ju, tudo bem? Tem alguma coisa programada para hoje?
- Oie amiga! Você me ligando hoje? Aconteceu alguma coisa?
- Felizmente aconteceu. Estou pensando em irmos almoçar fora, que acha?
- Enfim, você abriu os olhos. Quantas vezes lhe chamei atenção sobre isso? Mas, vamos sim. Lá então conversaremos. Como vamos fazer? Tem ideia do lugar?
- Você sabe que estou sem carro. Daria pra você vir me pegar? Estive pensando naquele restaurante próximo a praia, o Sol Nascente, pode ser? Assim podíamos pegar um sol, dar um mergulho e conversar.
- Ok. Então passo aí por volta das 9.30. É só o tempo de me arrumar.
Anita estava feliz por ter tomado essa decisão, embora uma pontinha de tristeza pairasse no ar. Sentia falta de Henrique e não conseguia entender seu jeito de ser e os motivos que o faziam desaparecer nos fins de semana.
Assim, foram as duas. Ao chegarem, marcaram seus lugares no restaurante e foram tomar um pouco de sol. O dia estava lindo, completamente ensolarado. O céu estava tão azul que parecia saudar a presença tão inesperada das duas.
Foram ao mar e se banharam por algum tempo, brincando feito crianças.
Ao voltarem, ao se aproximarem do restaurante, notaram que havia um rapaz sentado à mesa. Elas se aproximaram e deram boa tarde; Afinal, já estava passando do meio dia.
O rapaz olhou as duas e respondeu cordialmente;
- Olá, boa tarde! Não precisam se assustar. Vi desde que vocês chegaram e alguma coisa me atraiu até aqui. Incomoda-se que fique com vocês? Deixe que me apresente;
- Sou José Rodrigues, engenheiro químico. E estendeu a mão.
- José, muito prazer! Disse Anita sorrindo.
- Muito prazer disse Ju, observando os olhares encantados de um, e do outro.
Naquele momento, Anita nem lembrava mais de Henrique. Estava tão encantada com José, com sua alegria, sua conversa. Notava-se que era uma pessoa de boa índole, bom caráter e inteligência.
O tempo passou e nenhum dos três se deu conta. Apenas notaram que devagarzinho o dia, cedia lugar à noite. O sol se deitava lindamente por detrás do mar. Uma paisagem fantástica, casando perfeitamente com tudo de maravilhoso que vinha acontecendo.
- Nossa! Ju, nem percebemos o tempo!...
- Eu até percebi, mas deixei que ele passasse. Afinal o papo entre vocês estava tão bom, que não tive coragem de interromper.
- Então temos que ir José. Foi muito bom conhecer você!
- Eu também gostei muito! Podemos dar uma saidinha logo mais? Poderemos pegar um cineminha, ou simplesmente, ir comer uma pizza.
Claro que sim. Anote meu telefone: 77 33337766
- Que tal umas 20 h? Está bom pra vocês?
- Oh! Eu não poderei ir. Tenho uma prova amanhã e ainda não estudei. Vai com ele você Anita.
- Ok então estamos combinados. Quando me ligar explico como chegar lá em casa.
Assim elas saíram radiantes. Anita super feliz porque sentiu que houve empatia entre eles. Ju, feliz porque só assim a amiga ia conseguir se afastar daquela relação sofrida, que vinha tendo com Henrique.

 .



Organização: Isabel Vargas

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