lundi 13 avril 2015

Digressão abissal


Para Negra Valquíria

Vou deixar o tempo correr...
Quero vê-lo voar lentamente...
Pelas pradarias estéreis
Pelo campo desértico sem vida!
Na charneca em flor.
***
Quero vê-lo evanescer!
Entre os meus frágeis dedos...   
E naufragar no oceano infindo...
Da solidão eterna!
***
Nessa hora extrema...
Vou divagar sobre nós dois!
  Quero divisar ao longe!
Na equidistância mais que perfeita...
De um olhar vago e disperso.
***
E na digressão abissal
Vou rever...
 O meu mundo mágico de sonhos!
E a tua presença absoluta e diáfana nele...
***
Quero isolar-me no vazio
Para lembrar o eflúvio sutil... 
Do inebriante olor que exala...
Do teu corpo incorpóreo...  
***
Quero isolar-me no deserto infinito...
 Dentro de mim!
Um tempo apenas e mais nada.
Para recompor a realidade.
Em que vivo!
Em que penso viver!
Decompor o campo ermo...
Dentro de mim
***
Preciso bem mais que a eternidade.
Para refletir
A tua presença vaporosa!
Na minha vida áspera e despropositada!
Nos dias nevoentos de solidão...
Embalados pelo vento frio outonal
***
Isolar-me de tudo
E de todos...
 Para decompor o meu sonhar etéreo
Meus sonhos impossíveis!
Com o teu ser abstrato...
A tua presença inebriante, difusa e trágica...
No meu estro!
Samuel da Costa



ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...