vendredi 6 mars 2015

Oficina literária “Bandeira branca”

Grupo Varal do Brasil no Facebook

Proposta de criação: a partir da letra da marchinha “Bandeira branca”, composição de Max Nunes e Laércio Alves, eternizada na voz de Dalva de Oliveira, desenvolver minicontos com o máximo de cinco linhas.
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Bandeira branca
Bandeira branca, amor
Não posso mais
Pela saudade
Que me invade
Eu peço paz (Bis)
Saudade mal de amor, de amor
Saudade dor que dói demais
Vem meu amor
Bandeira branca
Eu peço paz!

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E o carnaval chegou!... O povo combate suas mágoas cantando marchinhas antigas. Acenam a bandeira branca com vigor na esperança de um mundo melhor. No luxo destes poucos dias de folia procura lenitivo para suas dores. No compasso das marchas, frevos e sambas, sacoleja o corpo em busca de paz, e de alegria. Embalado pelas belas melodias e lindas fantasias não percebe que o país inteiro parou. Quando a festa terminar, o povo estará mais pobre mais sofrido e humilhado. Somente por alguns dias nos transformamos em reis, rainhas, sultão, magnatas e até piratas. Entretanto no final desta festa pagã, vestiremos realmente a fantasia de palhaço, pois isso é o que sempre nos coube.

Enquanto isso ...

A música soava forte! Os sorrisos e abraços enlaçavam a fantasia já cansada de seu desfilar por entre o sonho e a realidade. O coração batia ligeiro e os pés cansados só queriam um descarrego... O êxtase veio com a fina chuva que lavava a alma, refrescava o corpo e convidava a relaxar... Por alguns segundos a fantasia se tornou real e a paz invadiu o mar de gente que desfilava naquele carnaval...

E, nos braços do tempo, que passa rápido, lá está ela, novamente, pronta para dançar. Um renascer de emoções. Era leve, solta, cabelo em nó, sorrindo, com os pés a bailar bem rápidos pelo salão, como se flores houvesse espalhadas pelo chão. Foi quando olhou para seu amor, ele com a cara fechada. Gritou para ele: Bandeira branca amor, quero dançar!
E chegou o amor com as serpentinas e paetês. O sol e o som da alegria envoltos na bandeira branca da paz esconderam o segredo da paixão de dois olhos em fogo derramando-se sobre o corpo da bailarina carnavalesca sequiosa de afagos. Por testemunha, apenas o Farol da Barra e a multidão pressentiram o adeus da saudade.
Ela se achegou de mansinho e aos poucos foi tomando conta do meu ser de uma forma tão intensa, que parecia querer explodi-lo com o som cadenciado da percussão. Era carnaval!!! Meu corpo estremecia a cada batida do samba enredo. Saudade do amor do passado me fez pedir trégua, o melhor era esquecer e me divertir. Eu quero é Paz!
No último degrau, a deslumbrante Colombina prende a respiração. Todos os que estão no mezanino também. Aos primeiros acordes da marchinha já se preparavam. “Bandeira branca, amor, não posso mais”, gritam os foliões. A pista fervilha loucamente, porém lá no alto, a plateia é só dela. E não se faz de rogada. Flutuando em nuvens de lança-perfume, cerca e prende em seus braços o Pirata embriagado, arrancando de suas mãos o ridículo lenço branco.
Era carnaval quando ele foi atrás da Colombina e eu fiquei na multidão embriagada pelo frenesi da ocasião. Presa em pensamentos não percebi que na esquecida solidão, eu pedia paz. Ouvia o som da avenida que me arrebentava o coração e tocava dentro dele, onde o sangue bombeava sentimentos mais profundos e gritava PAZ ... PAZ... PAZ!
Dor de amor? Dor de cotovelo? Nenhuma das duas. Somente a dor da infecção do trigêmeo, com o rosto desfigurado, dizem ser a maior de todas as dores. Não. A dor do amor não expandido, traído, aquela dor da alma é maior que todas as dores. Quando passará esta dor nevrálgica da alma esfacelada? Há que se cortar na dança dos ritmos...
Sei que lutei contra o que sentia. Sempre macho, sempre no controle, mas seu jeito meigo me pegou. Não posso mais viver longe do seu sorriso, da sua voz, da paixão arrebatadora que emana do seu ser. O baile está triste com você longe de mim. Levanto minha bandeira, que já foi branca e agora está amarelada pelas lágrimas de saudade. “Não posso mais” - vou gritar bem alto, mais alto que as marchinhas que estão tocando - “Volta pra mim, meu amor”!
Ela, no camarote. De repente, olhares vindos do grupo que passa... Ela se assusta. Ele sorri lá de baixo. Um inesperado reencontro de almas que se machucaram. Ela agita a bandeira branca para ele, e ele faz uma reverência. Os dois ficaram ali mesmo, parados no tempo: sorrindo e rindo. O amor rebrota. Num encontro ligeiro, na avenida do samba, voltou a Paz.
Fim de festa - Era quarta-feira de cinzas, as cinzas do fogo carnavalesco começavam a se espalhar pelo dia radiante de sol. Ela, ainda cansada da festa dos últimos dias, avistava a volta para casa. Com uma bandeira branca na mão.
Finalmente pudera ir embora. “Nada mal para um Carnaval”, disse baixinho. Estava só, mas tinha a si. Agora, vislumbrava a caminhada e seguia livre. Leve o coração. Bons pensamentos. Céu e mar inspiravam o sonho e os passos calmos desfaziam a harmonia de pequenas ondas. Soltou os cabelos. O vento fresco agitou o lenço branco em suas mãos. Sorriu para a cena. Merecia a paz, bem sabia. E então, alguém passou fugaz e sorriu também.

Vias, vielas, becos sem saída
Anseios, alma em labirintos.
Quarta feira de cinzas.
Pierrô entre serpentinas
Bandeira branca,
Eu quero paz!

Um vento úmido e suave chegou com um perfume inebriante. A noite se moveu após dias de seca e muito calor. Meu corpo estremeceu, acolhendo este perfume e a lembrança voou quando ele, sem rosas para me dar, me ofereceu um buquê daquela pequena flor branca e a felicidade estava em nós. O prazer do novo perfume se mesclou com a ausência que se torna presente, diante deste inesperado na noite de hoje. Pego um buquê da mirta florida que está no meu jardim. Sinto paz.



Levantaram suas bandeiras de paz:  Maria Nilza Campos Lepre; Flávia Assaife; Marilina Baccarat de Almeida Leão; Jania Souza; Marilu R. F. Queiroz; Ly Sabas; Norália Castro; Ana Rosa Santana; Jacqueline Bulos Aisenman; Sandra Nascimento; Neyde Bohon

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