mardi 10 février 2015

BERLIM 6

 Rui Martins

Surpresa em Berlim o polar alemão

Os críticos alemães estão eufóricos: nunca tinham visto (contaram na coletiva do filme Vitória, do alemão Sebastian Schipper), um bom filme de autor, dentro do gênero definido como polar, de autor alemão e na linguagem corrente de hoje da juventude alemã. O filme aplaudido pela crítica representa uma ruptura no gênero e será, sem dúvida, sucesso garantido entre a juventude, inclusive brasileira se for levado ao Brasil.

Fora isso, o filme de 2h40 de duração, tem também uma originalidade - foi feito no que se chama on take, ou única tomada de cenas, sem necessidade posterior de filmagem. Ou seja, ao terminar a filmagem, o filme estava pronto, contou com compreensivo orgulho o realizador Schipper, provocando uma reação de aplausos.

O cenário começa com a jovem Vitória (Laia Costa), espanhola há três meses em Berlim, vivendo um mau encontro, na má hora e tomando a má decisão, ao sair de uma discoteca, quando encontra quatro jovens alemães e decide prolongar com eles a noite. Um tanto alcoolizados e Vitória igualmente, vivem um momento de alegria comum entre jovens, mas a espanhola desconhece que os alemães têm uma missão a cumprir, logo de manhã ao nascer do dia: assaltar um banco.

Enrolada pelos alegres e recentes amigos, ela aceita dirigir o carro, sem saber ser roubado, a ser utilizado no assalto. E talvez impressionada pela adrenalina criada com a visão de revólveres e pela tensão precedendo o assalto, acaba se envolvendo.

Terminado o assalto, os quatro poderiam ter ido logo a um esconderijo, porém inconsequentes e saboreando a alegria de terem consigo 50 mil euros, decidiram ir comemorar numa discoteca, enquanto a polícia localizava o carro roubado e utilizado no assalto, próximo da discoteca. Ao saírem da discoteca, logo se defrontam com uma tropa de choque de policiais, travando-se tiroteios e o jovem chefe do grupo é morto. Vitória, pianista virtuose, alegre, comunicativa, falante e um tanto ingênua, se vê obrigada a correr no meio da troca de tiros e mesmo de tomar um bebê como refém para fugir do prédio onde se escondera.

Já houve filmes célebres envolvendo jovens mulheres envolvidas em assaltos por amor, como A bout de soufle de Godard, ou Bonnie e Clyde, de Arthur Penn, baseado numa dupla real. Porém, talvez a originalidade de Vitória esteja por ser uma jovem envolvida por um grupo de pequenos delinquentes e por ter sido feito em one take.

Schipper conta não ter pensado inicialmente em fazer um filme de autor. Sua intenção era a de criar um outro tipo de suspense - "uma coisa é de levar os espectadores, pela personagem de Vitória, a participarem do assalto, criando o fator transpiração e adrenalina. Isso também precisava ser assegurado com uma câmera móvel de ombro e leve que, com tecnologia moderna, pode filmar até três horas, e o filme chegou perto, faltavam apenas 20 minutos"

O roteiro escrito do filme tem 12 páginas e serviu de base nos ensaios, porém, segundo Schipper, a maior parte dos diálogos entre os atores foram improvisados. "Os atores ensaiaram e repetiram diversas vezes as cenas, até ficarem no ponto, pois sabiam que deveriam interpretar da maneira mais natural possível e sem direito a novas tomadas, no dia da filmagem real".


A capacidade de improvisação da atriz Laia Costa garantiu o sucesso do filme, que gira em torno dela. "O mundo é duro e difícil, poucos jovens conseguem se impor e realizar seus projetos, a grande maioria fica de fora e é normal alguns tentarem compensar as frustrações transgredindo as regras e se envolvendo em delitos. 

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