jeudi 15 janvier 2015

O BALLET DE CUBA E ALICIA ALONSO



Autoria: Adair Dittrich

Chegar em Havana numa quente e ensolarada tarde de verão e deslizar suavemente por imensa avenida arborizada que se estende desde o aeroporto até que se vislumbre o deslumbrante mar de infinitas cores era um sonho sonhado desde a minha adolescência aventureira.
Um mundo de cores ali, agora, ao meu alcance, o mesmo mundo que encantou espanhóis e outros povos depois que da ilha de Cuba não queriam mais sair.
E lá estava eu, boquiaberta ainda e esquecida da estafa pela longa jornada desde a minha casa até o local de frente ao mar onde ficamos.
Não se pode dizer ter conhecido Havana em tão curto espaço de tempo. Mas foi uma entrega total desde as primeiras horas para tudo observar, tudo ver, tudo ouvir e tudo sentir.
E, no meu mais recôndito eu havia algo a mais, um ponto máximo, um ponto clássico, um espetáculo que não poderia deixar de ser visto: uma apresentação do Ballet Nacional de Cuba. O magnífico Ballet de Cuba, mostrado, divulgado e que ficou no mundo conhecido através da arte inigualável da legendária bailarina cubana Alicia Alonso.
Ainda estou em êxtase quando lembro que tive a grande chance de ter podido ver a grande dama do balé mundial sendo aplaudida em pé e ovacionada ao aparecer em seu camarote sorrindo do alto de seus noventa e dois anos.
Alicia Alonso é a diretora geral do Ballet Nacional de Cuba e diariamente ela lá está dando lições, desenvolvendo coreografias, instruindo bailarinos.
Cega desde os setenta anos de idade não se entregou a essa deficiência e presente está em cada momento, em cada ensaio, percebendo com sua sensibilidade artística qualquer passo em falso, qualquer deslize, qualquer erro, apenas pelo som dos pés dos bailarinos nos palcos e nos tablados.
 A apresentação que assistimos foi “Gala Amistad Cuba-China”, uma função especial do Ballet Nacional de Cuba com os primeiros bailarinos do Ballet Nacional da China.
E os bailarinos no palco eram como aves e como nuvens no espaço dançando ao som de selecionados excertos de célebres peças do Balé Clássico como Cenas de Giselle, Pax-de-deux de Esmeralda, Duo de amor de Espártaco e de O Corsário. E não poderia faltar o clássico Dom Quixote para encerrar o espetáculo de gala.
E, ao final, ela, a legendária vem à boca de cena, ladeada pelos bailarinos, para o coreográfico agradecimento. Uma das cenas mais emocionantes foi ver Alicia Alonso fazer aquele gesto no palco, quase genuflexa frente ao público que não cessava de ovacioná-la em pé!
Impressão de que o Teatro Nacional de Cuba quase viria abaixo com a torrente de aplausos, que duraram mais de dez minutos, enquanto lágrimas de emoção lavavam meu rosto e saí de lá em silêncio, gratificada por ter visto e aplaudido a magnífica bailarina e coreógrafa Alicia Alonso.

                                   Dezembro de 2014.
                       


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