mardi 9 décembre 2014

Dezembro


Crônica da Urda

O DIA DE SÃO NICOLAU



                        (Sete anos atrás – 2007 – no seu dia, São Nicolau me trouxe nada mais nada menos que o meu cachorrinho Atahualpa, que naquela altura pesava tanto quanto um bife! Grande São Nicolau! Obrigada!)

Comemora-se São Nicolau no dia 6 de Dezembro e há muita coisa a ser dita sobre esse dia.
Para a Igreja Católica, São Nicolau foi um bispo polonês que viveu há muitos séculos. Era um homem justo e generoso, e gostava de fazer caridade incógnito, deixando saquinhos com moedas de ouro durante a noite, nos umbrais das janelas dos necessitados. Foi isto que li a respeito do santo, numa “Série Sagrada”, quando era criança. Só que, quando li isso, São Nicolau já era uma entidade muito forte para mim, e até fiquei um pouco decepcionada por saber que ele tinha vivido a vida sem graça de um bispo, quando poderia tê-la vivido na alegre companhia de Papai Noel.
Bem, de qualquer forma, ele foi uma pessoa muito forte, pois virou tradição e se perpetuou na memória de todas as crianças alemãs ou descendentes de alemães. E, na noite de 6 de dezembro, tantos séculos depois, São Nicolau continua visitando esses crianças e, incógnito, continua deixando suas dádivas, não mais moedas de ouro, mas balas, chocolates e castanhas, e é sobre a magia da noite de 6 de Dezembro que eu quero falar.
A memória me traz a noite de São Nicolau de quando eu tinha três anos, a primeira de que recordo. Meus pais nos orientaram, a mim e à minha irmã Mariana, a enfeitarmos nossos sapatos com as flores do jardim, e os colocamos na janela da sala de nossa casa pequena e aconchegante. Um grande mistério passou a envolver tudo depois daquele ato solene, e tínhamos o coração disparado enquanto jantávamos ouvindo o “Repórter Esso”, pois era noite de milagres, a primeira noite de milagres para mim. E, de repente, meu Deus, o susto! Grandes batidas nas paredes da nossa casa de madeira silenciaram as cigarras que cantavam, e puseram em disparada meu coração virgem de emoções fortes.
- São Nicolau ! – confirmou meu pai, fazendo-se tão assustado quanto nós, e nos agarramos a ele, chorando de medo, mas não por muito tempo. Um matraquear no chão de madeira da sala transformou o medo em pavor, e meu pai e minha mãe tiveram que nos acalmar para que fôssemos ver o que havia acontecido. E, milagre! – encontramos o chão da sala forrado de balas lindas e desconhecidas que algum vizinho ali jogara, e o medo e o susto passaram enquanto juntávamos aquelas balas maravilhosas vindas diretamente do além. Lembro-me, nos dias seguintes, de como ficava admirando aquelas balas chiques, envoltas em papéis lindos e coloridos, bem diferentes das triviais balas de coco-queimados que comprávamos na venda do vizinho seu Eugênio. Inesquecível primeira noite de São Nicolau, quantas outras vivi!.
São Nicolau foi-se adaptando às necessidades das nossas vidas. Quando aprendemos a escrever, deixávamos nossas cartas ao Papai Noel dentro dos sapatos, na janela, na sua noite. Ele além de levar as cartas, ainda enchia os sapatos de guloseimas, e fiz isso até ser uma adolescente bem grandona.
Outras adaptações foram sendo necessárias. Por exemplo, quando meu sobrinho Mteka era pequeno, morava em apartamento, e não entendia como São Nicolau poderia chegar até à sua janela. Lembro dos seus grandes olhos claros enquanto perguntava:
- Mas ele é mágico? Ele pode vir voando até aqui?
Claro que ele é mágico; São Nicolau tudo pode.
Nossa última criança foi minha sobrinha Laura, e muito festejamos o São Nicolau com ela. Comemorávamos em grande estilo, com jantar e amigos que tinham outras crianças, e São Nicolau comparecia sem falta, a bater nas portas, a jogar balas e chocolates no meio da sala, a deixar as crianças aterrorizadas e encantadas. Querido São Nicolau!
Observei, porém, ao longo da vida, que São Nicolau só existe, na nossa região, para as crianças que descendem de alemães. Em lugares como Lages/SC, por exemplo, São Nicolau não existe. Amigos que tenho em Itapiranga/SC, lá no fim do estado, cidadezinha de colonização alemã, garantem-me que lá São Nicolau é festejado igualzinho como o é em Blumenau, o que nos leva, de novo, às raízes alemães. É uma pena que todas as crianças não tenham São Nicolau! É um santo mágico, encantado, e que pode tudo. Fica a sugestão para as outras etnias: por que não dar São Nicolau para todas as crianças?


Blumenau, 27 de Novembro de 1995


Urda Alice Klueger

Convite



A MANJEDOURA CULTURAL

               


    A história de um Menino Divino que nasceu em uma manjedoura, há mais de dois mil anos, me faz pensar que aquele  berço  improvisado  era  uma verdadeira nave cultural, capaz de levar mentes  e  corações  a  alçarem
voos  pelos  caminhos  da  sabedoria,  equilibrando  amor  fraternal   e
conhecimento, numa proporção  de  medida  certa,  onde  a  racionalidade Espiritualizada dá o ponto de liga.
    Jesus com suas figuras de  criança,  jovem  e  adulto  representa  o alimento cultural que precisamos para compreender o real significado  da Vida  Cristã  na  Terra.  Imaginá-lo  sem  ser  uma  Fonte  Luminosa  de esclarecimentos ou aceitá-lo apenas como instrumento de comunhão, amor e Salvação, poderá nos deixar incultos diante dos  portais  da  Escola  da Eternidade, que necessita do nosso histórico Espiritual edificante, para nos matricular nas melhores turmas da evolução.
    Amor sem cultura é  sentimento  sem  fervura,  cultura  sem  amor  é patrimônio sem valor, por isso, quando penso na Manjedoura Cultural  que recebeu o Senhor dos Sábios, compreendo claramente que as  palavras,  os cenários, os gestos, os sons e todos os outros elementos que permeiam as artes, esperam de nós, artistas humanos  imperfeitos,  as  manifestações criadoras que produzam a Paz, a solidariedade, o respeito, a Justiça e o amor puro que estão contidos na essencialidade de Deus.
    Que  pena  que  muitos  cérebros  estimulados  por   graduações    e
pós-graduações não utilizem as sinapses para o elucidamento cultural  de suas mentes, tendo como base teórica e prática os ensinamentos de Jesus, que da manjedoura à Cruz, nos deu a maior Universidade preparatória para a Vida Eterna.
    Olhemos ou toquemos, portanto, aquela manjedoura  de  Belém  como  o nosso mais rico berço cultural, capaz  de  desligar  a  nossa  alma  das tradições, das lendas, das  letras,  das  cenas,  das  sonoridades,  das cores, dos sabores e de todas as outras contextualidades da cultura  sem raízes com o Evangelho de Jesus.

Feliz e Culto Natal para todos.

Paulo Roberto Cândido
Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza-AMLEF Cadeira 29
Patrono: Antônio Sales

Academia de Letras e Artes da Sociedade de Assistência aos Cegos-ALASAC Cadeira 01

Patrono: Esmeraldino de Vasconcelos

Lar, Doce Barata

Informações do livro e da autora
Título do livro: Lar, Doce Barata
Autora: Ana Peres Batista
Ilustradora: Andréia Peres

Contato: anarindoalto@gmail.com / 47 3323-8055 e 47 8436-3781

Redes Sociais: facebook.com/lardocebarata e anarindoalto.tumblr.com


A autora


Ana Carolina Peres Batista (1990) nasceu e reside em Blumenau, SC. Além de escritora, é atriz. Escreve sob o pseudônimo Rindo Alto, a Balonista de palavras. Ana gosta das palavras que transportam as pessoas para o espaço da imaginação. Em 2014 lançou seu primeiro livro infantil “Lar, doce barata” através do Fundo Municipal de Apoio a Cultura de Blumenau. Participa do projeto Pão e Poesia da Fundação Cultural de Blumenau/SC. Teve o conto “Volte amanhã” publicado na antologia “Madre Alzira” pelo Concurso de Contos do SESC Amazonas. Ganhou menção honrosa no II Concurso Poesia Urbana promovido pela UNIFEBE com a poesia “Com certeza”. Publicou a poesia “Mendigo de Tal” e o conto “O anúncio” na Revista Literária Samizdat e Revista Literária Desenredos respectivamente.


O Livro
Todo adulto foi pequeno. Toda criança vai ser grande. Mas uma vez, todo mundo tem o tamanho da Aninha. Tamanho de tampinha, risonha e gulosa. A pequena gosta de se aventurar na cozinha. Vira tudo estripulia! “Tem uma barata andando por aí, Aninha. Uma barata órfã, que ama açúcar.” Açúcar de cristal é bonito que nem a Lua! Criança que tem medo de barata acha que não se distrai. Mas onde tem um lar feliz, tem uma doce baratinha dançando.
Categoria: Literatura Infantil
Faixa Etária: Leitura compartilhada a partir de 3 anos / Leitura individual a partir de 6/7 anos

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