vendredi 17 octobre 2014

Crônica da Urda


                     GENTILEZA BAIANA    

(Texto escrito no passado, em momento que acontecia no sul do Brasil um movimento separatista, e que creio que é extremamente atual diante dos ataques que se está a fazer ao povo nordestino.)

Maio de 1988, e desembarquei a primeira vez em Salvador/BA, às vésperas do centenário da Abolição. Ia para o que imaginava que seria a maior festa comemorativa do evento, já que lá existia a maior concentração de população negra do país, e ia atrás dos personagens e histórias de Jorge Amado, que lia com paixão desde os doze anos de idade. Para resumir, Salvador foi a única cidade brasileira que não comemorou o centenário da Abolição - fez foi protestos e mais protestos sobre a abolição que ainda não chegou - e descobri que a Bahia era igualzinha aos livros de Jorge Amado.
Mas aprendi lições inesquecíveis naquela viagem. Ainda não amaciada pela suavidade baiana, dura filha de um Sul consumista e carente de boas relações humanas, quase morro de medo de ser assaltada ao me deparar, pela primeira vez, com a gentileza baiana. Vou contar:
Fazia uns dois ou três dias que estava em Salvador, e tomei um ônibus para ir a algum lugar. Não sabia onde deveria desembarcar, e pedi informação para o moço que se sentava ao meu lado. Solícito, ele me disse:
- Ah! Lugar tal? Vou até lá com você!
E agora? Se o rapaz saltasse do ônibus comigo, eu tinha a certeza de que iria me assaltar. Apressei-me a dispensá-lo:
-         Não, não precisa! Você só me diz onde devo desembarcar!   
-         Ora, eu vou com você!
-         Não, não precisa!
Entre o "eu vou junto" e o "não precisa", gastamos minutos inteiros, e eu estava cada vez mais apavorada, pois tinha a certeza que só um assaltante poderia ter aquele comportamento de querer seguir a turista loira para fazer seu serviço com calma, fora do recinto do ônibus.
Chegou o tal ponto, e descemos. Havia uns dois quarteirões para andar, e eu nem ouvia o que o rapaz falava, de tão tensa que estava, esperando o momento do assalto. Só que chegamos aonde eu ia, e o moço baiano me deixou na porta, despedindo-se com gentileza, sem sequer uma cantada, sem sequer querer trocar endereços, sem nenhuma cobrança, e então imaginei que ele me trouxera até ali porque morava por perto. Indaguei a respeito. Não, ele não morava por ali. Ia, agora, voltar à avenida principal, e pegar outro ônibus para ir até seu destino.
O meu queixo tinha caído totalmente enquanto observava-o afastar-se. Para a minha dura sensibilidade do duro Sul, aquela gratuita, espontânea e doce gentileza que, depois descobri, é inata no povo baiano, estava além da minha compreensão. Acho que a expressão certa para dizer o que senti é que fiquei besta de espanto. Talvez essa tenha sido uma das principais lições aprendidas naquela viagem, a de que não é necessário conhecer-se uma pessoa, para se ser gentil com ela. E põe gentileza nisso!
Agora pergunto aos leitores : algum de vocês, filhos do duro Sul, faria com um desconhecido o que aquele anônimo rapaz baiano fez comigo? Não faria, claro! Duvido com todas as letras que alguém aqui do Sul se daria ao trabalho de saltar de um ônibus, desviar-se do seu caminho, para depois voltar e pegar outro ônibus, só para ser gentil com um turista, sem nenhuma cobrança, sem nenhuma segunda intenção. Se houver alguém capaz de tal despreendida gentileza, que se manifeste - eu acho que tal pessoa não existe, que é como procurar um justo em Sodoma e Gomorra - por mais que fosse procurado, não havia nenhum.
Temos muito, mas muito a aprender com o povo baiano. Diante deles, somos tapados, duros, mal-educados e incultos. E o pior é que nos achamos o máximo. Parecemos ter o rei na barriga, a ponto de falarmos mal de um Nordeste que não conhecemos, de pormos a culpa dos nossos problemas em um Nordeste que nem imaginamos como é, a ponto de querermos fazer um país separado, para nos livrarmos dos nordestinos. Belo país teríamos! Seria uma porqueira de país, tapado, duro e inculto. A minha esperança é que, algum dia o sulista será um povo verdadeiramente culto, e então poderá olhar para trás e se envergonhar dessas bobagens separatistas de agora.

                                 Blumenau, 19 de Setembro de 1997.

                                 Urda Alice Klueger

Sem Cartas Na Manga

Por Luiz Manoel
Belém/PA

Deitei minhas cartas na mesa
Meus trunfos, meus anseios
Meus passos e meus receios
Tudo de mim que te importa
Aonde vou, onde adentro,
Cada porta
Cada rua
Qual esquina eu paro
Nada escondo debaixo dos panos
Tudo escancaro,
De ti ao contrário não sei
Se usas de truques ou enganos
Sei apenas de teu corpo
Do teu rosto
Do brilho dos teus olhos
Do roçar dos teus cabelos
Do cheiro da tua pele
Do sabor da tua boca
Reconheço tua voz
Teu sorriso e teus modos
Mas, não me avisas aonde vais
Desconheço além do mais
A outra parte de tua vida
Se existe além de mim
Quem te jure amor sem fim
Tu me queres satisfeito
Ao te ver dia incerto
Ou se te convém agora
Num encontro sem demora
Não cabe minha paixão
Do meu amor
Nem imaginas a extensão
Nem que vivo a pensar
Que cedo ou tarde
Esse jogo vai mudar




CONVITE CERIMÔNIA JUCA PATO


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