mardi 7 octobre 2014

UMA CONVERSA COMIGO MESMO (A).

Oficina literária criativa realizada pelos membros do Grupo do Varal do Brasil no Facebook.
Organizada por Marilu F. Queiróz.

Isabel Albuquerque

Olho para algum lugar longe de mim e enxergo qualquer coisa mais profunda. Enquanto meus olhos vagueiam por lugar algum, reencontro paisagens antigas aqui tão dentro. Revejo meus conceitos que estão espalhados pelos jardins da alma. Me conecto com a essência da criação que existe no fundo do meu ser. Reconheço as emoções que se apresentam. E eu, cá com meus botões, me agradeço por me permitir um tempo comigo mesma.



Leonia Oliveira

Sou um vendedor de sonhos
Em algum país distante,
Abro a caixa de sonhos e sonho.
Ofereço diamantes
Ao meu primeiro cliente
Ou uma flor, ou um abridor
De lata de sonhos
Para algum vendedor novato
Para um outro fugidio vendedor ambulante.



Lúcia Laborda

...Um toque Divino

Há na natureza um toque Divino
do Pai de todas as criações!...
existe tanto de Deus na natureza,
um toque de amor em toda beleza
que contagia os corações.
E nessa conversa comigo mesma,
não pude deixar de pensar,
que em meio a tanta grandeza,
a pequenez dos homens na terra
ainda conseguem pensar em guerra.



Maria Lima Delboni Lima

Um olhar para mim


Um olhar para mim, ou um olhar em mim: não sei se de fora ou de dentro, se me contemplo e me vejo, ou, se sinto e me vejo. Seja qual for o ponto de vista da mirada, ela está lá e o que vejo me lembra Clarisse Lispector quando se olha em um espelho: onde foi, em que ponto eu me perdi?

Da menina alegre, das brincadeiras da infância, das inconsequências dos atos juvenis e mais forte – da crença no poder do fazer acontecer.

Onde está esta força? Onde estão minhas certezas? A confiança no outro tem se mostrado capenga, os fatos precisam ser torneados, revestidos com roupagem de Poliana para trazerem alegrias. É a realidade da vida adulta, o preço de ter de crescer? Será realmente necessário? O que sinto é que não é possível sentir de novo os sabores ingênuos que perdi – perdi.



Maria Lima Delboni Lima

Encontrando Caminhos



Sempre acreditei que os caminhos devem ser buscados, no entanto, verifico que os caminhos às vezes nos buscam. Parecem estar por aí a espera de uma mirada, de um toque, para que eles se abram, se aproximem e nos prendam – e a gente se envereda por eles.

O grupo varal me saltou aos olhos em minha folha no Face, me prendeu, e, nem olhei para outra possibilidade, ou para outros grupos; busquei uma integrante adicionei e pronto, aí estava o meu caminho.

Agora é caminhar. Não sei bem o que esperar do grupo, nem mesmo sei das expectativas dos participantes com relação aos demais, mas me pareceu interessante a primeira proposta, e aqui estou a falar de como os caminhos nos pegam. Participo de um grupo de leitura, que também começou assim como quem não quer nada, e tem caminhado, às vezes a passos largos, outros de tartaruga, mas está a caminhar. Pode-se dizer que são caminhos paralelos à minha profissão: leitura sempre foi um hobby, mas daí a crítica ou escritora vai uma grande distancia. O codificar e decodificar são procedimentos usuais da leitura, processo automático, mas que vai se enriquecendo e se tornado uma arte à medida que se avança em este caminho. Não está aí descobrir o que pensa o autor e sim o que se pensa e é interpretado ao ler o que o autor escreveu,e isto depende de vivência de conhecimentos prévios, da capacidade de aceitação, de abertura para o novo e muito do humor do momento – são os caminhos.

Estou certa, no entanto, que estes caminhos se cruzam e me levam a algum lugar, não determinado, que vai aparecendo ao longo da caminhada e com certeza modificam minha vida e meu pensamento. Naturalmente é preciso mais do que uma mente aberta, uma vontade de crescimento, talvez o desejo de mudança – crescimento é isto: mudança. Não importa que tipo de mudança, o que importa é mudar, deixar se levar pelos caminhos sem questionar – deixar que os caminhos te levem





Marilu R F Queiroz

Penso que o ser humano é dotado do que chamamos de razão. Não podemos deixar que a emoção se perca e tire o sentido da nossa existência: a alma e a capacidade de perdoar a si mesmo.


Marilu R F Queiroz

A cada dia penso mais em como seria a vida sem as belezas que a natureza nos oferece. Tudo o que há de mais bonito sentimos e admiramos todos os dias. De fato, a natureza é uma mãe generosa e amorosa.



Paulo Pazz



VISUAL

Olho dois olhos,
Revivo tantos "vivas!",
por um momento,
diante do espelho.
Rego tantos anos
Que já me mostram
As rugas das aparências



Sandra Nascimento


Até quando, pergunto ao meu coração, devo ouvir a ofensa que cala? E ele quieto também nada quer dizer. Minha mente sabe que tentarei apagar da memória tudo aquilo que magoa. Se de fato esquecerei, nada posso afirmar. Só sei que aprender precisa de horas, assim como esquecer requer emoção reeducada, coisa difícil pra mim. Caminho perseguindo a fumaça do homem novo, enquanto o homem velho chora porque chora a criança. Pela criança, aceito me esconder na noite e consigo esperar o dia que seca as lágrimas e traz o calor que renova a vida. Na luz, o pensamento se pacifica e tenta entender os monges e as bruxas, fadas e duendes, enquanto minha criança e eu juramos perdoar setenta afrontas multiplicadas por sete e outras vezes. Se não morrermos, conseguiremos entender que recomeçar é lei do tempo, e disso sabe o arguto coração.

Lançamento de livro de Leonia Oliveira







O Mito de Silla, A Profecia Atlante e o Codex Issoaqüilisto são a base para a tese de pós doutorado em Arqueoastronomia da Dra. Sun Hee Eomm.
Contudo a Dra. Sun desaparece diante de 4 milhões de pessoas em Gjengjou durante o lançamento de sua tese! 
A Inteligência Mundial tem 72 horas de tempo da Terra Visível para desvendar o mistério, sob o peso de a Terra ser invadida. Os membros da Unidade de Inteligência Suprema descobrem um código secreto e pedem ajuda para as heroínas de Atlântida, A Viagem... 
Nesta nova saga Vasti e Hester voltam à Terra Visível e com Seondeok, rainha de Silla, e Leonardo Da Vinci acabam presas em um espaçotempo desconhecido para tentar libertar a Dra. Sun. Porém o desaparecimento da Dra. Sun pode impedir que o tempo atlante não seja suficiente para que a reentrada em Atlântida possa iniciar.
Ada Lovelace, Einstein, Dídimo, Bin Sheng compõe a força tarefa Atlante que juntamente com os membros da UIS tentam ajudar no salvamento.
A Teoria do Acaso, tese de Sun, é comprovada pela experiência do seu desaparecimento e Einstein descobre um novo tempo: o Quase.
Complôs, códigos, traidores, análises genéticas, inteligência artificial e uma civilização perdida, entrelaçados em meio ao cosmo, deixarão Sun reaparecer ou o seu desaparecimento dará fim ao planeta?
Um livro onde a formatação artesanal e os diversos estilos narrativos interagem para se contar a história...

Muralhas desnudas

 Por Luiz Manoel

Multiplicam-se no chão
Pedras irmãs desiguais
Multicolores sem fim
Desencadeadas em matizes
Opacidades e brilhos
Tristemente soluçam
Em caos e abandono
Valha-nos poeta suplicam
Transforma-nos em palavras
Agrega-nos com teus sentidos
Edifica-nos em poesia
Expõe-nos em riqueza
Revela-nos ao mundo
Na beleza dos teus versos
Em muralhas desnudas
Ao fim do teu labor
Em teu sublime cansaço
Erguerás tua taça em brinde
Enquanto quieto

Nosso nascedouro



GUANTÁNAMO

 
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            EMANUEL MEDEIROS VIEIRA
Guantánamo não é um retrato na parede
Guantánamo fede
Guantánamo não acaba
E ninguém mais se lembra de Guantánamo
As pessoas foram torturadas, morrem esquecidas.
Os “outros” são sempre os perversos.
E Guantánamo sobrevive.
Sim, não é um retrato na parede.
A “América profunda” não quer que a prisão acabe.
As pessoas mofam e morrem sem julgamento ou processo.
Não, não falo em impunidade – falo em justiça
E justiça não é vingança.
Mas Guantánamo não morre
Mas cheira mal, mesmo no esquecimento
Guantánamo  é “aqui” também:
Na indiferença, no “não tenho nada a ver com isso”.
E Guantánamo vive,
 E só me restam palavras, lugares-comuns
(e a contemplação do mar)
 Ah, Guantánamo

(Salvador, setembro de 2014)

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