mercredi 1 octobre 2014

SAUDADE

 Oficina criativa realizada no Grupo do Varal do Brasil no Facebook
Organizado por Isabel C. S. Vargas



PROSA


 "A saudade é uma jovem senhora que toma café comigo todas as manhãs!"


 Saudade é a lembrança boa da presença da pessoa amada ou querida, tenho muitas saudades, mas também de alguém eu não sinto saudade, de uma pessoa que simplesmente passou pela minha vida.  Essa é a saudade que não sinto...
                                                                                                                                                                                                Carmen Di Moraes

* Saudade é o amor que faz desaguar os olhos e deixar em ressaca o oceano de emoções que habita o coração.

⃰ Saudade sentimento que inebria a alma, acalenta a dor e enobrece o espírito.

 ⃰ Sinto saudade do tempo em que o nada me era tudo...

     Flavia Assaife

                                                      Saudade

O relógio do tempo marca as horas e os dias que fiquei sem ti/ mas o relógio do coração não consegue contar as lágrimas derramadas pela tua ausência, súbita e cruelmente imposta pela vida/ Assim você se foi, um dia, deixando dilacerado todo o meu ser/ que geme inteiro de saudade.



  


POEMAS-VERSOS LIVRES


                                                  Saudades de ser criança

Tenho saudades, e como tenho!,
da infância já distante
onde a vida era
uma brincadeira
em todos
os
sentidos...
amigos!
brinquedos!
de verdade, de mentirinha...
comidinha e felicidade
no prato
e no coração
da criança que fui!


Saudade

O frio da noite envolve-me em seus braços...
Recordações chegam como nuvens sorrateiras...
Lágrimas rolam pela minha face...
Formam um rio caudaloso.
Ele corre desenfreado
Soando notas musicais...
Aos poucos, em coro,
Transforma-se em suave melodia...
Vai lentamente embalando todo meu ser.
Abre as portas de minha alma...
Acorda recordações de um passado distante...
Reabre velhas feridas, e boas lembranças...
Reviver entes queridos, que embora distantes
Continuam vivos nas recordações.
Rio de águas claras, e tépidas...
Envolve meu ser, e com sua cantiga
Acalenta meu coração...
Um milagre acontece...
A calma chega,
E aos poucos adormeço.
Ah! Como é bom poder recordar...
Como é bom poder sentir
SAUDADE





Chuva de Saudade
AnnaRibeiro

Verão – Cidade interiorana...Chuva!
Em meio fio borbulham aguas barrentas
Casa modesta!
Telhas lavadas pelos temporais
Teto sem forro
Olhos da infância, no furo do cobertor
Nas paredes o iluminar dos raios!
Espelhos cobertos
Folha benta
Oração a Santa Barbara
A tempestade passou
Sol brilha de doer a vista...
Portas e janelas escancaradas!
(Não consigo ouvir o gargalhar da infância)
Hoje a chuva na vidraça,
Chora em gotas a minha Saudade!
Neyde Bohon

A SAUDADE QUE NÃO SINTO

Saudade da saudade que não tenho...
Do amor que não vivi, até do amor que não perdi...
Saudade de tudo que não tive,
Até da sombra no caminho...
Que não vi, de um amor que não partiu...

Saudade de tudo que queria ter... e não tive...
Saudade do abraço do retorno,
Do aconchego do carinho, do beijo na madrugada.
Nada foi como eu queria,
Por isso não tenho saudade.

Tenho lembrança quase esquecida...
De um “amor” que não foi um amor...
Que com o tempo... se apaga cada vez mais,
Hoje amortecida e moribunda jaz... no chão,
Como que alguém a tivesse esquecido, e se ido.

E que não deixou nada...
Nem a sombra no caminho... nem o beijo de carinho...
Para que eu pudesse sentir uma saudade...
Essa é... A saudade que não sinto...




SAUDADE

Saudade
Sorrateira,
Silenciosamente,
Sopra Sussurros
sobre mim.
Saudade,
Solitária
Sensação de
Solidão.
Saudade,
Sentimento
Solto no peito.
Saudade,
A presença constante
Da ausência de alguém.
Isabel Albuquerque



Hoje a saudade chegou
Tão viva e colorida em sua melhor edição
Trouxe com ela a angústia
A distância dos oceanos
O movimento do vento nas folhas leves de um outono
A luz que reinou em nosso silêncio
O som do mar ao pensamento
Como um triste componente do coração
Hoje a saudade chegou
Eloquente, despertou o encanto
Adormeceu a razão
Persistente, aninhou os sentidos
Queria ficar...
Mas não era o acaso, era a dor.
Sandra Nascimento 


Saudade
que me leva na corrente desarmada
de olhos fechados para o Sol.
Flutuam em versos silenciosos
na margem do rio, pedaços de Lua,
Que me apagam na sombra dos teus olhos...



                                                           SAUDADE

                                                     Sentimento indefinível
Indecifrável
Que se instala no lugar
De alguém muito amado

Saudade...

Vontade de ver
De abraçar
De segurar na mão
De sentir o cheiro
De sorrir seu sorriso
De beijar com ternura

Saudade...

É o amor que ficou
Instalou-se placidamente
E mantém viva
A lembrança de seres maravilhosos
E momentos inesquecíveis.

Saudade...


                                                          Isabel Vargas


  SAUDADE

Saudade é repletar o dentro do peito
Com o que mora do lado de fora.

Saudade é a estranha essência
Que faz os olhos verter pranto.

Saudade é perpetuar nos poros do espírito
O doce frêmito que endoidece a derme.

Saudade é fazer duas almas distantes
Morarem juntas num só coração.





Saudade

De acordar na mesma casa,
Do café da manhã no início do dia,
Dos almoços juntos, embora corridos,
Das palavras rápidas para dar conta de tudo
Que havia a ser dito em curtos espaços de tempo.

Saudade
Dos planos em conjunto,
Das dúvidas colocadas para todos,
Das risadas e até dos aborrecimentos.
Dos encontros marcados
E daqueles inesperados.
Da chave na porta anunciando a chegada.

Saudade
Dos cheiros peculiares, dos toques,
Dos beijos da chegada e da saída
Saída que um dia foi definitiva,
Sem anúncio, sem despedida,
Sem beijo, sem abraço, sem dó.





Saudades de meu quintal

Ah, saudades de meu quintal mágico
Mundo encantado
De pequenas camponesas
Que gritando fugiam
De índios levados
Armados de estilingues e mamonas
O místico castelo da rainha
no final do canteiro de alfaces
levava direto à casa do ogro
No poleiro mais alto
Defendida pelo galo
De crista quase amarela
No mar verde de grama
Singravam brilhantes bacias piratas
Por entre velas coloridas estendidas no varal
Ah, mágico quintal
Que nos ensinou a conversar com assombração.





Pensando em Saudade
Ana Rosa Santana

Saudade,
Do que se foi,
De quem perdi,
Da vida que não levei,
Dos dias calmos de outono,
Do vento espalhando meus cabelos,
De minha alma jovem,
Da coragem impetuosa,
Do medo insensato,
Da esperança perdida...

Saudade,
Dos anos passados,
Das escolhas feitas,
Das palavras que calei,
Das chances desperdiçadas,
Dos lugares que não fui,
Do arrependimento que não tive...

Saudade,
Dos dias de luta,
Da paz conquistada,
Dos beijos roubados,
Do rubor inocente,
Da risada contagiante
Dos segredos escondidos,
Das verdades declaradas...

Saudade,
De sentir saudade...

Ana Rosenrot






Saudade
Ontem, sensação de vazio, frio,
canção inacabada, sem graça...
paixão, ilusão contraditória,
beijos na noite fria.
Hoje, sentimento benéfico,
tênue reflexo, sem nexo...
formigas, abelhas no mel,
sensação de perda, dor sentida.
Nem ontem ou hoje...
passos vagarosos, vorazes,
Todo dia igual, rotina doida...
Risos em noite fria.
Amanhã, suavidade diáfana
condição do que é solitário...
Voz na madrugada, relva molhada.
dor escondida, saudade voraz!!!


                                                       Marilu R F Queiroz

Era Minha Mãe



Era minha mãe ali sentada.
Sim, posso dizer pois por anos observei-a ali.
Lia concentrada, livros e mais livros
que depois comentava com fervor.
Costurava pequenas peças, dava forma
a sonhos desenhados pela imaginação.
Era ela ali, sentada, olhos fixos tantas vezes
num futuro que ela pensava baixinho
e nem era para ela o tal futuro
mas para seus filhos.
Olhava estes filhos e amava estes filhos
e com o olhar de amor e palavras sábias
educava a nós, os filhos.
Era ela, mãe de rosto límpido
cujas rugas chegadas com o tempo
apenas acrescentaram beleza
aos seus traços inesquecíveis.
Era ela ali, sentada, já parecida com sua própria mãe...
o sorriso que vinha dos lábios e alargava o olhar...
a voz que sabia ser calma e tão forte.
Era ela, minha mãe, era ela.
Mãe que hoje busco e encontro apenas
nas lembranças, tantas lembranças!, que guardo
num coração repleto de lágrimas.
De saudade, as lágrimas; nunca de tristeza.
Era minha mãe sentada ali naquele canto.
E o vulto passando, indo e vindo, sorrindo, chorando,
primeiro criança, depois adolescendo, depois adulto
depois tão igual a ela...
o vulto tentando
nunca apagá-la dali... este era eu.

Poema de Jacqueline Aisenman
Imagem by LanWu

Casinha

Por Maria Aparecida Felicori

Vó Fia

Convite Feira do Livro Frankfurt


MÁCULA NO CORPO. E NA ALMA...



Isto não é um comentário sobre uma obra literária. Nem mesmo uma crítica. Porque eu não me vejo colocada nessa categoria. E é algo que também não faz o meu gênero, o meu estilo, o meu jeito de ser.
                Mas, preciso falar de um livro. De um livro que há poucos dias acabei de ler, de um livro cujas fortes imagens nele descritas não deixam meu espírito vagar sobre outras plagas.
                Um livro que depois de chegar à última página para ele ainda volto a fim de ter a certeza de que tudo aquilo lá está mesmo escrito. Um livro que merece ser lido, relido, dissecado, degustado e colocado em pedestais para que aquele relato não se perca na desmemória dos tempos.
                Um livro que não é um conto de fadas e nem um romance água com açúcar. Mas, um livro que deixa um rasgo em nosso corpo, faz um risco em nossa alma e impregna de sangue e de vísceras dilaceradas um doloroso caminho. O caminho do martírio percorrido por um garoto, um adolescente, um menino, que, ao raiar da puberdade encontra desumanos algozes que nele extravasam um ódio trazido das profundezas dos séculos.
                O garoto sobreviveu e seu grito, que veio de longe e que está ali, letra por letra, ponto por ponto, quase cinqüenta anos depois, é o grito sufocado na garganta de quantas centenas de outros e de outras iguais a ele e que como ele foram levados a porões imundos para satisfazer às insaciáveis e sórdidas manifestações de brutalidade de alguns subordinados cúmplices de um sádico poder.
                Não, eu não poderia deixar passar em branco, eu não poderia deixar passar incólume este retrato, este retrospecto de um pedaço de vida de um jovem. De um jovem que foi dilapidado, escorraçado, injustamente torturado por aprendizes daquilo que de pior a humanidade gerou em milhares de anos.
                E aquele garoto, ali dependurado, pela boca, em um cabide de ferro, com suas frágeis pernas já corroídas e debilitadas pela maldade dos carrascos-meninos-soldados, tinha consciência de que se dormisse seria o seu fim.
                E então ficava a divagar, a sonhar, a relembrar um passado, um passado que fora um tempo muito bonito, muito especial, o tempo de sua infância repleta de aventuras nas serras longínquas ou nas pradarias próximas de sua aldeia natal.
                A descrição do autor sobre este torturante período por ele passado não deve de forma alguma ser a descrição completa e total de todos os horrores pelos quais sofreu sob os coturnos, os pesados e impiedosos coturnos daqueles meninos-soldados que nele viam apenas o grande e sujo inimigo da pátria-amada-gentil!
                E enquanto no terrível cabide pendurado pela boca, pelos dentes, pelos maxilares ele sofria na carne as dores que os algozes lhe impingiam, relembrava um passado mais próximo em que passava suas tardes e suas noites trabalhando em um bar para ajudar no sustento da família.
                E, pendurado pela boca, ali, naquele sujo e infecto cabide de ferro, relembrava as lições de vida recebidas de um grupo de assíduos freqüentadores que nele conseguiram incutir lições de dignidade, nobreza, retidão, amor à pátria, amor pela Liberdade.  Que lhe aguçaram os sentidos para a vida. Que lhe mostravam caminhos que “mais deveriam repercutir na consciência do que na reputação”.
Lendo este livro não dá para esquecer que é uma história real. Não dá para esquecer que é a história de uma vida vivida por um personagem real.
Não dá para esquecer que é uma história guardada no baú da memória de um garoto. Uma história arquivada à ferro por cinqüenta anos. Uma história que agora chegou às minhas mãos e à minha alma.
E um livro que eu não li num átimo, num abrir e fechar de olhos. Porque não seria possível lê-lo de um fôlego. Imprescindível era respirar, profundamente, entre um gole e outro de água para esfriar os pensamentos e ungir a alma em outros céus.
Ler devagar era preciso. E as imagens ficavam e se fixavam indelevelmente em cada neurônio meu.
E assim ficarão porque vejo à minha frente o amigo que a escreveu e o imagino ainda garoto, ainda menino, ainda franzino, no desabrochar dos seus quinze anos, tendo aquele cenário de horror, aquele cenário macabro como palco de seu primeiro baile, da iniciação de seu adolescer.
E o garoto aí está. Altaneiro. Vencedor. Um senhor profissional. Um professor. Um artista das artes plásticas. E agora da arte da pena. Um escritor.
Com lágrimas na alma eu te abraço Pedro Penteado do Prado por teres escrito aquilo que muitos e muitas gostariam de ter contado e que, certamente não o fizeram porque presos estiveram àquelas mesmas promessas que fizeste frente aos carrascos.
A promessa de que se o tudo e o todo passado nos tenebrosos porões viesse à lume, famílias inteiras seriam torturadas, perseguidas e massacradas.

E no garoto a Mácula da tortura permanece no físico. Já a Mácula da alma...


MÁCULA. - Autor: Pedro Penteado do Prado.

ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...