lundi 25 août 2014

Em Genebra no dia 27 de setembro!


VIVER




Vivo momentos sem comentários
na análise de séries intercaladas.

Reviso momentos escutando
histórias de vidas ultrapassadas.

Reavivo momentos em calado
          discurso de vida inteira.

Vivo momentos: retiro da árvore
o fruto e o descasco em lâminas.

Revivo o instante no momento
               que me é simpático.

(Pedro Du Bois, inédito)



Crônica da Urda

Blumenau, cidade com imprensa unilateral
(Anunciando, para dentro de alguns dias, um novo jornal em Blumenau/SC)
                                   Apesar de ter toda uma tradição na área de imprensa, já tendo mais de um jornal na época colonial, e abrigando a mais antiga rádio do estado (PRC-4 – Rádio Clube de Blumenau) e o mais antigo canal de televisão de Santa Catarina (TV Coligadas Canal 3), neste tempo do século XXI, que ora vivemos, Blumenau se pauta por uma imprensa unilateral e subserviente. Além das notícias fúteis, que nada acrescentam ao conhecimento das pessoas da cidade, como acidentes, crimes, novelas e correlatos, outras notícias, que poderiam ser muito mais aprofundadas, são passadas para a população sob a ótica dos interesses do Capital, no caso, representado por empresários, profissionais liberais e outros afins, sem o menor interesse de que a verdadeira informação chegue ao pequeno, ao humilde, ao que não tem outra chance de adquirir algum conhecimento a não ser através dos meios oficialmente vigentes na cidade.
                                   Conforme Bernard de Mandeville deixou escrito,
“Para que a sociedade seja feliz e o povo tranquilo nas circunstâncias mais adversas, é necessário que grande parte dele seja ignorante e pobre. O conhecimento não só amplia como multiplica nossos desejos (...) Portanto, o bem-estar e a felicidade de todo Estado ou Reino requerem que o conhecimento dos trabalhadores pobres fique confinado dentro dos limites de suas ocupações e jamais se estenda (em relação às coisas visíveis) além daquilo que se relaciona com sua missão. Quanto mais um pastor, um arador ou qualquer outro camponês souber sobre o mundo e sobre o que lhe é alheio ao seu trabalho e emprego, menos capaz será de suportar as fadigas e as dificuldades de sua vida com alegria e contentamento.”[1][1]  

                                   Assim, é de grande interesse das classes mais favorecidas fazer valer o pensamento de Mandeville, e é aí que entra O Tamarindo, proposta nova de imprensa para esta cidade na qual puseram vendas e antolhos, para que a população e seus visitantes soubessem que há coisas maravilhosas, como um Natal alles blau, por exemplo, mas que nunca se desse conta dos pezinhos gelados das crianças sem calçados de lugares como a Vila Jensen, quando o inverno chega. A favelização de Blumenau, na imprensa vigente, é algo tão remoto quanto o conhecimento sobre as origens da questão palestina, e não há ninguém interessado em explicar nem uma coisa e nem a outra e outras.
                        É desta carência visceral que nasce O Tamarindo, com a proposta de abrir seus olhos e fazê-lo ver o mundo sem os desfoques com que você o enxerga até agora – a ideia é que, daqui a pouco, você possa ouvir ou ler uma notícia e poder entender, realmente, o que ela significa.
                                   Adiante, Blumenau! É tempo de termos a bilateralidade na imprensa!

                                   Blumenau, 26 de julho de 2014.

                                   Urda Alice Klueger
                                   Escritora, historiadora e doutora em Geografia.




[1][1] MANDEVILLE, Bernard de. In: THOMSON, E. P. Costumes em Comum. Estudo sobre a cultura Popular Tradicional. São Paulo: Cia. das Letras, 2002.

ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...