mardi 22 avril 2014

O buraco ressurgiu!

 
            E não é que ele voltou? E como diz a música: “...eu voltei pra ficar porque aqui é meu lugar”
            Você se lembra da Festa dos Cavaletes”?
            Isso!!!  Aquela mesmo que, há quinze dias,  comemorava o nascimento de um robusto buraco, no início da Rua Malito de Lucca, no Jardim Independência!
            Pois não é que a Prefeita acabou com a festa?  Mandou pra lá uma força tarefa munida de enxada, enxadão, picareta, pá e até uma retroescavadeira! Acabou com tudo.  Uma verdadeira loucura!
            Cavaletes se espalharam por todo lado enquanto o buraco ia sendo devastado.
            De longe eu observava toda a movimentação... Trabalho difícil, mas, dois dias depois, deram conta do recado!
            Mas, um buraco que se presa, não ia se entregar tão facilmente assim, pensei comigo. Podiam ter acabado com a Festa dos Cavaletes, podiam tê-lo enterrado bem, mas, no fundo, ainda era um buraco respeitável, ora, pois!
            E não deu outra!
            Com o auxílio de um temporal que passou pela cidade, ele ressurgiu triunfante e lá está de novo, desafiante!  
            Passei por lá ainda há pouco e o vi engolindo uma enorme telha Eternit. Sinal de que ele será eterno?  Vai saber...
            Desta vez não há festa, apenas um cavalete cambaleante e fraco, já com uma das pernas dentro do buraco!  
            Sei não, mas acho que vai haver um levante de buracos por aqui. Um, lá na ponte, já quase engoliu um ônibus, esse já ameaça engolir um caminhão...
            Me diga, não acha que a TRANSERP e INFRA-ESTRUTURA, deviam logo entrar em ação antes de acabar a paciência do cidadão?
*****
Irene Coimbra                           

Convite lançamento do livro Antologia Definitiva, de Luiz de Miranda.


Anaximandro Amorim viaja no tempo em seu novo livro





O escritor lançará nova antologia de crônicas e contos no próximo dia 24,
durante o Café com Letras, do Shopping Norte Sul, em Vitória


Num passado já distante, muito antes da invenção da imprensa pelo alemão Johannes Gutenberg no século XV, a crônica nasceu como relato, em ordem cronológica, de fatos históricos. Com o tempo, transformou-se em breve narrativa sobre assuntos diversos do cotidiano – pinçados do dia a dia do cronista, de suas reminiscências ou do noticiário. No Brasil, ganhou contornos literários pelas mãos de autores como Machado de Assis, José de Alencar, Manuel Bandeira e Rubem Braga – este considerado o pai da crônica brasileira moderna.

É sobretudo por esse gênero que transita o novo livro do escritor Anaximandro Amorim, “A Máquina do Tempo e Outras Histórias”, antologia que reúne 46 textos, entre crônicas e contos. Premiada pela Lei Rubem Braga, da Prefeitura de Vitória, e publicada pela Editora Pedregulho, a obra será lançada no próximo dia 24 (quinta-feira), a partir das 19 horas, durante o Café com Letras, no Shopping Norte Sul, em Jardim Camburi, Vitória. No evento, além de bate-papo com o autor, haverá apresentação musical de Marcos Trancoso e participação do ilustrador Caio Cruz, que criará desenhos ao longo de todo o encontro.

Com prefácio da jornalista e cronista Jeanne Bilich, o livro apresenta recortes do dia a dia, retratos em prosa do cotidiano, escritos entre 2002 e 2012 para antologias, revistas, jornais, seu extinto blog e seu site oficial (www.anaximandroamorim.com.br), no qual publica a cada quinzena. Os temas abordados são variados, contudo, o tempo, inevitavelmente, perpassa todas as crônicas – sobretudo aquelas por meio das quais o autor viaja ao passado. Anaximandro, porém, afirma ser nostálgico na medida certa. “Gosto do presente. Ele é minha referência com relação ao tempo que vivi e o que terei pela frente. Bom mesmo é o presente pois, a partir dele, posso ter histórias para crônicas, crônicas e mais crônicas...”, diz ele, que também é membro da Academia Espírito-Santense de Letras (Ales).

Esses 46 escritos foram agora reunidos na antologia a pedido de amigos e familiares, que gostariam de tê-los no bom e velho formato do livro de papel – ainda que os tempos atuais apontem cada vez mais para os suportes digitais. O título, a propósito, vem de uma crônica de 2010, “A Máquina do Tempo”, escrita após deparar-se com uma mulher datilografando dentro de uma agência bancária. “Tudo isso ativou a minha memória afetiva e transformou a imagem da máquina de escrever em inspiração”, conta ele, que pegou emprestada a Olympia de sua mãe para ilustrar a capa do livro.

A máquina de escrever foi um presente do avô de Anaximandro à mãe dele, no início da década de 1960. Historiadora e professora, ela aprendeu a datilografar e fez muitos trabalhos e elaborou provas com a autêntica Olympia – importada da antiga República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental). “A máquina está em perfeito estado de conservação e significa muito para mim. Com ela, aprendi a digitar e fiz meu primeiro escrito, em 1988. Foi uma pecinha teatral chamada ‘Chico Palito’, adaptação do livro infantil homônimo da escritora Cristina Porto.”



Celebração

Filho de pai advogado e mãe historiadora, Anaximandro nasceu em Vila Velha (ES), em dezembro de 1978. Cresceu entre livros e, desde muito cedo, foi incentivado a ler – de gibis a grandes clássicos da literatura. A escrita, desse modo, surgiu como decorrência natural da leitura, e o autor, neste 2014, comemora duas décadas dedicadas à literatura.

Adolescente, lançou aos 15 anos seu primeiro livro, “Brasil de Ontem, Hoje e Sempre”, no dia 14 de maio de 1994, no estande do antigo Departamento Estadual de Cultura (DEC), durante a Feliv 94. A obra é um longo poema de 69 quadras em versos livres e brancos, que remetem à História do Brasil. Desde então, publicou poemas, contos, crônicas, os romances "Asas de Cera" e "Concupiscência" e o relato autobiográfico "A História de um Sobrevivente". Em 2013, lançou "O Livro dos Poemas", que reúne versos escritos entre 1995 e 2012.

“Já me aventurei por quase tudo: poesia, conto, crônica, romance, roteiro... ultimamente, tenho me dedicado muito à crônica, publicando no meu site e também em jornais e revistas de grande circulação, como ‘A Gazeta’ e as revistas ‘Direito e Atualidade’ e ‘Varal Literário’, da comunidade brasileira na Suíça, além de outros veículos. Gosto muito, também, do romance. Tenho dois inéditos, além dos dois já publicados”, conta.

Advogado, professor de francês e aluno de pós-graduação, Anaximandro impôs a si mesmo o exercício quinzenal da escrita, a fim de “manter a forma”. A princípio, rascunha o texto mentalmente pelo tempo que julgar necessário. “Só ponho o texto no papel quando ele já está me ‘incomodando’. No gênero crônica, em geral, inspiro-me no dia a dia. No caso do romance, tento partir de alguma premissa verossímil, interessante. Daí, só vou para o computador quando tenho um indício de princípio, meio e fim, com personagens, tramas e subtramas. Nesse caso, sou bem cartesiano. Meu último romance, inédito, levou cinco anos para ser concebido.”

Lançamento de “A Máquina do Tempo e Outras Histórias”

Quando: 24 de abril (quinta-feira), a partir das 19 horas

Onde: Shopping Norte Sul, Jardim Camburi, Vitória, dentro do projeto Café com Letras
Durante o encontro, haverá bate-papo com o autor, apresentação do músico Marcus Trancoso e participação do ilustrador Caio Cruz

O livro será vendido a R$ 20,00, no lançamento, e R$ 30,00, após.

Entrada gratuita


Crônica da Urda


                                   MEU CACHORRO ATAHUALPA (3)


                                                           (Para Alice Klueger Bezerra)

                                    Atahualpa está completando seis meses nesta semana, e até parece festa de aniversário o que aconteceu hoje. É bem verdade que na semana passada ele conheceu um cavalo – estávamos a uns cinqüenta metros do cavalo quando o vi, e então chamei a atenção do meu cachorrinho, até que ele se deu conta daquele bichão lá adiante. Como saudável cachorro que é, Atahualpa transformou-se numa linha retesada entre focinho e rabo, apontando para aquele ser que, no mínimo, na sua imaginação de cachorro, deveria ser parente de Deus, e pôs-se a latir em altos brados. Foi tudo o que aconteceu – cumprida sua obrigação de cachorro, ele não avançou um passo sequer em direção àquele monstro, decerto aterrorizado por descobrir que havia uma coisa assim no mundo. Tive que pegá-lo no colo e levá-lo até o cavalo, que estava bem seguro por detrás de uma cerca. No meu colo, Atahualpa perde o medo de tudo, até do cachorrão que o mordeu, uma vez, quando era pequenino – e então, no meu colo, ele suportou numa boa ser levado até diante do focinho do cavalo, que o cheirou e fungou sobre ele – a bem da verdade, há que se dizer que Atahualpa estava com o impressionante rabão entre as pernas.
                                   Então, na tarde de hoje, como se fosse uma festa de aniversário, saímos a passear pelas estradinhas deste lugar chamado Nova Rússia, a vermos ribeirões, riachinhos e nascentes, e o pequeno cemitério onde ele se deliciou a correr e latir entre os pouco túmulos, e depois voltamos à estradinha, e – meu, o que terá passado pela cabeça do meu cachorro quando viu aquilo? Numa curva da estrada, também devidamente seguro por detrás de uma cerca de arame, havia nada mais nada menos que um baita touro malhado de branco e alaranjado! Com um olho, Atahualpa espiava para mim, e com o outro, espiava para aquela monstruosidade, enquanto latia como se o fizesse para salvar a vida. Ele já passara pela experiência do cavalo na semana passada – espiava, agora, para ver a minha reação diante daquela novidade inimaginada. Quando me viu fazer sinal de que não havia perigo, que aquele era um bicho bom, Atahualpa quase ficou rouco de tanto latir no imenso touro, que o olhava com o maior desprezo, como se olhasse para uma formiga!
                                   Se havia um touro, é porque deveria haver vacas, e elas apareceram logo na curva seguinte, um pasto com umas quinze vacas as mais mestiças possíveis, o que deve ter criado a maior confusão na cabeça do meu cachorrinho.  Será que aquilo era tudo a mesma coisa? Aqueles animais chifrudos e os outros quase sem chifres, era tudo bicho decente, em quem se poderia latir? E por que será que umas eram avermelhadas, outras malhadas, outras barrosas, e assim por diante? De novo ele me espiou com um olho até eu lhe fazer saber que se tratava de bons animais, e de novo ele se esgoelou em latir, enquanto continuávamos pela estradinha, até que, uma ou duas curvas adiante, apareceu coisa muitíssimo mais estranha.
                                   Com tantas nascentes naquela área, é normal que diversas casas tenham lagos no jardim, mas de bichos de lagos Atahualpa só sabia de peixes, sapos e rãs. Que era aquilo ali, então, dois bichos baixinhos, de formato estranho, que o espiavam na maior desconfiança? Eu sabia que se tratava de grandes marrecos, e talvez aqueles marrecos já tivessem tido experiências más com outros cães, não sei – o fato é que estavam bastante desconfiados... e o meu cachorrinho, então, nem se fala! Rabo e focinho retesados, ele se aprontava para não sei que defesa, sem a menor coragem de chegar perto, latindo angustiosamente. De novo tive que pegá-lo no colo para ele perder o medo, e levá-lo até à cerca daquela casa. Os marrecos não gostaram nada nada daquela aproximação – orgulhosamente, entraram no lago e saíram nadando até bem longe, com o maior olhar de desprezo que conseguiram, deixando meu filhote atônito e abobado de tanta fascinação por aqueles seres que não mergulhavam como as rãs.
                                   Atahualpa está fazendo seis meses. Acho que é mais ou menos assim que são as festas de aniversário dos cachorros!


                                                           Blumenau, 03 de abril de 2008.




                                                           Urda Alice Klueger      

"Eu me dei conta de que cada vez que um dos meus cachorros parte, ele leva um pedaço do meu coração com ele. Cada vez que um cachorro novo entra na minha vida, ele me abençoa com um pedaço de seu coração. Se eu viver uma vida bem longa, com sorte, todas as partes do meu coração serão de cachorro, então eu me tornarei tão generoso e cheio de amor como eles."  (Autor desconhecido) 

Tiradentes


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