lundi 7 avril 2014

AGENDA DO VARAL ABRIL/MAIO



- Estão abertas as inscrições para o II PRÊMIO VARAL DO BRASIL DE LITERATURA, concurso internacional que premiará os melhores: CONTOS, CRÔNICAS, POESIAS E TEXTOS INFANTIS.
Inscrições pelo e-mail varaldobrasil@gmail.com

- Estão abertas as inscrições para a revista especial VARAL DO LIVRO 2014. O tema será o livro e você poderá escrever sobre livro, leitores, livrarias, bibliotecas, livro impresso, livro digital, editoras, etc.. Peça o formulário de inscrição através de nosso e-mail  varaldobrasil@gmail.com. Até completarem as vagas.

- A edição de maio da revista Varal do Brasil, com o tema Preservação da Vida, sairá em meados de abril.

- Estão abertas as inscrições para a revista de julho com tema livre.  Peça o formulário de inscrição através de nosso e-mail  varaldobrasil@gmail.com. Até 25 de maio.

- Acontecerá de 30 de abril a 4 de maio o 28o Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra onde mais de trinta autores vindos do Brasil, Europa e Estados Unidos estarão autografando no estande B220 do Varal do Brasil. Entre eles, Alice Ruiz, Cintia Moscovich e Luiz Ruffato!

- Acontecerá dia 2 de maio o lançamento internacional do livro Varal Antológico 4, na presença de vários autores. Na ocasião será servido um coquetel ao som da dupla Dulcineia Enferrujada (estande B220 do Varal do Brasil, Palexpo).

- Serão abertas a partir de maio as inscrições para o livro Varal Antológico 5 que terá a capa realizada pela artista mineira Madhu Marethiore. Posteriormente abriremos concurso para as orelhas e apreentação do livro. Informações pelo e-mail varaldobrasil@gmail.com

- Serão abertas a partir de maio as inscrições para o 29o Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra (edição 2015). Informações pelo e-mail varaldobrasil@gmail.com


COM O VARAL A LITERATURA VAI MAIS LONGE, PORQUE, SEM FRESCURAS, ELA É FEITA PARA TODOS!

Crônica da Urda

MEU CACHORRO ATAHUALPA 1
                                              


                                                           (Para Bartolomeu Moreira Monteiro)



                                   Penso que, no mundo dos cachorros, Atahualpa às vezes aparece como um cachorro exibido, como algumas crianças que viajam para a Disney e depois ficam se pavoneando na escola, cheias de importância, diante de amiguinhos que talvez só foram ao Beto Carrero[1][1] ou talvez nem lá foram.
                                   É que Atahualpa é um cachorro de apartamento, e no condomínio onde moro, que tem 64 apartamentos, deve ter pelo menos uns 40 cachorros (mais dois gatos e dois papagaios, quanto sei), e tirando um outro cachorro que anda até de moto, Atahualpa foge inteiramente ao modelo “cachorro de apartamento”.  Desde o primeiro dia que chegou que eu o levo por todos os lados onde posso, deixo-o correr livre pela natureza, acampo com ele, deixo-o comer tudo o que um cachorro pode comer. Ouço horrorizadas expressões de gente moderna, que tem cachorros modernos, movidos à ração:
                                   - Não se pode dar nada além de ração aos animaizinhos! Leite, nem pensar! Tu estás louca – leite lhes dá dor de barriga!– e então lembro dos cachorros da minha infância, que comiam arroz, feijão, salada e carne, como todo o mundo, e aipim com molho, ou pão com manteiga ou sem manteiga, ou fosse lá o que fosse, e viviam longas vidas de 15, 20 anos, o que é velhice extremada para um cachorro. E deixo Atahualpa comer de tudo (em uma das refeições do dia faço questão que ele coma ração, tipo complemento alimentar, assim como as mães fazem as crianças tomarem complexos vitamínicos), e ele começa o dia querendo bolo com leite, bem misturadinho, amassadinho, para não ter o trabalho de mastigar. Há que ser bolo, pois pão, para ele, exibido como é, nem pensar – se bem que noutro dia, num camping, apareceu um cachorro faminto que devorou quase todo o pão que eu tinha, e então, na coisa da competição, Atahualpa se tomou de amores pelo pão, e comeu pão seco com o maior apetite e a maior voracidade. Tirando tais exceções, no entanto, há que ser bolo, e virei uma formiga carregadeira a trazer bolos ingleses do supermercado, sendo que eu quase nunca como bolo e Atahualpa tenha definida preferência pelo bolo inglês, que num instantinho some da embalagem, diante do apetite dele.



                                   Ele adora carne, claro, mas peixe, nem pensar. De peixe, a única coisa que gosta é de lagoas de peixe, onde há plantas aquáticas que ele ataca aos latidos, agarra-as com os dentes, acaba por mergulhar na água, e sabe como é, lagoas de peixe normalmente têm um certo cheiro característico, e depois de tais mergulhos, há que se levar Atahualpa para casa e botá-lo debaixo do chuveiro, outra coisa inconcebível para cachorros de apartamentos, que tomam banho em pet-shops sofisticados, são secados com secador e cortam as unhas com tesourinha. Só uma vez um veterinário se meteu à besta e andou cortando as unhas do meu cachorrinho – nunca mais tal ato se repetiu. As unhas de Atahualpa se gastam de tanto andar e correr, seja no cimento das calçadas, seja nos amplos espaços da Natureza, como na beleza desta pousada onde estou nesta sexta-feira-santa, com direito a lagoa de peixe, rio, matas e campinas de grama com muitas flores, e ontem à noite Atahualpa chegou de volta tão molhado e tão cheio de carrapichos, que um dos olhos dele nem abria, tantas foram as camada de carrapicho que foram se sobrepondo umas às outras na sua peluda cara de cachorro safado, e eu tive que ajudá-lo a livrar o olho e o resto do pêlo, e ele estava com tamanha fome que devorou um pote de ração sem o menor constrangimento, ele que faz todo o tipo de frescura para comer só bolo e carne.
                                   Diria que Atahualpa é um cachorro feliz, enquanto o observo, neste momento, em correria e lutas com uma cachorra adulta daqui da pousada, um feixe de músculos a corcovear pela grama, ao lado da lagoa de peixes, coisa que não seria admitida pelos donos dos seus colegas ”de apartamento”. É por isto que digo que acho que ele deve se comportar muito exibidamente diante da sua turma, tipo aquelas crianças que viajam para a Disney e que depois se acham mais importantes que as outras nas salas de aula. Também, pudera! Quantos cachorrinhos tem a vida que ele tem?

                                               Blumenau, 21 de Março de 2008



Urda Alice Klueger
Escritora  




[1][1] Beto Carrero: Parque temático onde adultos e crianças se divertem, no Estado de Santa Catarina/Brasil.

A Festa dos Cavaletes!

 

            Lá ia eu tranquilamente para o trabalho quando, no começo da rua onde moro, vi um festival de Cavaletes  todos enfeitados com as cores patrióticas do Brasil!
            Pensei em parar pra ver a que devia aquela festança ali em plena manhã. Mas, usando meu bom senso, já que não havia sido convidada, me desviei deles e continuei dirigindo, tomando todo cuidado pra não atropelar nenhum buraco.
            Enquanto dirigia ia tentando adivinhar o motivo daquela festa de Cavaletes.
            Estariam eles comemorando o aumento de salário dos vereadores de nossa cidade?
            Não, com certeza não. O motivo devia ser muito mais nobre.
            Por mais que eu pensasse, minha limitada inteligência não me deixava atinar com o motivo daquela festa matinal.
            Chegando ao meu trabalho me esqueci daquele encontro surpreendente e me concentrei na tarefa que devia fazer.
            À tarde, voltando para casa, para minha surpresa vi que a festa dos Cavaletes continuava animada com as fitas coloridas esvoaçando pelos ares.
            Discretamente me desviei deles novamente e, seguindo por outra rua, fui para casa.
            O fato se repetiu por mais de uma semana, até que ontem, vendo que eles já pareciam estar um pouco desorganizados, fitas arrebentadas, como se tivessem exagerado na bebida, não resisti à curiosidade. Parei na rua ao lado, desci do carro e fui conversar com aquele que me parecia o chefe deles.
            - Boa tarde, Senhor Cavalete!  Por gentileza, há mais de uma semana venho percebendo vocês aqui reunidos nesta festa e gostaria de saber o que estão comemorando.
            Parecendo meio bêbado, respondeu:
            - Estamos comemorando o nascimento de um robusto buraco!!! Veja, aí está! Estamos cuidando pra que ele se desenvolva bem e, felizmente, tudo está correndo como previsto. Ele está crescendo a olhos vistos! Por enquanto está se alimentando de algumas folhinhas trazidas pelo vento e pela enxurrada da chuva, mas logo estará  engolindo até carros e caminhões,  para orgulho nosso! Venha, comemore conosco!
            Claro que, diante daquele entusiasmo, não pude rejeitar o convite. Entrei na roda e festejei com eles! Cantamos Parabéns à TRANSERP e à INFRAESTRUTURA!!!
            Só queria fazer um pedido a essas duas, se não for muito, pra que renovem as fitas pois estão todas rasgadas!
            Convidamos a todos para que venham também festejar o nascimento desse grandioso buraco que tem tudo para se desenvolver com saúde plena e chegar a engolir o Jardim Independência inteiro!

Irene Coimbra – Escritora

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