lundi 20 janvier 2014

AUTORES E ARTISTAS QUE ESTARÃO NO 28o SALÃO INTERNACIONAL DO LIVRO E DA IMPRENSA DE GENEBRA (8)






AUTORES E ARTISTAS QUE ESTARÃO NO 28o SALÃO INTERNACIONAL DO LIVRO E DA IMPRENSA DE GENEBRA (7)





Programa Informativo Madalena's Babado Forte " Consulado Geral do Brasil em Zurique"



Queridos membros, admiradores e amigos do Madalena's,

Após o grande  sucesso do nosso primeiro programa  informativo " Madalena's Babado Forte ", com o tema "Autorização de residência na Suíça"(772 acessos em 5 dias, nosso objetivo era 1000 acessos em 30 dias).
 Anexo segue link do novo programa com o tema
 " Consulado Geral do Brasil em Zurique "

   Atendimento Consular prós &  contras
O objetivo do Madalena's Babado Forte é de informar, alertar e prevenir sobre direitos e deveres  dos brasileiros(as)residentes na Suíça e brasileiros(as) residentes no Brasil que desejem emigrar.
Feito em uma linguagem simples e popular para possibilitar  ao povão uma boa informação.
Já começamos a trabalhar na III Edição do Programa que abordará o tema " A VOZ DO POVO ", com depoimentos de brasileiras e brasileiros sobre como é viver na Suíça e as dificuldades do dia a dia.

Os custos para levar um programa como este a população saí em torno de 7.000.- (sete mil francos suíços), O madalena's é uma associação sem fins lucrativos  e necessitamos de apoio financeiro ao programa. Caso vocês desejem colaborar conosco entre em contato direto comigo " Lúcia Amélia" 076 454 87 85 e ou por este e-mail, para marcarmos um encontro e vermos as possibilidades de patrocínio .

Tenho ainda um pedido a fazer :
Por gentileza vocês podem compartilhar o programa em suas respectivas redes de contatos?

Muito obrigada a todos pelo apoio, carinho, colaboração, feedback  e credibilidade.

Avec mes meilleures salutations
  Lúcia Amélia
Madalena's
c/o Aeberhardt L.
Quai du Haut, 8
2502 Bienne
www.prevencaomadalenas.com
(41) 76 454 87 85

CIVILIZAÇÕES

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA


“Civilizações feneceram e isso me consterna. Incas, Maias, Assírios, Fenícios, Babilônios, Gregos. Não os conheci. Não os conheço (...) Que insuspeitas relações tiveram? (...) A arte são marcas de passagens. (...) Não sei porque  escrevo, menos ainda o que isso possa significar.” (...)
                                               (Herculano Farias)
“Nada sabemos, a não ser que há uma noite/pura e vazia à nossa espera. Uma noite intocável/além do fogo e do gelo, e de qualquer esperança.”
                                                (Ledo Ivo)
E continuamos a cada dia. Tentando celebrar os momentos–  encantamentos. Sim: há soberba, cobiça, pessoas que se acham insubstituíveis, celebridades vãs. E desaparecerão mais depressa.  Mas continuamos.
Há fé (às vezes). Há sombras, pó, e esperança.
“Estás sendo pessimista”, adverte uma voz interior. Basta olhar o mundo ao redor. Nada de novo. É preciso manter o circo. Sempre. O cantor famoso passou, espremido como laranja. Criam-se outros. Como a loira gostosa no anúncio de cerveja. A insinuação subliminar dos espertos publicitários: “tome essa cerveja e terás a loira”.
E há os marqueteiros. Ganhando rios de dinheiro, estabeleceram o reino da mentira virtual. “Mas as ditaduras acabaram na América a Latina”. E o que veio depois? Desagregação (traição, deslumbramento) de muitos sonhos e dos maiores valores. E as revoluções implantadas viraram sistemas totalitários. Não? Citem um exemplo. “Mudou de lado”, diz outro. Não, não mudei.
E criamos todos os dias. Será a arte que nos salvará? “Inventamos” uma realidade. Não a revelamos. E continuamos. Parece que já existem mais escritores que leitores. Toneladas de opiniões (nos jornais, no mundo virtual) não saciam. Pois a incompletude é a nossa sagrada e irreversível marca. Como em tantos momentos, talvez saibamos mais o que não queremos do que aquilo que queremos.
A cura é a morte do desejo? Civilizações morreram.
Ando por Pompéia, está frio e penso em todos que por aqui andaram, em todos os pés que pisaram.
Penso o mesmo no Pelourinho – “ouvindo” o gemido dos escravos. Mas a agitação dos turistas com suas máquinas fotográficas e celulares, é mais forte do que as minhas reflexões. E meninos cheiram crack e assaltam.
O desejo é registrar tudo. Tudo. Mas somos meros fragmentos de outros fragmentos.
Há mais motivos para beber do que para não beber – eu sei.
Mas – ainda mais moralista na maturidade – creio que é melhor não beber. Sim: pela vida (perdoem o lugar-comum.). Mas tal opção é absolutamente subjetiva, e prefiro ouvir um Canto Gregoriano nesta capelinha do que os berros e gritos em um culto, garantindo que Cristo voltará (e se deres mais dinheiro, ele chegará mais rápido).
É outra manhã. Sim, sonhávamos refundar o mundo, e a alegria não-napoleônica de uma criança mexendo numa máquina de escrever – estranhando –, e um pássaro cantando é maior que isso. Mas, é claro, também passaremos e bem mais rápido que as civilizações. Mas – mal rompendo a aurora – estarás aqui de novo, seguindo o ofício, não buscando álibis. E continuarás – até o dia em que escutarás um assobio e irás – sereno – atravessar a ponte.

(Brasília, janeiro de 2014)

Crônica da Urda

As Clarissas da minha vida.


                                   Nem sei por onde começar. Talvez por um dia luminoso de março, meu primeiro dia de aula de português no primeiro ano ginasial, onde o bom e velho professor Trierweiler deu como tarefa de casa escrever uma redação chamada “Festa de aniversário”. Fui para casa, imaginei uma festa de aniversário num salão de chão rebrilhante, onde uma menina que aniversariava tocava um piano envernizado e se chamava Clarissa.  A minha redação redundou na maior bronca. Recebi-a de volta com um “zero” escrito em garrafais letras vermelhas e junto com a maior descompostura possível, dada pelo meu bom professor, que mais tarde se tornaria meu revisor. Por que a bronca? Porque o professor me acusava de ter copiado a redação de um livro de Érico Veríssimo.
                                   Nessa altura, eu ainda não sabia quem era Érico Veríssimo, e lembro como fiquei de pé, tremendo de indignação, a dizer que não copiara a redação de lugar algum. Clarissa fora simples coincidência. Diz o professor, até hoje, que resolveu prestar mais atenção em mim – por enquanto, tirou o zero, botou um dez.
                                   Claro que tratei logo de saber quem era Érico Veríssimo, e um atrás do outro li todos os seus livros, e fiquei fã incondicional. Digo sempre, mesmo, que ele foi um dos meus grandes mestres brasileiros, junto com Jorge Amado (Muitos outros também foram meus mestres, mas estrangeiros).
                                   Daí um dia, que acabo de descobrir agora que foi em 1975, eu estava viajando num carro de um amigo numa distante estrada, e deu no rádio do carro que Érico Veríssimo partira. Gente, como doeu! Eu não podia crer que uma pessoa que escrevia livros como “Clarissa”, ou “O tempo e o vento” não pudessem ser imortais. Doeu tanto quanto perder um tio, um pai. Meu mestre se fora irremediavelmente. Deixara-me Clarissa, porém, e todas as suas outras histórias.
                                   A vida correu. A vida às vezes toma rumos que a gente não espera. Um dia, uma das netas de Érico Veríssimo morou um ano em Moçambique, país onde tenho parte da minha família, e a minha gente ficou amiga dela, e da irmã dela, e da mãe dela, que lá tinham ido passar férias. Foi amizade mesmo, coisa assim de minha sobrinha ir para Paris e ficar hospedada na casa dos Veríssimos lá, e depois ir a Porto Alegre e fazer o mesmo – quando ela foi a Porto Alegre eu dizia: “Querida, por favor, me telefona de lá, eu quero pelo menos ouvir o som da casa dos Veríssimos!”. Ela não só me telefonou como me botou a falar com D. Mafalda, a viúva do meu ídolo, e D. Mafalda acabou por me mandar um livro do falecido marido com dedicatória dela. Eu quase que desmaiei de emoção!
                                   Então, na semana passada, o jornal trouxe uma matéria sobre os 90 anos da Dona Mafalda, com fotos dela e tudo. Fiquei olhando para o jornal como uma boba. – aquela mulher que o jornal contava  maravilhosa e que eu sabia que era estava ali, em fotografia, e numa segunda foto trazia no colo, junto com o marido, os filhos Luiz Fernando e... Clarissa! Daí descobri onde o meu grande mestre buscara o nome da sua heroína! Clarissa existia mesmo! Fiquei pensando se a menina lá do meu primeiro ano do Ginásio, a que tivera um aniversário a tocar um piano envernizado não poderia, talvez, ser aquela menina Clarissa  que vivia, de verdade, lá no Rio Grande do Sul!
                                   Sei que descobri que tenho três Clarissas: a que fez o professor me dar a bronca, a heroína dos livros do meu grande mestre, e uma menina que já deve ser mulher madura, e que mora, segundo o jornal, nos Estados Unidos.
                                   Parabéns, querida D. Mafalda! Obrigada por ter me dado mais uma Clarissa!


                                               Urda Alice Klueger
                                               Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR.




                                               Blumenau, 19 de Junho de 2003.

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