mercredi 10 décembre 2014

Pobres de nós pombinhas que só comemos pedrinhas...


Como no conto de fadas, em que a feiticeira enfiou um alfinete na cabeça da princesa, transformando-a em pombinha, na semana que passou algo inusitado aconteceu envolvendo um bando de aves. Não eram pombinhas. Eram periquitos. Houve divulgação na mídia de Manaus, onde o fato ocorreu. Houve comoção, principalmente da parte daqueles que gostam de animais. Mas o que foi mesmo que provocou a morte de cerca de duzentos periquitos em um condomínio elegante de nossa cidade? As versões são controversas. Uma delas, alguém contou, é que um caminhão colidira com galhos de árvores onde estavam pousadas as aves, fazendo-as cair no chão e serem esmagadas. Pergunta-se, então! E o motorista do caminhão por onde anda? Cadê ele? Estava bêbado? Dormiu no volante? Com que velocidade dirigia em um condomínio onde, certamente há limite estabelecido?
Essas e outras perguntas vagueiam pela cabeça das pessoas que gostariam de ver esse episódio explicado. Afinal, o que ocorreu equivaleria a um genocídio de aves, caso se considerem os animais como serem que merecem nosso respeito.    
Eu nunca fui muito afeiçoada a animais, tipo gato, cachorro ou outros transformados em bichinhos de estimação nas famílias. Mas sempre os tratei com consideração, não permitindo que fossem maltratados, caso eu estivesse por perto. Dos inúmeros cães que tivemos em nossa casa, quando éramos todos jovens, cada um tinha uma mania que era olhada com certa condescendência, e mesmo com carinho. A Princesa adorava dar à luz aos seus rebentos embaixo da cama de minha irmã Lucia. A Help dormia a sesta em minha cama, e como sabia que eu não lhe permitia tal liberdade, pulava da cama ao ouvir o barulho do meu carro na garagem. Ainda hoje posso ouvir seus passinhos correndo ligeiros para que eu não a flagrasse. E sinto saudade! Há mil e uma histórias a contar sobre nossos pets.
Mas, voltando ao lamentável episódio do extermínio dos periquitos, aproveitei a ocasião para ler um pouco sobre essas lindas criaturas. Andei consultando a internet e aprendi muito sobre seus hábitos, suas características, entre outras coisas.
Observadores dizem que os periquitos formam casais para a vida toda, são galantes com o parceiro e quando fazem a corte acariciam-se mutuamente, arrumando a plumagem. Vivem cerca de vinte anos e atingem a maturidade sexual entre um e dois anos de idade. A incubação dos quatro ovos brancos que põem dura vinte e seis dias e os filhotes deixam o ninho cinco semanas após o nascimento.
São gregários, vivendo em bandos e fazem muito barulho quando acordam sempre muito cedo. Costumam habitar áreas abertas como florestas, parques, jardins. São hábeis imitadores, principalmente os machos, da vocalização de outros pássaros. Alimentam-se de frutas e de flores, de insetos, e vão buscar os alimentos nas copas das árvores mais altas. Gostam de coquinhos de palmeiras. Como são seres sociáveis, executam a limpeza de outro indivíduo do mesmo grupo.
São aves típicas da Mata Atlântica, estendendo-se seu habitat de Alagoas ao Rio Grande do Sul. Mas há, também, aqueles que habitam na Bacia Amazônica, do sul e sudeste do Peru ao noroeste da Bolívia, e a oeste da Amazônia brasileira. São os chamados periquitos-da-Amazônia, que correm o risco de extinção por perda de seu habitat natural. O desmatamento lhes tem sido prejudicial. Esses medem 12 centímetros, e por serem pequeninos receberam o nome científico de “Nannopsit-taca Dachilleae”.
O Brasil possui muitos periquitos, papagaios, araras, todos da família “Psittacidae”. Dentre os tipos de periquitos há o periquito-verdadeiro, o periquito-verde, Seu nome científico, “Brotogeris Tirica”, origina-se do grego brotogërus, “com voz humana”, e do tupi tirica ou tiriba, “tilintar”. Então, o periquito tirica é o que “produz som humano de tilintar”, diz o artigo que li (www.wikiaves.com.br/periquito-rico ).
Têm o dorso verde e o ventre amarelado, as cores do Brasil. A fronte e a coroa têm matiz azulado, e as patas e o bico são rosados. Como se pode concluir, são aves muito interessantes. E lindas!
Uma pergunta que nos atravessa a garganta é, que mal fizeram essas pequenas criaturas para serem chacinadas assim? Por que não lhes deixarem viver, enfeitar o firmamento com suas cores tão brasileiras? Pode ser que o barulho que emitem quando estão em bando irritem as pessoas, principalmente de manhã cedo. Mas isso seria motivo para condenar à morte seres inocentes cuja única falha é alegrar com seu ruído o ambiente em que vivem? 
    
Marluce Portugaels
Professora


ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...