mercredi 3 décembre 2014

Natal? Que Natal!


Não tenho o espírito de José Saramago, no seu livro sobre a figura do Mestre dos mestres; nem daqueles que negaram a humanidade e divindade do Messias prometido. Não há como substituí-lo. Nem quero pensar em Renan e alemães do Século XVIII que negaram e renegaram o Jesus Histórico. A minha enfática pergunta se refere ao falso espírito de Natal dos cristãos em todo o mundo, sobretudo no mundo do Ocidente. Natal?! Uma festa consumista como poucas no mundo inteiro e os Estados Unidos e a Grã-Bretanha ou Inglaterra e outros países bombardeiam o Estado Islâmico pelas maldades de uma cristianofobia.
Qual a razão dessa guerra de destruição? Não será o petróleo? Não será o controle dos poços de petróleo de todo o Oriente Médio? Enquanto o Estado Islâmico pretende destruir o que resta do sentimento verdadeiro de Natal, lembrem-se os Estados Unidos e a Europa que o Ocidente perdeu, como a antiga URSS, a guerra injusta contra o Iraque e, antes, o Afeganistão. A derrota no Vietnã deveria sempre lembrar aos norte-americanos que a união de um povo é perigosa e inviabiliza esses atos verdadeiramente terroristas. A Guerra do Vietnã foi um crime. A ONU, mais uma vez sai desmoralizada e desacreditada em face da política internacional, do Estado Islâmico, de Israel e da Faixa de Gaza e há um propósito de desfazer de Jerusalém como uma cidade sagrada das três mais numerosas religiões abraâmicas – judeus, muçulmanos, cristãos.
Natal? Que Natal!? Depois de dois mil anos de Cristianismo, a África está imersa em guerras, fome, desolação e tristeza. Médicos Sem Fronteiras tudo fazem para dar um certo equilíbrio aos povos oprimidos da África. Os cristinhos africanos são dizimados por obra e graça dos que acreditam (ou acreditavam) que Jesus é seu salvador. A Ásia, nas regiões pobres, está sendo cada vez mais espoliada. A América Latina está em fome geral em surdas conquistas, as periferias no abandono e o Papa Francisco pede que os eclesiásticos e cristãos vão às periferias, mas, pergunto: Quem está indo às periferias?
O Brasil está em gastança em época de recessão e situação econômica desequilibrada. Enquanto os “classes médias” ainda fazem presépios e árvores de Natal, a juventude brasileira e internacional está com milhares e milhares de desempregados de todas as idades, a violência no Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Salvador, em todo território nacional é uma guerra civil não declarada. A pobreza no país inteiro e sobretudo, no nordeste e norte, parte do centro-oeste, é de corar o “frade de pedra”.
Gandhi tinha razão: “Admiro Cristo e seu evangelho, mas não entendo os cristãos”. E é para se entender se os cristãos (Católicos, Ortodoxos e Evangélicos) farreiam e exploram todos os países economicamente e humanamente, enquanto os privilegiados do Senhor (bem-aventurados os pobres porque deles é o Reino dos Céus) estão sendo esmagados desgraçadamente e não têm perspectiva de futuro? Que futuro tem a juventude miserável das grandes e pequenas cidades, das capitais e dos interiores do Brasil, ou seja, em todas as periferias?
Natal? Que Natal!? As classes que são abastadas fazem campanhas de doação de presentinhos para os pobres, mas enchem-se cada vez mais de dinheiro, pouco se importando com os proletários. Os ricos e ditos religiosos não olham para os operários e proletários. Os ricos lamentam e só: só palavras. A concentração da riqueza no mundo ocidental e no Brasil é uma bofetada no Cristo Menino Jesus da manjedoura de Belém... Eu lastimo e protesto. Tenho direito como ancião, aos 88 anos e ainda tendo coragem de escrever o que acima fiz e esperar que seja transmitido. A esperança, diz o aforisma, é a última que acaba. O que fazer? Só posso gritar como fiz neste artigo panfletário, como os profetas do Antigo Testamento e de João Batista decapitado pergunto: Natal? Que Natal!?



Germano Machado, professor aposentado da UFBA e da UCSal, fundador do movimento educativo-cultural CEPA – Círculo de Estudo Pensamento e Ação, membro da Academia Baiana de Educação e de Letras e Artes do Salvador e da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris (Mãe do Salvador)

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