jeudi 30 octobre 2014

VARAL DO BRASIL – Oficina Criativa UMA SINFONIA DE AMOR

VARAL DO BRASIL – Oficina Criativa

UMA SINFONIA DE AMOR




Oficina criativa realizada no Grupo do Varal do Brasil no Facebook
Cidade grande, a noite chegara a pouco, quase esmaecida pelo cansaço diurno. O vento leve soprava das ruas as folhas das árvores, que teimavam em cair e varria os vestígios de mais um dia atribulado. No ônibus, de volta para casa após um longo dia de trabalho. Adele, jovem esguia, morena, de grandes olhos castanhos, que combinavam de forma discreta com os seus longos cabelos lisos e negros, cortados na altura dos ombros. Seu rosto de pele aveludada completava o conjunto dando-lhe uma beleza ímpar. Absorta em seus pensamentos observa pela janela o resto do dia que se esvai em luzes, que borram o céu com um amarelo brilhante, devido à velocidade do veículo.
Em que estaria pensando tão bela criatura? Pensava nas circunstâncias, que emulam o seu pensar. Dentro de suas lembranças, só existia a imagem de Rômulo, seu primeiro namorado. Graças às lembranças, não sucumbiu às ondas de tristeza e desânimo, quando tudo parecia perdido. Fixou seu olhar no desejo de poder encontrá-lo novamente... O ônibus parou onde ela precisava descer, seguiu seu caminho, com o vento batendo na face, acreditando que não há lembranças erradas. Seria só aguardar que reverberem e iluminem seu pensar com a chama dos sentimentos, que é o que move as lembranças.
Caminhou por mais alguns segundos e se encontrou com Rejane e Alceu, que andavam em sua direção, de mãos dadas. Triste por estar pensando em Rômulo, nas lembranças que surgiram em sua mente, que abrolhavam um pouco apagadas, pois, passara muitos anos. O que conversaria com os amigos? Eles tinham uma importante novidade e também um convite. Ao avistarem a amiga, logo acenaram entusiasticamente. Adele respondeu ao aceno sem muito entusiasmo, mas esboçou um discreto sorriso que escondia a saudade que amargava em seu peito. Rejane e Alceu iriam se casar em seis meses e gostariam que ela fosse a madrinha.
Dados os fatos, ela ainda meio aturdida desceu rapidamente um lance de escada, na rua um caminhar a esmo, brigando com seu amor próprio, inevitavelmente até os mínimos detalhes voltam. Como pude crer durante todos esses anos que ele me amava? Agora analisando os mínimos detalhes, a cortina cai e começo a entender tamanha frieza. Minhas forças esgotaram e eu não tenho ânimo para continuar lutando por um amor e sentir que não sou correspondida. O que fazer em meio à tão grande decepção?
Com esse sentimento de aflição Adele chega em casa e se joga no sofá completamente exausta. Amanhã será um novo dia, pensou. Ao adormecer, como num filme ela relembra todos os momentos que viveu com seu grande amor. Lembra como se conheceram... Foi em uma tarde de verão, seus olhos se encontraram e logo começaram a namorar. Ternuras contidas na memória que a levavam com ternura, a procurar recordações dentro do seu pensar e viajar com elas, à procura do passado. Enternecida, voltou seu pensamento para as lembranças e vislumbrou a pessoa de Rômulo ali dentro. O telefone tocou, ela se levantou e era Rômulo. Disse alô tentando disfarçar a ansiedade, com medo de parecer pedante e de dizer algo que depois se arrependeria; ficou ouvindo atenta segurando o telefone com as mãos trêmulas, o que ouviu a fez praticamente cair de volta no sofá.
Aquela voz suave, mas ao mesmo tempo envolvente... Como pudera deixar esquecida a emoção que sentia toda vez que a ouvia. Foi um breve alô, nem entendera direito o recado, depois um silêncio e o barulho do telefone ao desligar. Descrever a paixão de sua vida era muito simples: Rômulo era um rapaz alegre de sorriso sedutor, que fazia com que seus olhos castanhos bem claros contassem muito de sua alegria tão característica. Alto, ombros largos, cabelos curtos bem lisos que lhe caiam na testa de forma insistente. Suas mãos eram grandes e ao segurarem as minhas, me faziam sentir protegida. Por que deixei a emoção embotar os meus sentidos?
E, mais que tudo, acredito no amor e na semelhança entre iguais. Creio que não há limites ou distâncias, quando as pessoas se reconhecem pela alma. Por que deixei a emoção tomar conta do meu sentimento? As lembranças mostram-me que milagres existem. Ternuras, amor, podem sim, nos fazer crer que, às vezes o mundo conspira de forma mágica, nos ligando a outro ser. Nisso o telefone toca, é Rômulo novamente, dizendo que a ligação havia sido interrompida, querendo lhe fazer um convite, para que juntos, fossem padrinhos do casamento de Rejane e Alceu. Mesmo acreditando na beleza, que é viver e presenciar esses grandes milagres, ficou muda. Adele, não responda agora. Pense com carinho, pense somente em nossos amigos. Rômulo desliga antes que ela se recupere da emoção. Como encontraria forças para seguir até o altar levada pelo braço do homem amado? Seria torturante, não conseguiria conter as lágrimas. E depois viriam os momentos da festa, a dança, as fotos. Não, seria demais. Enterrando os dedos nos cabelos, desolada, resolve tomar um calmante e deixar que o torpor do falso sono a envolva.
Dia seguinte, manhã radiante, Adele depois de uma boa ducha e um gole de café, sentiu-se reanimada, com seus pensamentos voltados a Rômulo relembra seu convite. Era tudo que precisava, seria uma oportunidade, destino? - Pensou, afinal se ele telefonou... Escolheu uma roupa mais alegre do que normalmente fazia para trabalhar e saiu apressada. Queria prolongar a animação e já dentro do ônibus ligou para Rejane. Em poucas palavras contou do telefonema e combinou com amiga um encontro com todos os padrinhos para combinarem os detalhes práticos. E assim dava um empurrão no destino, acelerando o momento do reencontro.
Já na empresa, ainda pela manhã recebeu uma mensagem da amiga, com o endereço e o horário combinados com todos os interessados. Seria dali a dois dias. Adele sorri e passando a mão no peito sussurra: — Fique preparado, amigo querido. Vieram-lhe lágrimas aos olhos, muita saudade e abriu com todo desvelo, uma gaveta do escritório, onde guardara as recordações de Rômulo. Eram coisas que faziam parte da vida dos dois, com carinho acarinhou tudo aquilo, que mostrava a ela, por onde passaram. Deixando a saudade para trás pensou: Foi a mais linda época em que vivemos, onde ultrapassamos os obstáculos e vencemos tudo e todos, por um verdadeiro amor que era o nosso... Ficou parada, dentro dessas lembranças a esperar pelo dia do reencontro com Rômulo.
Haja coração para aguentar tamanha emoção. Repleta de interrogações, mal conseguia controlar os seus batimentos e olhando a paisagem pela janela do escritório começou a ensaiar quais seriam as suas primeiras palavras ao revê-lo. Olá, que bom encontrá-lo aqui... Não, o ideal seria algo mais formal como: Olá quanto tempo... tudo bem com você? Claro que não, melhor mesmo é esperar o que ele tem para dizer e depois só responder. Isso, assim o farei. A expectativa desse reencontro a deixava ansiosa e temerosa do que estava por vir. O remédio é esperar e ver o que acontecerá.

Já estava na hora de deixar o escritório e voltar para casa. No caminho, dentro do ônibus, pensou: - Eu e o tempo passando em minhas lembranças. Há algum tempo, encontrei-me com Rômulo em meus sonhos e eles me foram agradáveis. Sonhei fui feliz, atravessei essa fase, tendo o coração sempre aberto para a felicidade... Só encontrei dentro do meu sonho, vontade de encontrar-me com Rômulo... Não guardo mágoa, nem raiva... O mundo gira, dá tantas voltas... Nisso, chegou o ponto, o ônibus parou e desceu e caminhou pensativa em direção à sua casa. Quando lá chegou havia um recado de Rômulo na secretária eletrônica: - Adele, vou lhe esperar ansioso, estou louco para lhe encontrar! Ela ficou perdida em suas lembranças: - Eu e minhas lembranças sabemos que, assim, é a vida, passa tão rápida que nem nos damos conta. Tantas coisas acontecem e, ao mesmo tempo, parece que foi tudo ontem...
Ela estava ansiosa e caminhava pelo quarto. Muitas emoções envolviam a sua atitude. Foi ao guarda roupa e olhou sem definir qual traje usaria. Vestia uma a uma e se olhava no espelho, tentando encontrar algo que fosse discreto e sensual, que caísse bem em seu corpo.
Durante um bom tempo ficou absorta em seus devaneios, até que o telefone tocou. O coração acelerou e imaginou o que diria se fosse o Rômulo. Correu para atender com o coração acelerado. Mas com um ar de decepção, percebeu que era Rejane para combinar os detalhes da reunião.
Desde que chegara em casa não pensava em outra coisa senão na conversa que teria com ele, seu antigo amor. Finalmente escolheu um vestido bem discreto num tom azulado, que combinava com a sua pele e olhos. Queria se sentir bonita e de bem com a vida. Deixou tudo separado para o dia seguinte e deitou-se mergulhada em seus pensamentos. Já nem se lembrava mais direito o motivo da separação, só sabe que naquela noite após uma discussão, ao levá-la para casa, ele parara abruptamente o carro e ela descera sem sequer dizer adeus...
Pois Adele tinha um genio forte! Rômulo sempre a amou, para ele, não importava, sequer, a longitude se eles se conheceram e se amaram no primeiro encontro...
Mas, Adele ignorava isso e pensativa:- Eu quero ir para o futuro, carregada somente dos sentimentos bons, pois, eles não me sobrecarregam, nem me impedem de viver, de seguir em frente. O meu orgulho é ser inteira, sair sempre integra. Rômulo soube me enxergar de verdade por meio do carinho, que, por mim, sentiu e me encantou. Ele veio como um raio azul, como se fosse um presente. E, eu não soube valorizar.
O que ela jamais poderia imaginar é que Rômulo, assim como ela tinha suas lembranças e também nutria emoções diversas. Ele sempre a amou. Ela era a mulher de sua vida. O destino fez com que se separassem, mas, ele também nutria um desejo secreto. Ele sabia que era impossível trancar desejos em armários ou gavetas. Eles saem por qualquer buraquinho, pelas frestas fazem festas e voam sem freios. Ninguém doma os desejos, ninguém os segura, pois, teimosos, lá vão eles ousando ser desejos, sempre. Ele não via a hora de se encontrar com Adele. Para ela, com certeza seria uma noite difícil de dormir, devido aos pensamentos que insistiam em atrapalhar o seu sono. E se ele tiver alguém, sabia tão pouco a seu respeito desde a separação. Olheiras era tudo o que ela não queria para o dia em que veria Rômulo outra vez, depois de tanto tempo. Após um banho bem quente, se vestiu, tomou um chá e se jogou na cama debaixo das cobertas, o sono com certeza há de vir - pensou. Sentiu a danada da insegurança e a noite foi insone.
Vieram-lhe a mente, cenas imaginárias do casamento de Rejane e Alceu. Rejane era uma linda moça, alta, cabelos loiros, olhos azuis e Alceu, um rapaz alto, cabelos castanhos, olhos castanhos, formavam um lindo casal de dar inveja a qualquer mortal! Ela imaginou que entraria na igreja, levada pelos braços de Rômulo, mas a danada da insegurança se instalaria nela e, entraria arrastada junto com suas pernas trêmulas e tropeçaria no vestido longo, que as envolvia. Só não cairia porque Rômulo a seguraria em seus braços... Mas, com esse sentimento antagônico, no meio dessa danada da insegurança que ela sentia, tinha várias certezas...
Desde que telefonara para Adele, Rômulo remoia o passado. Era como assistir a uma peça onde os dois protagonistas esqueciam o texto e perdiam-se em seus papéis. Revia a entrada de Laís em cena, personagem sedutor criado para apimentar o roteiro, que se desgastara após tantos anos de encenação. E a atriz principal atravessava o palco e saía de cena sem esperar o cair das cortinas.
Rômulo sem querer lembrou-se do que provocara o súbito rompimento da sua relacão com Adele. Como pode se envolver com Laís a estagiária que ficara tão pouco tempo na firma e estragara um relacionamento de tantos anos, apenas com olhares e gestos sedutores. De fato nem havia se envolvido com ela, fora somente uma paquera inconsequente. Mas Adele descobriu tudo por meio de Rejane e Alceu, durante uma festa em que todos estavam juntos. Na volta para casa aconteceu a separação.
Mas, uma das certezas que Adeli tinha, era de que Rômulo a amava e voltou sua mente para as lembranças: A vida foi feita para vivermos juntos, para sempre. Acontece que as lembranças se metem em coisas corriqueiras da vida, algo que elas me mostram, como o caso que Rômulo quase teve com Laís. Não! Não quero lembranças assim, prefiro a vida como ela é... Se as lembranças não quiserem aparecer, que fiquem escondidinhas, dentro do meu pensamento, deixando a vida me levar, para os braços de Rômulo.
Ando na periferia das lembranças, caminhando em propostas de dúvidas, coisas corriqueiras, natural das lembranças.  Embora eu teime em viver relembrando, a realidade bate, mais uma vez, à minha porta. E, mesmo que eu recuse a atender, ela grita lá de fora, com o dedo em riste na minha direção: O amor ou a vida sem ele?
Já de manhã, vestida para o encontro, Adele se olha no espelho e gosta do que vê. Nem parecia que passara a noite quase em claro envolta em pensamentos. Deu uma arrumada no cabelo, retocou o batom e saiu rumo à cafeteria onde se encontraria com Rejane, Alceu e Rômulo, com a esperança de que tudo corresse bem. Foi a primeira a chegar, examinou o local aconchegante e resolveu escolher uma das mesinhas embaixo do gazebo florido. Rezava para que Rejane tivesse chamado os outros casais. Assim seria mais fácil o reencontro. Chamou o garçom, pediu uma água e procurou relaxar.
 Não viu quando Rômulo estacionou o carro, do outro lado da rua e veio andando devagar, pensativo e tenso. O jovem parou na calçada e, através da cerca viva que enfeitava a entrada, ficou observando a amada. Continuava tão bonita como em suas lembranças.                      O vestido discreto escondia o corpo macio que incendiava seus sonhos. A energia do olhar quente de Rômulo fez o coração de Adele disparar e as mãos gelarem. Conhecia essa sensação, era a proximidade dele. Levantou a cabeça lentamente, os longos cabelos formaram uma cortina com o movimento e através dos fios negros encontrou os olhos apaixonados. Foi só uns segundos de emoção forte, em que parou de respirar e já viu Rejane abraçando Rômulo e acenando para ela.
Seu coração parecia sambar dentro do seu peito, tamanha emoção. Depois de tantos anos parecia que o tempo não passara e que seu sentimento continuava o mesmo. Quanto mais se aproximavam da sua mesa, mais ela sentia seu corpo todo tremer. Com certeza não sabia o que dizer, ao mesmo tempo em que sua mente lhe ordenava calma. Seus olhos não conseguiam desviar-se um do outro e diziam tantas coisas de forma silenciosa e contundente. Era um momento tenso com certeza, melhor seria esperar que ele lhe dissesse algo. E assim foi.
Adele acenou timidamente. Foram momentos de angústia, de desespero mesmo, que parecia estar em uma verdadeira tempestade. Mas, ela tinha necessidade de atravessar aquela tempestade e conseguir sobreviver, lutando com seus sentimentos. Vontade ela tinha de correr e se dependurar no pescoço de Rômulo. Mas tinha certeza de que, quando conseguisse vencer a tempestade, não seria mais a mesma pessoa.
Naquele instante, passou um filme em sua cabeça. Relembrou momentos felizes, como o da noite em foram ao cinema, anoitecia. Já no carro, Rômulo deixava entender, que queria avançar o sinal. No fundo, estava gostando daquelas carícias. Suas mãos suaves percorriam as suas coxas. A brisa suave da noite penetrava por uma pequena abertura da janela do carro. Com jeitinho afastava ligeiramente aquelas “mãos bobas” e, ainda bem, “teimosas”.
Durante o trajeto, percebia que as vozes se calavam aos poucos e naquele silêncio, a respiração começava a se fazer, cada vez mais, ofegante. De repente, se deu conta que as lágrimas escorriam. Passou um lencinho nos olhos, devagar, com receio de borrar a maquiagem.
Quando se aproximaram, Adele já havia se recuperado e recebeu-os com um lindo sorriso. Abraçou Rejane e não sabia direito o que fazer com Rômulo. Ele num impulso abraçou-a e ela se deixou abraçar, sem esboçar qualquer gesto de rejeição. Assim ficaram por alguns instantes, não se deram conta de que o abraço estava demorando mais do que o necessário. Sem graça ele soltou-a e perguntou como ela estava no que recebeu uma resposta tímida de estou bem e você? Sentaram-se, mas seus olhares não conseguiam desviar-se. Rejane percebendo a situação falou com a voz mais alta do que o normal, que os outros convidados já estavam atrasados
Adele após aquele abraço, para ela tão significativo, precisava mais do que nunca mostrar-se confiante, principalmente porque estava em jogo seu futuro, seus sonhos. Em algum lugar; leu uma frase: Sonhos não morrem adormecem. Então... ela pensou: Quem nunca teve esperança, aguardando os sonhos se transformarem por um milagre? Tenho que alçar voos altos e abraçar os meus sonhos, ir à luta, conquistar os que ficaram no passado. Seus sonhos estavam logo ali, a iniciativa teria que ser dela e só alcançaria o sucesso, se entrasse em ação e fizesse os sonhos acontecerem.
Já ia perguntar à Rômulo se ele estava comprometido com alguém, quando os outros convidados chegaram. A chance fora desperdiçada. A conversa espalhou-se entre risadas e cada um ficou sabendo qual era o seu papel na cerimônia do casamento de Rejane e Alceu. Adele entraria de braços dados com Rômulo e desse modo permaneceria durante todo o casamento. Com certeza aí tem coisa combinada entre Rômulo e os noivos. Só agora ela se deu conta disso...
Mas, ficou super feliz! Parada, dentro de sua imaginação, imaginou que seria muito bom, se antes de adentrar o átrio do templo, ao subir a escadaria de braços com Rômulo, tropeçasse em seu vestido e rolasse escada abaixo... Assim, Rômulo a carregaria no colo e ela poderia sentir o batimento do seu coração, pois ela acreditava no seu amor.
Tinha certeza, que o amor irrompe o fracasso, para fazer da sua natureza, o que desejamos...
Envolta em seus pensamentos, não escutou a pergunta feita à ela. Então ele repetiu: Pode ficar um pouco mais aqui comigo, gostaria muito de conversar um pouquinho com você... Adele estremeceu e de forma impensada, sem coragem, respondeu que teria de ir ao trabalho, pois já estava muito atrasada, numa outra oportunidade, quem sabe. Que tola, pensou. Perdera a oportunidade de conversar com ele. O jeito era tentar em outra ocasião. Agora ela teria de tomar a iniciativa...
Chegando ao escritório ligou para Rômulo, emocionada e trêmula, disse que poderia encontrá-lo logo após o trabalho... Ele respondeu que estava ótimo, poderia pegá-la no trabalho logo mais. Adele desligou o telefone e falou com ela mesma: Quero impregnar em mim, o que fui, o que tive, quero seguir leve, pelo mundo do amor, juntamente com Rômulo...
O dia se arrastou de modo cansativo, as horas não passavam e a expectativa do encontro deixava Adele ansiosa e um pouco temerosa do que estava por vir. Finalmente o relógio marcou dezoito horas e ela conferiu no espelho se seus belos cabelos estavam arrumados, passou baton e saiu. Na rua, encostado no carro estava Rômulo, pontual como sempre fora. Como estava lindo, os anos passaram e ele continuara um homem charmoso, embora seus cabelos já apresentassem alguns fios de cabelo branco. Com passos incertos ela desceu os degraus que a separavam da rua e chegou perto dele. Ao olhá-lo descobre que seu amado Rômulo trazia nas mãos flores. Adele com um sorriso que a deixara mais bela recebe o presente com cheiro de amor e sinceridade.
Apesar do clima suave e tranquilo que se estabeleceu entre eles, sabiam que tinham de resolver problemas pendentes. Conversaram durante longas horas, questionaram tudo que não ficara esclarecido. Afinal anos de relacionamento acabara-se tão abruptamente e sem nenhuma explicação, somente aquilo que lhe contaram. Nem sequer ouvira o que Rômulo tinha para dizer. Finalmente com tudo esclarecido, eles poderiam tocar a vida para frente, pois se amavam. Exaustos, porém felizes marcaram um jantar para no dia seguinte comemorarem a volta do amor e da alegria de estarem juntos novamente.
Chegou o dia do jantar, Rômulo com suas ardentes intenções, a pede em casamento: - Adele, você sempre foi a mulher da minha vida, gostaria que o nosso casamento fosse no mesmo dia de Rejane e ALceu. Adele assustada responde: - Mas é impossível! Não tenho nada preparado! Mas, Rômulo diz a ela, para não se preocupar, já havia comprado o seu vestido de noiva, pois o desejo dele era tê-la para o resto da vida ao seu lado e o apartamento, já estava comprado, os dois escolheriam os móveis juntos e a decoração, ela poderia fazer do gosto dela. Mas, o casamento só poderia ser dali a alguns meses, para dar tempo de arrumar tudo. Rômulo concordou e ficou super feliz, por ela ter aceitado o seu pedido de casamento. E, ela, por sua vez, esqueceu sua altivez e o romance voltou.
Ela procurou a amiga, contou sobre o encontro e a decisão tomada. Disse achar o tempo curto demais. Rejane disse que ainda faltavam cinco meses para o seu casamento, tempo suficiente para que corram os proclamas e tudo o mais. Adele suspirando, diz a amiga que não era dessa forma que sonhava com o seu casamento. Queria uma cerimônia muito simples, no campo, com flores e sol, uns poucos amigos e familiares. Queria escolher seu vestido, ser dona de sua emoção, por completo.
Fale com ele então, nada impede que se casem um dia antes de nós. Do jeitinho que sonhou, com tudo o que merece e assim já assinará o novo sobrenome no registro do meu casamento! — diz Rejane, toda empolgada. Mais animada, Adele procurou Rômulo e lhe falou tudo o que gostaria para o casamento. Ele concordou, afinal queria vê-la feliz e não correria o risco de perdê-la novamente. Quanto ao vestido era só escolher o modelo que ela mais gostasse, pois já estava pago. Com tudo isso acertado, papelada, cartório, sitio para o casamento no campo, padre, cerimônia religiosa, tudo sendo contratado e preparado de acordo com o desejo dos noivos. Adele não cabia em si de tanta alegria, afinal ela se casaria com o homem que tanto amava. Com isso o tempo foi passando...
Os preparativos tomaram seu curso e finalmente chegara o dia do casamento. Adele não cabia em si de tanta felicidade. Estava linda em seu elegante vestido branco, simples, justo ao seu corpo, deixando sua silhueta marcada, costurado com pequenas gotas que brilhavam conforme a luz e uma bela tiara de flores do campo que combinavam com o buquê que trazia nas mãos. Rômulo a olhava com doçura e pensava em como estava deslumbrante sua futura esposa.
Adele iniciou seu trajeto até o altar, montado ao lado de um lindo jardim, com os olhos marejados de lágrimas. A emoção era visível! As daminhas ornavam seu caminho com pétalas de rosas, e, ela andava com se estivesse flutuando sobre as nuvens. Rômulo, a cada passo que a aproximava dele ficava mais encantado. As mãos estavam geladas e sua imaginação voava nas lembranças.
Estava tudo muito lindo e a alegria de todos pairava no ar. Rejane e Alceu eram os padrinhos e estavam felizes por serem responsáveis pela reconciliação do casal. Rômulo em seu terno azul trazia na lapela uma flor do campo igual às do buquê dela. Cabelo bem penteado e olhos que brilhavam mais que os vagalumes em noites de verão. Um bonito casal.
Adele com seus cabelos negros e os olhos castanhos claros, brilhavam mais que a luz do sol, que refletia em seus cabelos. Um passo depois o outro, a altivez e um passo mais calmo... Ao se aproximar do altar, onde ele a esperava para ir ao seu encontro, pegou em suas mãos, que estavam geladas e deu-lhe um beijo na testa. A cena foi tão linda, que todos os convidados ficaram com os olhos marejados de lagrimas.
A cerimônia começou e fez-se um silêncio quase total, só quebrado pelo canto dos passarinhos que voavam de um canto ao outro. Todos queriam ouvir a fala dos noivos. Quando o padre perguntou à Romulo se aceitava Adele como legítima esposa, ele gaguejou de emoção e disse lógico que sim. Todos acharam graça de sua afirmação. Na vez de Adele, duas lágrimas brilhantes caíram de seus olhos e rolaram pela face indo parar em seus lábios, que já pronunciavam um sim emocionado. Depois um beijo apaixonado selou a promessa de uma vida feliz e repleta de amor. Voltaram-se para a porta e começaram a caminhar, agora sem tropeço, sem nada a impedir que caminhassem juntos, de mãos dadas, para o resto da vida.
A primavera havia chegado naquele dia, o perfume das flores podia ser sentido por todos e Adele, perfumada dela mesma, junto a Rômulo seguiram rumo à festa, que os amigos Rejane e Alceu haviam preparado. Estavam felizes por eles e pelos amigos, que se casariam no dia seguinte e eles seriam os padrinhos. Depois viajariam em lua de mel, sentindo a doçura do amor e não o fel do rancor. 



ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...