mercredi 1 octobre 2014

Era Minha Mãe



Era minha mãe ali sentada.
Sim, posso dizer pois por anos observei-a ali.
Lia concentrada, livros e mais livros
que depois comentava com fervor.
Costurava pequenas peças, dava forma
a sonhos desenhados pela imaginação.
Era ela ali, sentada, olhos fixos tantas vezes
num futuro que ela pensava baixinho
e nem era para ela o tal futuro
mas para seus filhos.
Olhava estes filhos e amava estes filhos
e com o olhar de amor e palavras sábias
educava a nós, os filhos.
Era ela, mãe de rosto límpido
cujas rugas chegadas com o tempo
apenas acrescentaram beleza
aos seus traços inesquecíveis.
Era ela ali, sentada, já parecida com sua própria mãe...
o sorriso que vinha dos lábios e alargava o olhar...
a voz que sabia ser calma e tão forte.
Era ela, minha mãe, era ela.
Mãe que hoje busco e encontro apenas
nas lembranças, tantas lembranças!, que guardo
num coração repleto de lágrimas.
De saudade, as lágrimas; nunca de tristeza.
Era minha mãe sentada ali naquele canto.
E o vulto passando, indo e vindo, sorrindo, chorando,
primeiro criança, depois adolescendo, depois adulto
depois tão igual a ela...
o vulto tentando
nunca apagá-la dali... este era eu.

Poema de Jacqueline Aisenman
Imagem by LanWu

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