lundi 26 mai 2014

LUGARES-COMUNS

Por Emanuel Medeiros Vieira

                                                  (Citações)
                               (Carta – em forma de prosa poética? – em memória de Nilto Maciel)
“Há criaturas como a cana. Mesmo postas na moenda, esmagadas de tudo, reduzidas a bagaço, ainda sabem dar doçura.”
                                             (Dom Helder Câmara)
“Se houver uma eternidade, estarei nela em danação”, escreveu o poeta Ted Hughes (1930-1998), sempre acusado pelo suicídio de sua mulher, a também poeta Sylvia Plath (1932-1963).
Que eternidade é essa?
E seguimos.
Rios, mares, dias, velórios, celebrações.
Segundas, terças, domingos.
Consolo-me em saber que os estádios da Copa não durarão como o Coliseu (li em algum lugar: vivo transcrevendo, vivemos “copiando” outros”).
Ainda vale a pena escrever, Nilto?
Alguém se importa?
“Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu tinha de mim mesmo”.
                                    (Jean-Paul Sartre)
Os líderes esquerdistas de hoje mostram um alarmante disposição para adotar as técnicas da velha direita.
“Chato repetitivo, moralista, ideológico” – escrevo prosa e cito demais.
“Passada a provação
Vejam só sua alvura.”
(Ho Chi Min, falando do arroz no pilão)
Envelhecer.
“Não se lamente por envelhecer. Este é um privilégio negado a muitos.”
                                   (Marta Parks)
Perdoem a enxurrada de citações.
Nilto, um grande abraço.
Não vejo, sinceramente, um bom futuro para este mundo. Mas toquemos em frente.
Há sol, há pássaros, um menino e seu boné – esta vida estupidamente finita, rápida.
O absurdo nos despertará?
Perco Deus. Encontro Deus. E tudo o que é humano parece me (nos) escapar.

(Brasília, maio de 2014)

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