mardi 22 avril 2014

Anaximandro Amorim viaja no tempo em seu novo livro





O escritor lançará nova antologia de crônicas e contos no próximo dia 24,
durante o Café com Letras, do Shopping Norte Sul, em Vitória


Num passado já distante, muito antes da invenção da imprensa pelo alemão Johannes Gutenberg no século XV, a crônica nasceu como relato, em ordem cronológica, de fatos históricos. Com o tempo, transformou-se em breve narrativa sobre assuntos diversos do cotidiano – pinçados do dia a dia do cronista, de suas reminiscências ou do noticiário. No Brasil, ganhou contornos literários pelas mãos de autores como Machado de Assis, José de Alencar, Manuel Bandeira e Rubem Braga – este considerado o pai da crônica brasileira moderna.

É sobretudo por esse gênero que transita o novo livro do escritor Anaximandro Amorim, “A Máquina do Tempo e Outras Histórias”, antologia que reúne 46 textos, entre crônicas e contos. Premiada pela Lei Rubem Braga, da Prefeitura de Vitória, e publicada pela Editora Pedregulho, a obra será lançada no próximo dia 24 (quinta-feira), a partir das 19 horas, durante o Café com Letras, no Shopping Norte Sul, em Jardim Camburi, Vitória. No evento, além de bate-papo com o autor, haverá apresentação musical de Marcos Trancoso e participação do ilustrador Caio Cruz, que criará desenhos ao longo de todo o encontro.

Com prefácio da jornalista e cronista Jeanne Bilich, o livro apresenta recortes do dia a dia, retratos em prosa do cotidiano, escritos entre 2002 e 2012 para antologias, revistas, jornais, seu extinto blog e seu site oficial (www.anaximandroamorim.com.br), no qual publica a cada quinzena. Os temas abordados são variados, contudo, o tempo, inevitavelmente, perpassa todas as crônicas – sobretudo aquelas por meio das quais o autor viaja ao passado. Anaximandro, porém, afirma ser nostálgico na medida certa. “Gosto do presente. Ele é minha referência com relação ao tempo que vivi e o que terei pela frente. Bom mesmo é o presente pois, a partir dele, posso ter histórias para crônicas, crônicas e mais crônicas...”, diz ele, que também é membro da Academia Espírito-Santense de Letras (Ales).

Esses 46 escritos foram agora reunidos na antologia a pedido de amigos e familiares, que gostariam de tê-los no bom e velho formato do livro de papel – ainda que os tempos atuais apontem cada vez mais para os suportes digitais. O título, a propósito, vem de uma crônica de 2010, “A Máquina do Tempo”, escrita após deparar-se com uma mulher datilografando dentro de uma agência bancária. “Tudo isso ativou a minha memória afetiva e transformou a imagem da máquina de escrever em inspiração”, conta ele, que pegou emprestada a Olympia de sua mãe para ilustrar a capa do livro.

A máquina de escrever foi um presente do avô de Anaximandro à mãe dele, no início da década de 1960. Historiadora e professora, ela aprendeu a datilografar e fez muitos trabalhos e elaborou provas com a autêntica Olympia – importada da antiga República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental). “A máquina está em perfeito estado de conservação e significa muito para mim. Com ela, aprendi a digitar e fiz meu primeiro escrito, em 1988. Foi uma pecinha teatral chamada ‘Chico Palito’, adaptação do livro infantil homônimo da escritora Cristina Porto.”



Celebração

Filho de pai advogado e mãe historiadora, Anaximandro nasceu em Vila Velha (ES), em dezembro de 1978. Cresceu entre livros e, desde muito cedo, foi incentivado a ler – de gibis a grandes clássicos da literatura. A escrita, desse modo, surgiu como decorrência natural da leitura, e o autor, neste 2014, comemora duas décadas dedicadas à literatura.

Adolescente, lançou aos 15 anos seu primeiro livro, “Brasil de Ontem, Hoje e Sempre”, no dia 14 de maio de 1994, no estande do antigo Departamento Estadual de Cultura (DEC), durante a Feliv 94. A obra é um longo poema de 69 quadras em versos livres e brancos, que remetem à História do Brasil. Desde então, publicou poemas, contos, crônicas, os romances "Asas de Cera" e "Concupiscência" e o relato autobiográfico "A História de um Sobrevivente". Em 2013, lançou "O Livro dos Poemas", que reúne versos escritos entre 1995 e 2012.

“Já me aventurei por quase tudo: poesia, conto, crônica, romance, roteiro... ultimamente, tenho me dedicado muito à crônica, publicando no meu site e também em jornais e revistas de grande circulação, como ‘A Gazeta’ e as revistas ‘Direito e Atualidade’ e ‘Varal Literário’, da comunidade brasileira na Suíça, além de outros veículos. Gosto muito, também, do romance. Tenho dois inéditos, além dos dois já publicados”, conta.

Advogado, professor de francês e aluno de pós-graduação, Anaximandro impôs a si mesmo o exercício quinzenal da escrita, a fim de “manter a forma”. A princípio, rascunha o texto mentalmente pelo tempo que julgar necessário. “Só ponho o texto no papel quando ele já está me ‘incomodando’. No gênero crônica, em geral, inspiro-me no dia a dia. No caso do romance, tento partir de alguma premissa verossímil, interessante. Daí, só vou para o computador quando tenho um indício de princípio, meio e fim, com personagens, tramas e subtramas. Nesse caso, sou bem cartesiano. Meu último romance, inédito, levou cinco anos para ser concebido.”

Lançamento de “A Máquina do Tempo e Outras Histórias”

Quando: 24 de abril (quinta-feira), a partir das 19 horas

Onde: Shopping Norte Sul, Jardim Camburi, Vitória, dentro do projeto Café com Letras
Durante o encontro, haverá bate-papo com o autor, apresentação do músico Marcus Trancoso e participação do ilustrador Caio Cruz

O livro será vendido a R$ 20,00, no lançamento, e R$ 30,00, após.

Entrada gratuita


ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...