mercredi 5 février 2014

Comédia dramática policial abre o Festival de Berlim

Rui Martins, de Berlim

Não é só Chico Buarque que gosta de Budapeste. O festejado cineasta americano Wes Anderson, que estudava filosofia mas acabou entrando no mundo do cinema com curtas-metragens, transformou um hotel frequentado por Vips, no palco de uma comédia policial um tanto dramática com muita ação.

Trata-se de O Grande Hotel Budapeste, co-produzido por americanos e alemães que, embora ainda inédito, parece ter tudo para ser sucesso de bilheteria. A rigorosa seleção de Berlim não só colocou o filme na competição internacional como o escolheu para abrir hoje, o 64. Festival de Cinema.

Maneira flairplay de iniciar a exibição de cerca de 400 filmes repartidos em diversas mostras, dos quais sobressai uma tendência geral voltada para uma época nada alegre, que precedeu a Segunda Guerra Mundial, na qual a ascenção do nacionalsocialismo alemão lançou a Europa na guerra, provocou o genocídio do Holocausto e deixou como saldo a destruição.

Simples exercício de memória com o filme de abertura inspirado em Stefan Zweig ou premonição diante de um atual clima europeu de crise, em que ressurgem o nacionalismo aliado ao populismo e à extrema-direita, enquanto se reforçam as políticas de rejeição aos imigrantes ?

George Clooney leva a Berlim seu filme The Monuments Men, no qual é diretor e ator principal, com Matt Damon, contando a verídica história de um grupo de americanos, ingleses e franceses, especialistas nas diversas manifestações artísticas, obras de arte, curadores e diretores de museus para proteger o patrimônio artístico europeu da rapina e da destruição pelos nazistas.

Como não há limite de idade para realizadores, Alain Resnais, o veterano diretor francês de 91 anos, vai a Berlim com seu filme Amar, Beber e Cantar, estrelado pela esposa e fiel atriz Sabine Azema, baseado numa peça teatral inglesa.

A atriz Léa Seydoux, considerada depois do filme A Vida de Adèle, como a nova Brigitte Bardot interpreta o papel principal na nova versão de Christophe Gans da Bela e a Fera, e tem participação no filme de abertura.

Atração especial é o filme de Lars von Trier, Ninfomaníaca I, na sua versão integral, com Charlotte Gainbourg. Depois da entrevista em Cannes que provocou sua expulsão, aguarda-se o diretor dinamarquês para falar sobre sua visão de sexualidade.

Um Urso de Ouro será entregue ao cineasta Ken Loach « pela maneira como retrata com humor as injustiças sociais », disse o diretor da Berlinale Dieter Kosslick. Homenagem acompanhada de uma retrospectiva de seus filmes.

Concorrendo na Competição Internacional será exibido dia 11, ao meio-dia, diante da crítica, o filme Praia do Futuro, de Karim Ainouz, com o ex-comandante de Tropa de Elite, filme premiado com Urso de Ouro, Wagner Moura, numa história de amor gay.

Três outros filmes brasileiros longa-metragens participam do Festival de Berlim – Castanha, na mostra Fórum, de Davi Pretto, documentário sobre o ator gaúcho transformista ou transsexual, João Carlos Castanha; na mostra Panorama, o filme Hoje em quero voltar sozinho, do cineasta Daniel Ribeiro, sobre um adolescente gay cego em busca de independência; e também na mostra Panorama, O homem das multidões, de Marcelo Gomes e Cao Guimarães dá uma estrutura brasileira a um conto de Edgar Alan Poe.

Enfim, a primeira entrevista de Edward Snowden, depois de refugiado na Rússia, colhida pelo jornalista e cineasta Hubert Seipel, faz parte dos filmes anexados nestes últimos dias à longa lista do 64. Festival de Cinema de Berlim.

Uma mostra paralela, Native, exibirá um filme sobre os índios Guarani-Kaiowá, Birdwatchers ou A terra dos homens vermelhos, uma coprodução italobrasileira, dirigida pelo italiano Marco Bechis, tratando da expansão do agronegócio no Brasil e a reação de indígenas que ocupam uma fazenda instalada em suas terras.

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