vendredi 7 février 2014

Berlim começa em pleno delírio

Por Rui Martins

O filme de abertura do Festival de Berlim é um verdadeiro delírio de Wes Anderson utilizando un tandem – Gustav, o concierge ou mais precisamente o gerente do Grande Hotel Budapeste, vivido pelo ator Ralf Fiennes, e seu fiel servidor, o groom ou lobby boy, Zero Mustafá, interpretado pelo americano Tony Revolori, no papel de um aprendiz indiano.

Gustav conhece e adivinha os desejos de seus hóspedes, todos ricos, num país imaginário dos anos 30 e, por isso, toda a decoração do hotel é fiel à época. Algumas hóspedes dão uma atenção especial a Gustav e uma delas, já idosa, surpreende seus herdeiros ao legar a Gustav uma rara tela renascentista, de valor incalculável. Para evitar que a família esconda o quadro, Gustav o substitue por um quadro de Egon Schiele, que não era valioso na época.

Acusado de ter matado a velha milionária, Gustav é obrigado a deixar o hotel por uma prisão, até participar de um sofisticado plano de fuga, que inclui a utilização de delicioso doces de uma conceituada confeitaria. As aventuras vividas no filme são contadas pelo próprio Gustav, já velho, mas o Hotel tinha perdido sua clientela milionária, vivia às moscas, e pertencia ao Estado comunista.

É constante a presença de militares ZZ numa alusão à ascenção, nos anos 30, do nazismo na Alemanha com sua polícia SS e a suástica assim como à proximidade da Guerra.
Mas tudo isso visto por um texano, como Wes Anderson, que não se esquece de no lugar de perseguições por carros usar moto e trenó na neve. Em síntese, tudo dentro de uma receita própria de Wes Anderson – muita loucura, personagens excêntricos e uma história com lances enigmáticos.

Ao fim do filme, a citação do nome do escritor austríaco Stefan Zweig por ter sido o inspirador. “Esse escritor não é muito conhecido nos EUA, diz Anderson, mas seus livros estão sendo reeditados. Eu li seus livros e especialmente suas memórias inacabadas”. E como um jornalista americano ignorava o escritor, e confessou na entrevista coletiva, é sempre bom relembrar que Stefan Zweig é conhecido, entre os brasileiros pela célebre frase Brasil país do futuro, e que se suicidou em Petrópolis em 1942, ainda durante a Segunda Guerra.


Porém, a admiração de Wes Anderson pelo escritor austríaco não foi a única revelação em Berlim, o realizador afirmou ter sido muito influenciado pelo cinema de Kubrick, do qual também se confessou admirador.

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