vendredi 10 janvier 2014

INVENTÁRIO

(Curta prosa poética de janeiro)
A vida é longa – às vezes
a vida é curta – sempre
a memória dura.
Na parede, um retrato – tantos nomes, tantos rostos,
bigodes, barbas, bonés, tudo o mais.
No coração, o verso de Manuel Bandeira:
“A vida inteira que poderia ter sido e que não foi”.
(Serão os sonhos abortados dos nascidos no pós-guerra?)
É tudo memória.
(Nada de novo perto do sol.)
E nasce o dia – caminhas: verdes, mangas, jacas, amoras, pássaros cantando,
E uma criança sorri para ti.
A vida inelutavelmente finita – ela é assim mesmo, sem  (mais) sonhos napoleônicos.
Há algo maior do que este naufrágio.
Há?
“Tudo ressurge quando tem calor.”
(Miguel Torga)

Brasília, janeiro de 2014 


Por Emanuel Medeiros Vieira

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