samedi 14 décembre 2013

CONCURSO: II PRÊMIO VARAL DO BRASIL DE LITERATURA 2014


CRISTO


                                   NA FESTA, ESQUECERAM DE TI


                                   (Reflexões natalinas não convencionais...)
                                   EMANUEL MEDEIROS VIEIRA
                                   PARA A MINHA FAMÍLIA/ PARA OS MEUS AMIGOS


                                   Não Te chamaram nas catedrais de consumo, fostes escorraçado
                                   no meio de pacotes, eletro-eletrônicos e celulares para a mamãe.
                                   O Papai-Noel é mais relevante que Tu.
                                   Quem quer saber de Ti?
                                   Serves apenas para enriquecer os supermercados universais da fé.
                                   ou Transformaram-te em pretextos para a vaidade de estrelas.
                                   Na quietude desta capela, não preciso dos padres fábios ou
                                   marcelos –  “Xuxas” da Igreja Católica.
                                  Esqueceram de Ti, no meio de um chester, de um peru, de um  
                                  panetone, de uma torta, de um vinho tinto, da confraternização
                                  compulsória.
                                  (E da ressaca do dia 25...)
                                 “Ele está azedo, amargo”. É? Olhem em volta.
                                  Um dia, voltaremos a expulsar os vendilhões do Templo. 
                                  Caíram no oblívio as palavras de Teilhard de Chardin: “Cristo
                                  não é só um acessório acrescentado ao mundo, um adorno, um
                                  Rei como os que nós fazemos, um proprietário (...). É Alfa e
                                 Ômega,  Princípio e Fim.”
                                  E Ele voltará para meditar no deserto.  
                                  Foi em vão o seu Sacrifício? Não: nunca será.  
                                
                                 Prefiro esta capelinha – ouvindo Canto Gregoriano –, com pessoas
                                 quietas, realmente orando, sem  carnavalização, gritos ou aleluias –
                                 então, subam em  trios-elétricos, e continuem com a enganação.
                                 Mas Ele Vive – apesar de tudo. Vive
                                 PS: Não tive a bênção de possuir a fé granítica dos meus irmãos
                                 e irmãs. O Paraíso? Para mim, é a memória afetiva que  
                                 deixaremos nos outros: pelo nosso trabalho e pelo nosso Amor.
                                 Feliz natal, camaradas!   
                                (Brasília, dezembro de 2013)              


Apresentação poética do amigo Dé Barrense


Crônica da Urda


PAPAI NOEL EXISTE ?


Em 1960, eu havia entrada para a escola, a maravilhosa escola que abrir-me-ia as portas para o grande mundo que havia nos livros e, onde, coleguinhas mais sabidos do que eu, ensinaram-me que Papai Noel não existia. Eu encarei com força aquele desvendar de uma nova verdade e, conforme o Natal se aproximava, ficava em casa repetindo impertinentemente:
- Papai Noel não existe! Papai Noel não existe!
Minha irmã Margaret, então, tinha quatro anos, e é claro que minha mãe queria que ela continuasse a acreditar em Papai Noel. Quando eu começava com aquela cantilena boba, minha mãe pedia para que eu parasse, e depois implorava, e depois me ameaçava, mas eu não dava um passo atrás na reafirmação da nova verdade que descobria: Papai Noel não existia, e eu queria que todos soubessem que eu sabia disso.
Meu pai e minha mãe, com certeza, estavam bem de saco cheio comigo e aprontaram a sua cena de Natal.
Na noite de Natal, noite em que nós costumávamos achar muitos chocolates e presentes sob a árvore, jantamos com toda aquela ansiedade que as crianças têm na Noite de Natal, ansiosas por chegar a hora das surpresas. Depois do jantar, minha mãe lavou a louça com toda a calma, como em qualquer dia comum. Depois, abriu as latas de doces-de-Natal e encheu alguns pratos com eles. Com mais calma ainda, levou os doces para baixo da árvore-de-Natal e os colocou lá, enquanto meu pai acendia as velas do pinheirinho. Ai sentaram-se a conversar, como em qualquer dia comum, e nesse ponto eu já estava explodindo. Minha ansiedade era tão grande que não resisti:
- E o Natal?
- Ora, nós estamos festejando o Natal! A árvore já está acesa, já temos os doces que fizemos...
- E os chocolates? E os presentes?
- Ah! Isto são coisa que o Papai Noel traz! Como Papai Noel não existe, como é que ele vai trazer tais coisas?
Se alguma vez senti frustração na vida, foi naquele momento. Onde estava o meu Natal? Onde estava o encanto dos pralinés recheados de rum, e as bonecas e os lápis-de-cor novos, e as garrafas de frisantes que se tomavam naquela noite? Onde estava a magia dos Natais anteriores? Onde estava aquela ânsia na alma, que nos outros anos havia me preenchido de alegria? Intensamente frustrada, eu creio que já estava a ponto de chorar, quando aconteceu o milagre: nossa casa passou a ressoar com grandes pancadas nas sua paredes de madeira, enquanto todos pulavam de susto e diziam:
- É o Papai Noel! É o Papai Noel!
Meu pai apressou-se a abrir a porta e, curvado sob um grande saco, Papai Noel de verdade entrou lá em casa. Naqueles idos, Papai Noel não se vestia de vermelho, como hoje; usava uma bizarra roupa feita de sacos de estopa e, à guisa de barba, tinha a pele de algum animal pequeno, com certeza caçado pela vizinhança, preso sob o queixo. Nenhuma criança de hoje levaria à sério aquele Papai Noel, mas eu levei, meu Deus, como levei! Voltara a acreditar nele imediatamente, nem me passava mais pela cabeça a outra certeza, e quando ele nos fez as tradicionais perguntas, tipo se obedecêramos à mãe durante o ano, fui eu quem respondeu com mais convicção. Ele era um Papai Noel exigente, mandou que nos ajoelhássemos e rezássemos uma Ave Maria e um Pai Nosso, e rezei com o maior fervor da minha vida até então. Foi embora, então, deixando-nos um saco pejado de guloseimas e presentes, e lá estavam os pralinés, as bonecas, os cadernos com cheiro de novo, as caixas de lápis-de-cor com 24 lápis, os joguinhos, as loucinhas para brincar de boneca. Tudo tinha ficado lindo, toda a magia voltara e, com certeza, eu era a criança mais feliz do mundo quando meu pai me deixou beber um pouquinho de frisante. (Hoje, não existe mais frisante. Fico pensando o que era aquela bebida de gosto tão bom. Talvez, seja o que hoje chamamos de cidra.)
Até hoje eu não sei quem foi o vizinho que se vestiu de estopa naquela Natal de 1960, e trouxe para mim a alegria de volta. Só sei que, a partir daí, por muitos anos ainda eu acreditei em Papai Noel.


Blumenau, 01 de Dezembro de 1996.

Urda Alice Klueger





"Eu me dei conta de que cada vez que um dos meus cachorros parte, ele leva um pedaço do meu coração com ele. Cada vez que um cachorro novo entra na minha vida, ele me abençoa com um pedaço de seu coração. Se eu viver uma vida bem longa, com sorte, todas as partes do meu coração serão de cachorro, então eu me tornarei tão generoso e cheio de amor como eles."  (Autor desconhecido) 

ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...