lundi 25 novembre 2013

LEON

             FRAGMENTOS – APENAS FRAGMENTOS
                     EMANUEL MEDEIROS VIEIRA
“A vida é bela. Que as gerações futuras a limpem de todo o mal.”
                                     (Leon Trotsky)
Quando morremos, somos apenas a memória do que deixamos nos outros.
Um menino é sempre um menino. E pode ser mais que um menino: além do sonho, além da vida.
Não somos e nunca seremos donos do nosso porvir.
Somos donos de nossas vidas?
(Eu sei: nesta mera prosa poética, queria meditar sobre a desertificação da fé.)

“me enterrem com os trotskistas
na cova comum dos idealistas onde  jazem aqueles que o poder não corrompeu.” (...)
(Paulo Leminski, “para a liberdade e luta”, in “polonaises”*
*Preservados os diminutivos utilizados pelo autor.)

E queria falar por todos os ancestrais, por todos os que não estão mais aqui, por aqueles tantos que andam calados nesta aridez pós-utópica.
Sonho muito?
EU SOU OS QUE FORAM.
(Dizia um poeta e dramaturgo, encarcerado por 11 anos pela ditadura uruguaia.)
As citações são muitas? Eu sei.
“O homem é aquilo que ele próprio fez” (André Malraux).
São tempos multifacetados, acelerados, descartáveis – com mais escritores que leitores?
As maquininhas eletrônicas continuam seduzindo.
(Tenho a tentação de dizer: e poucas vezes, os homens estiveram tão ilhados.)
O mar, um pássaro cantante e, quem sabe, Deus – queria celebrar.
(Serão apenas mais palavras, entre tantas (?!).
E sempre valerá tentar ir além.
E é preciso acreditar: A vontade de Deus nunca irá levá-lo aonde a Graça de Deus não irá Protegê-lo.

(Que o tom retórico seja perdoado.)

MEDITAÇÃO

Nazaré, 22-02-1974
Gilberto Nogueira de Oliveira

Subo os milhões de degraus
Da inteligência humana.
E, sem nada perceber
Apareceu em minha frente
Uma linda mulher.
Era a sabedoria,
E me disse coisas estranhas.
A princípio mandou-me embora
Eu insisti em ficar,
E perguntei por que deveria sair,
Porque deveria retornar.
Ela me respondeu:
É porque nenhum homem
Pode ser um sábio completo,
E era arriscado eu ser,
Descobrindo o grande segredo
Que envolve o ser humano.

Seria cedo demais?
Seria tarde demais?
Seria o mistério, prejudicial?
Era difícil decifrar,
Neste momento
Em que pensava e duvidava.
Mudei-me de lugar.

Eu agora voava
Para onde, não sei dizer.
Era algo que me levava
Também, não sei dizer o que.
Me levava, talvez
Para o infinito.
Tudo era paz, nada ouvia,                                               
Nada sentia, nada pensava.
Gostei daquilo imensamente.
E, à proporção que ia gostando,
Mais longe eu ia.

Agora, sem saber por que,
Eu retomava da viagem.
Fiquei triste de repente
Ao perceber que retornava
Para o mundo do barulho.
A meditação perdia o efeito
Cada vez mais, e mais...
E voltei a mim, meu ser bruto.
Voltei para onde não queria,
Voltei para a terra dos homens,

O lugar mais barulhento do universo.

Veneza


Biblioteca Viva


Reunião no Forte de Copacabana - Homenagem aos Acadêmicos Infanto Juvenis




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