jeudi 26 septembre 2013

Os Primeiros Dias De 36 Horas

Por Zilda Freitas, escritora, ensaísta, poeta, tradutora e autora de 20 livros sobre crítica literária

"O escritor paulista H. Wolf surpreendeu-me com um livro extraordinário intitulado Os primeiros dias de 36 horas. Não é um mero elogio, é uma constatação que amplia o sentido de extraordinário para abranger ainda o “inabitual que alavanca” (p. 120). No momento em que a literatura brasileira se restringe à repetição de fórmulas comerciais do século passado, H. Wolf inaugura um espaço privilegiado para o mitológico e o non-sense em cri ativo universo ficcional de um “Dia de 36 horas. 12 horas a mais para viver sua vontade içada”; “A prática da vida em fragmentos de 36 horas”  (p. 23). Não se trata apenas de acrescentar horas ao dia, mas de adicionar beleza à vida, a partir de palavras-sabres em constante duelo neste livro de múltiplos segredos.
O leitor é estimulado por uma escrita em espiral e tipicamente pós-moderna, que o submerge  e o obriga a um olhar diferenciado sobre o textum e sobre a disposição das letras no cenário que  H. Wolf utiliza como recurso: as folhas do livro. As personagens não têm nomes, sendo facilmente identificadas pela escolha tipográfica e a função na narrativa. Assim, há o OBSERVADOR, o Incitador, o Vivenciador. Como a escritura diferenciada de José Saramago que evita o emprego excessivo de pontuação nos seus romances, o estilo de H. Wolf é inovador e autêntico, uma vez que liberta o leitor do padrão usual do livro e o convida a entender a história sem as amarras de um romance tradicional. Quanto aos marcos textuais, H. Wolf parece “Agir como um artesão e libertá-los. É assim que não permito que envelheçam” (p.10).  Este é o primeiro segredo do livro:  a inovação e  a habilidade do autor que eleva a palavra à condição de objeto de arte. Cada palavra no livro é passível de contemplação reverente e estranhamento reflexivo.  “Mais que uma síntese, um aprimoramento” (p.18).
Com rigorosa construção linguística, H. Wolf faz dialogar a norma culta portuguesa com a criatividade dos neologismos brasileiros. O segundo segredo do livro é exatamente esta satisfação que causa no leitor, se exigente for e estiver à procura de uma leitura prazerosa e sem gralhas. É um exercício deleitoso ser conduzido pela história de autognose das personagens, sem equívocos irritantes no texto.  Os primeiros dias de 36 horas guia o leitor tranquilamente, como uma folha que flutua sobre o rio e sa be que seu destino é o mar. Não há sobressaltos. O leitor integra-se na história como se dela participasse: “porque em 36 horas tudo deixará de ser como é, passará a ser o que é mais metade do que seria em seguida!” (p. 25).
O terceiro segredo do livro é o amálgama do autor com seu alter-ego, subdividido entre as personagens. Em curioso gesto lúdico, dissimula sua opinião através da fala do Incitador, do Vivenciador ou do OBSERVADOR. Sobre os condenados por crimes hediondos, por exemplo, questiona a personagem  [ou seria o autor?] como salvá-los de uma impossível alcatraz ou de hospitais psiquiátricos. O leitor atento perceberá a opinião do escritor sobre o tema, pois “Em qualquer situação de comunicação, todos só atingem os indissimuláveis nirvanas quando convencem” (p.16).
O deslocamento espaciotemporal é o quarto segredo do livro. Com talento e acuidade, H. Wolf concebe um microcosmo em que as personagens transitam pelo espaço imaginário de seus próprios dilemas e do simbolismo das ruas, estradas e janelas. Igualmente a Ulisses, obra e personagem emblemáticas de J. Joyce, o tempo é relativizado em Os primeiros dias de 36 horas e gravita em torno do conflito das personagens e da ação narrativa. Entretanto, em H. Wolf o tempo ficcional não é restrito às 24 horas de um único dia joyceano e é precisamente esta a cola de seu texto: “o esforço da cola quando faz seu trabalho fica escondido” (p.42). A verdade sobre o espaço e o tempo descritos no livro permanece oculta, pois “há cantos guardadores de segredos” (p. 70).  Existem muitos outros mistérios no livro de H. Wolf, contudo não irei mencioná-los todos aqui porque ainda estou a desvendá-los.
Encerro meu comentário sobre o livro de H. Wolf com observações mais pessoais. Sinceramente, quase 
invejo o leitor que terá o contentamento e a surpresa de ler pela primeira vez o livro Os primeiros dias de 36 horas. Quase ⍊ porque igual prazer será relê-lo. Minha opinião sobre este livro pode ser resumida na emoção de um primeiro beijo: é surpreendente, excitante e cheio de expectativas, felizmente satisfeitas."

Vencedora do IX Concurso Literário POESIAS SEM FRONTEIRAS

“Sinto-me muito honrada  diante de tantos talentos (mais de 400 poesias) ter obtido o primeiro lugar, nesta que foi minha primeira participação em concursos! Fiquei surpresa e muito feliz!
Dedico esta premiação a Deus, aos meus pais, Amálio e Terezinha Araújo, aos meus filhos Julie e Davi, à minha família e ao meu editor, Jurandir Barbosa (Editora Catrumano), todos eles meus incentivadores, mais merecedores de honra, pois são fontes de inspiração para que continue a me expressar em poesias. Parabenizo os demais participantes deste concurso visto que sem eles não seria possível havê-lo e ao seu idealizador, Marcelo de Oliveira Souza, que estimula a cultura e o cultivo das letras neste abençoado site.
Que o nosso bondoso Deus nos dê vida e alegrias para continuamos a trilhar nas poesias a expressão do nosso vivido! Abraçamigo em cada um!
Marília Martins de Araújo Reis

Assim fechamos o leque de vencedores do IX Concurso Literário POESIAS SEM FRONTEIRAS,  lembrando que estamos iniciando um novo projeto, o  I Prêmio Literário Escritor Marcelo de Oliveira Souza, onde serão ofertadas diversas premiações e um troféu igualzinho a esse que Marília está segurando.

Marcelo de Oliveira Souza

15º Encuentro aBrace - Boletín Nº 1 (español)

Amigos que deseen participar del 15º Encuentro Internacional literario aBrace, están todos cordialmente invitados.
Será un placer iniciar a partir de hoy una comunicación frecuente con novedades sobre este importante evento. 
Ponemos en su conocimiento los siguientes detalles:
1)      Van adjuntos la invitación, la ficha de inscripción y el programa tentativo.
2)      La ficha de inscripción es obligatoria en sus ítems de identificación y propuestas de participación. Debe enviarse a la mayor brevedad, en todas las condiciones establecidas, para ser considerado inscripto al evento. NOTA: quienes ya hayan cumplido con estos requisitos abstenerse.
3)      Se van a presentar durante el evento los libros individuales publicados en este ejercicio y la antología o selección de textos en dos idiomas, Espejos de la palabra, de la cual muchos de ustedes participan.
4)      Los alojamientos en la Ciudad de Belo Horizonte, serán prioritariamente en el SESC POUSADA-VENDA-NOVA, donde la comisión organizadora local ya ha reservado 60 lugares en habitaciones dobles y triples a precios de aproximadamente U$s 30.- por día y por persona con desayuno, siendo, por supuesto más onerosa la single. Estos son precios estimativos y especiales para los participantes, pueden verse las comodidades en la siguiente web. http://www.sescmg.com.br/index.php/unidades/pousadas/sesc-venda-nova
5)      Las comidas están en el orden de 8 a 10 dólares y el traslado desde el aeropuerto alrededor de 20 dólares.
6)      La dirección de aBrace ha establecido como empresa operativa del traslado aéreo, en Uruguay la siguiente, que sugerimos contactar cuanto antes porque las opciones de pasajes aéreos que en este momento y por estos días están en el orden de los 250 a 300 dólares, se agotan rápidamente. TOMAR NOTA:


Alejandro Jeske.
Premium Travel.
Rio Negro 1370 Escritorio 602
Montevideo - Uruguay
Tel:(598) 2902-7340
Cel: 098 067 858

7)      
8)     DOCUMENTACIÓN:
Revise la fecha de vencimiento del pasaporte y de la cédula de identidad, para viajar deben tener una validez mínima de 6 meses desde la fecha de su viaje.
9)     Le sugerimos informarse acerca de documentos necesarios exigidos en los destinos que visitará y como obtenerlos; (visas, vacunas, permiso del menor, partida de nacimiento, libreta de conducir, etc.); recuerde que la documentación es responsabilidad del pasajero.
10)   IMPORTANTE PASAJEROS VIAJANDO CON MENORES: http://www.dnm.minterior.gub.uy/tramites_perm_menor.php

11)   ATENCIÓN:
Recuerde que, una vez emitido el boleto aéreo, estará sujeto a penalidades, previstas por las líneas aéreas, para el caso de cambios de fechas, rutas, devoluciones y/o anulaciones, totales o parciales. Dicha penalidad, puede determinar una multa mínima de USD100 hasta la pérdida total de la tarifa emitida. En el caso de los servicios, una vez confirmada su reserva, cualquier modificación o cancelación puede tener penalidades. Consulte las condiciones en cada caso.
11)

Las noticias aquí publicadas tienen un rango de aproximación a los temas.
Probablemente desde la próxima semana en boletines complementarios, se irán ajustando detalles de organización.
Con todo respeto los saludan Nina Reis y Roberto Bianchi, directores de aBrace Cultura.



_______________________________________________
aBrace Cultura
15º Encuentro Internacional Literario aBrace
INFÓRMATE E INSCRÍBETE
https://www.facebook.com/events/117154031808605/permalink/125372450986763/

FACEBOOK: ABRACECULTURA
www.abracecultura.com (598) 29001066/99103857
abrace@abracecultura.com-abracecultura@gmail.com

Crônica da Urda

O PORTÃO DO PASTO DO TIO JÚLIO


                                   Lembro-me como se fosse hoje, mesmo que já se tenham passado umas quatro décadas. Era o portão do principal pasto do tio Júlio, porque o tio Júlio tinha diversos pastos, e suas nédias e mansas vacas holandesas faziam rodízio neles, alimentando-se sempre de grama nova e viçosa. O portão do pasto do tio Júlio era daqueles portões de madeira encarunchada e arame farpado que quase todas as propriedades tinham então, e era aberto sempre que se queria, por qualquer um, mesmo que fosse uma criança. Ele só era fechado por uma corrente que engatava num prego, e eu e meus primos podíamos abri-lo sem nenhuma dificuldade.
                                   Lá no tio Júlio havia oito primos, fora três “anjinhos” que dormiam no cemitério e para quem a gente levava flores – mas os primos de idade mais próximas da minha eram o Jorge e o Afonso, a Ruth e a Darcy. Desde muito pequenos eles ajudavam tio Júlio em milhares de coisas no seu ofício de produtor de leite para o Hospital Santa Isabel, de Blumenau: colocavam gramão e cana na máquina de cortar trato, carregavam os balaios de trato para os cochos das mansas vacas holandesas, tinham seus próprios banquinhos de ordenha e tiravam baldes de leite de cada vaca, pois as do tio Júlio eram vacas premiadas, que produziam muitos litros de leite a cada dia. Era necessário, então, depois da ordenha, levar as vacas para o pasto daquela ocasião (elas freqüentavam um pasto de manhã e outro de tarde), e a Darcy, e o Jorge, e os outros é que o faziam, e muitas vezes abriam o portão mencionado, e acompanhavam mais de trinta vacas estrada abaixo, até o pasto escolhido para aquele dia, indo buscá-las de noitinha para a nova ordenha, abrindo e fechando o portão sem nenhuma dificuldade. No tempo em que eu era bem pequena, tio Júlio passava naquele portão com sua carroça; mais tarde, já lá pelos anos 60, entrava ali com seu carro. Em ocasiões em que havia um touro brabo no pasto, o portão ficava fechado o tempo todo – em outras ocasiões, quando as vacas já tinham saído para pastar alhures, o portão podia ficar aberto, com o cavalo Baio sozinho lá no pasto, que o Baio era tão manso que não fugia. E reafirmo o que já disse acima: o portão tinha tal simplicidade de fechadura que qualquer criança pequena podia abri-lo ou fechá-lo.
                                   Mas então o tempo passou. Tia Fanny, e depois o tio Júlio, ambos acabaram viajando para outras plagas, e seus herdeiros tiveram que decidir o que fazer com aquela barbaridade de terra que tinha ficado. E ali no pasto principal do Tio Júlio cresceu um imenso condomínio cheio de prédios modernos, com um portão de entrada exatamente onde tinha sido o antigo portão do pasto. Meus primos moram lá, hoje, cada um num espaçoso apartamento, e cada um levou consigo para a nova morada algumas peças de mobiliário da antiga casa do Tio Júlio, e eu vou lá e tenho vontade de chorar quando as vejo e lembro daqueles tempos que ficaram lá tão longe.  Meus primos tiveram o cuidado de mandar imortalizar por famosa pintora as fotos daqueles tempos em que eu era criança, e em que qualquer pequena mão infantil podia abrir o grande portão do pasto, e nas paredes dos seus apartamentos aqueles quadros são como que um soco no peito que o passado nos dá.
                                   No Domingo passado eu fui lá lhes fazer uma visita. Minha mãe, que foi junto, telefonou antes, para confirmar estas coisas de bloco e andar, estas coisas que existem nos endereços contemporâneos. E então, que aconteceu? Minhas primas disseram:
-                     Olha, vocês trazem o celular e ligam lá do portão, que então a gente abre!
Santo Deus, há que se ter um telefone celular, agora, para se entrar no portão do pasto do tio Júlio! Levamos o celular, entramos – eu aproveitei para dar uma espiadinha no sistema de interfone que havia lá no portão, e que era complicadíssimo, desses que se criam para enganar qualquer ladrão, coisa de uso impossível para pessoas comuns. Sem celular, a coisa fica bem difícil!
E pensar que era um portão que qualquer mãozinha de criança abria!


                                   Blumenau, 06 de Fevereiro de 2003.



                                   Urda Alice Klueger

ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...