samedi 24 août 2013

AS ATIVIDADES DO VARAL: SEMPRE MAIS, SEMPRE MELHOR!

- Na próxima semana sairá a edição de setembro/outubro com o tema especial HOMEM, A NOSSA ESTRELA. Se você quiser receber por e-mail solicite aqui: varaldobrasil@gmail.com

- Estão abertas as inscrições para a revista de novembro (com tema livre) e para a edição especial de NATAL e ANO NOVO.

- Estão abertas as inscrições para o livro VARAL ANTOLÓGICO 4, a quarta antologia do Varal do Brasil que será lançada em 2014 em Genebra, Suíça. Contato: varaldobrasil@gmail.com

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- Estão abertas as inscrições para participação no 28o Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra - Suíça que acontecerá de 30 de abril a 4 de maio de 2014, não perca esta oportunidade!

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Curso: "Chico Buarque em verso, prosa e música"

O Museu Histórico e Cultural de Jundiaí reserva para as quintas-feiras de setembro e outubro um curso inédito na cidade, ministrado pelas poetisas, escritoras e compositoras Valquíria Gesqui Malagoli e Renata Iacovino.
            Trata-se de "Chico Buarque em verso, prosa e música", um projeto que tem como objetivo principal ressaltar algumas das maiores virtudes contidas na obra deste compositor e multiartista, que ao longo de décadas mantém-se no cenário da Música Popular Brasileira como uma das grandes referências, tanto no tocante à qualidade e criatividade de suas composições, peças de teatro e livros, quanto no que estas manifestações interferiram positivamente na construção cultural e social de nosso país.
            Numa promoção da Prefeitura de Jundiaí, por intermédio da Secretaria Municipal de Cultural - Museu Histórico e Cultural de Jundiaí - o curso é idealizado e executado por Valquíria e Renata, bastante conhecidas por oficinas e saraus por elas realizados nos últimos oito anos.
            Atualmente, Valquíria preside a Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí (está em seu segundo mandato) e Renata é Secretária da entidade.
            "A escolha de Chico é pela riqueza que há em suas composições, podendo-se explorar um vasto universo, desconhecido da grande maioria. Sua obra está ao alcance de todos, à medida que ele popularizou, tornando público e abrangente as questões ali abordadas, emprestando seu conhecimento a todo povo. Basta que tenhamos olhar para isso", salienta Renata.
            O olhar diverso é sempre o mote essencial das oficinas destas artistas, que buscam garimpar informações incomuns, propagando-as ao maior número de pessoas.
            "Chico sempre foi um profundo leitor e conhecedor da literatura universal e em suas letras podemos identificar muito das técnicas utilizadas por poetas, algo que não podemos perder de vista", lembra Valquíria.
            Os participantes terão acesso às músicas, por meio das gravações originais e também por apresentações ao vivo, voz e violão, executadas por Renata.
            O curso é gratuito e as vagas são limitadas. As inscrições devem ser feitas no próprio Museu.


Curso: "Chico Buarque em verso, prosa e música"
Ministrantes: Valquíria Gesqui Malagoli e Renata Iacovino
Local: Museu Histórico e Cultural de Jundiaí
Endereço: Rua Barão de Jundiaí, nº762, centro
Telefone: 4521-6259
Período: quintas-feiras de setembro e outubro
Horário: das 18h30 às 20h30

15 vagas (inscrições prévias)


PONTO DE ULTRAPASSAGEM

Em princípio, não esperes...
Procures auxiliar, sempre,
À medida que socorres os carentes
Algo adverso se reconcilia contigo mesmo.
Avança sempre em socorro do irmão que sofre,
Não esperes alguém sinalizar que um infortunado
Aguarda auxílio ao longo do teu caminho,
Estejas sempre de prontidão para tu mesmo identificar
O desolado, o faminto, o oprimido em qualquer situação.
Clareia os pensamentos, abençoando os que sofrem,
Os que o Destino depositou em teu caminho,
Mesmo que suas chagas te custem um desdobramento
De atenção ilimitada e um desgaste imensurável.
A paz e a bem-aventurança são patrimônios do coração
Na razão única e altruísta de serem conquistas
No campo social através da doação e do reto servir.
Olha a Natureza se regozijando com a evolução humana,
E mesmo sem o dom, da ‘ fala’, ela se expressa às almas
Sensíveis, que podem ouvi-la na solene linguagem divina
Do criador perene.
O Sol brilha não apenas no Céu, mas também na consciência
Clara, que leva os pensamentos luminosos ao coração;
Neste o Cristo recebe a luz de Micael; e juntos, a luminosidade
Da sabedoria celestial  de Micael e a calorosidade do amor puro do Cristo
Abraçam o peregrino e lhe desejam um bom dia; Bom –dia!
Tudo é aproveitável, tem sentido; cada segundo nos permite
Aprender mais; cada silêncio franqueia ao homem a ocasião
Para preencher-se a si mesmo com uma nova sabedoria de vida;
Cada novo ato verdadeiro alcança a aquiescência do Cristo
E se torna o farol-guia para  nossas novas ações.
Sorria sempre, pois o sorriso é o grande instrumental,
 e o ponto de ultrapassagem de cada limitação para uma
nova concepção de vida, de consciência e de ser,
compreensão esta centrada doravante  no Cristo Jesus.

Gildo P. Oliveira
Natal de 2006, RIO VERDE, GOIAS.
Integra o livro  A BUSCA DA FERRADURA DE OURO, A ANCORA E A CHAVE

Editado em 2012.

SEU JOÃO DE AMORIM

 (Para o Orion Farias de Amorim, que ainda deve estar em algum lugar)
                                   Penso se alguém ainda lembra dele neste mundo de meu Deus, além dos filhos, caso vivam – mas como ele está forte dentro de mim por estes dias! Passaram-se quase sessenta anos, desde então – talvez eu tivesse três anos, talvez dois, arriscaria dizer, talvez, a entrada dos quatro. Sei que ele era pai da minha madrinha de Crisma, uma moca muito bonita e jovem chamada Ana Olívia Farias de Amorim, e sua mulher era a Dona Honória Farias de Amorim, d’onde eu deduzo que o nome completo dele era seu João de Amorim. Os outros filhos eram a Alair, da qual lembro muito de uma fascinante foto de quando ela trabalhava na Cill, a loja de discos que havia em Blumenau, e o Orion, que era chamado de Ório, e que muitos anos mais tarde soube que trabalhava na imprensa oficial do Estado de Santa Catarina. Era um homem de bom gosto: ao filho homem dera o nome de uma estrela – as meninas eram Ana Olívia e Alair – quem sabe ainda encontro o Ório na facebook, já que as meninas mudaram os nomes quando casaram e já não recordo mais tantos detalhes desta minha vida que já está ficando longa...
                                   (Lembro bem da minha Crisma, no entanto. Era muitíssimo pequena, e ela se resumiu em um solene homem parado diante de mim carregando uma travessa cheia de arroz cozido. Sempre me disseram que não era arroz, mas algodão usado para a unção, mas até hoje tenho a certeza de que era arroz!)
                                   Seu João era barbeiro, profissão importante daqueles tempos. A barbearia era algo como uma sala de bate papo das redes sociais de hoje, e presidir a uma era ter sua importância na escala social. E ele foi o meu primeiro morto.
                                   Lembro como se falava baixinho, lá em casa, para se dizer que o seu João estava doente do pulmão, e também lembro quando a gente ia vê-lo lá na Rua XV nr.  1392, onde ele morava, e ele estava de cama, e tossia e estava fraco, mas era tão bom, tão doce comigo, menininha de nada, que ainda nada compreendia do mundo. Lembro com doçura daquele seu João de olhos febris e que ainda está vivo comigo até hoje, e de algumas coisas que ele dizia, como a que o Ório tinha que ter sempre uns trocados para sair, pois rapazes não poderiam sair de casa sem um dinheirinho no bolso – imagino que ele pensava no guaraná ou no cinema que o Orion fosse pagar para uma mocinha.
                                   Então, um dia, seu João morreu. Eu não vi sua morte, nem seu velório, nem seu enterro – era pequena demais para tais coisas – mas ninguém ainda morrera, no meu mundo, e seu João acabou sendo o primeiro morto que a vida me trouxe. Sua morte entrou na minha casa em forma de uma encorpada colcha amarela – a família estava se desfazendo de tudo o que fora dele, para não ficar triste quando olhasse, penso, e a colcha amarela veio bater na nossa casa. Éramos todos muito pobres, então, mas havia alguém mais pobre nas redondezes: uma mulher chamada Maria Viola, que morava na nossa rua. A colcha era para ela com seus muitos filhinhos, e lembro agora dessa Maria Viola, uma mulher alegre que passava pela nossa casa e me encantava. Sabia que ela falava que, quando a fome que tinha era muita, tomava uma caneca de água com sal, e depois outra caneca com água sem sal, e fazia de conta que tinha comido, e tocava a vida alegremente, como se tivesse comido bem. Maria Viola era daqueles pobres que faziam parte das comunidades de então, conforme tão claramente nos explica Milton Santos[1][1] e era através dela que a comunidade podia exercer a caridade pregada pela Igreja daqueles tempos. Assim, ela herdou a colcha amarela do seu João, que esteve por alguns dias na nossa casa, à espera dela, e eu não tocaria naquela colcha por nada do mundo, pois dentro da pequena criança que eu era criara-se como que um misticismo, algo que ainda hoje não sei explicar, pois aquela era a colcha de um morto.
                                   Seu João de Amorim, pai da minha dindinha, meu primeiro morto, quem ainda se lembra do Sr. além de mim?
 
                                   Blumenau, 20 de Julho de 2013.

                                   Urda Alice Klueger
                                   Escritora, historiadora, doutoranda em Geografia pela UFPR.        





[1][1] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização – do pensamento único à consciência universal. São Paulo/Rio: Record, 2000.  “A pobreza incluída” (p. 70 – diferente da atual “Pobreza estrutural globalizada”.  

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