samedi 6 juillet 2013

CARTA À LETÍCIA

EMANUEL TADEU MEDEIROS VIEIRA

PARA OS PAIS, FILHOS E IRMÃOS DE LETÍCIA (MARIA LETÍCIA VIEIRA DA SILVA), QUE PARTIU EM 29 DE JUNHO DE 2013)
PARA TODOS OS SEUS PARENTES E AMIGOS

“Quando morremos, nada pode ser levado conosco, com a exceção das sementes lançadas por nosso trabalho e do nosso conhecimento.”
(Tenzin Gyatso, religioso tibetano, atual Dalai Lama)

“No lado esquerdo do peito, carrego os meus mortos/Por isso caminho um pouco de banda.”
(Carlos Drummond de Andrade)
Anunciaram que partiste.

Será verdade, querida sobrinha e amiga?
Há um buraco.
Uma dor muito funda.
Agora, queria te dizer, e não é nada literário, e vai do mais fundo do meu coração:
Não havia conhecido um ser humano como tu que tanto lutou – com incrível bravura e intensidade – pela vida.
Todos os dias.
Todas as horas.
(Até onde foi possível.)
Pois a amavas muito – a vida, esta nossa passagem terrestre.
E nunca deixaste de ser uma líder.
E sempre agregaste, uniste, congregaste.
É um sábado quando anunciaram que viajaste para as plagas que não conhecemos, e estou perplexo.
Foram duros anos, Letícia.
Tu fizeste todo que poderia ser feito.
Com os teus filhos, irmãos, outros parentes – que pela tua vida, realizaram todos os esforços possíveis e imagináveis.
Não é um relato de tua vida: são fragmentárias meditações.
As partidas de vôlei aos finais da tarde, na acolhedora casa de praia dos Ingleses, na Ilha de Santa Catarina.
Os diálogos na mítica casa do Balneário – a casa dos teus pais e de tua família –, também na Ilha.
As caminhadas na praia nos Ingleses.
Lembro-me muito bem da última (em que estive contigo), em janeiro de 2011, andavas feliz com os pés na água. Havias vencido a doença. (assim a gente pensava)
Ríamos, brincávamos, rememorávamos fatos da vida.
Caminhadas em outras praias, como na Lagoinha.
Nos encontros e congressos de psicólogos em Brasília – e quanto  conversávamos! Quanto!
Ganhos, perdas.
É da humana lida.
Minha líder nata se foi!
É mentira?
(Na minha literatura, sempre tentei entender a razão da dor e do sofrimento. Nunca entendi.)
É um lugar-comum: mas sinto uma sensação de vazio, uma sensação de que falta alguma coisa, um rosto, alguém que unifique tudo, que oriente,  que organize mais um encontro de família e que não perca a solidariedade, a generosidade e a ternura.
Foste uma honrada, dedicada e competente profissional na área que escolheste: a Psicologia.
E vamos tentar entender a alma humana...
Quero confessar: este modesto texto está muito aquém de ti.
É algo escrito no calor (e na dor) da hora.
Já indaguei outras vezes para pessoas tão queridas como tu: o que essa morte vai fazer com tanta vida?
Não é aquele elogio estatutário, formal, protocolar que, habitualmente, se faz quando as pessoas morrem.
Estamos mais órfãos, mais vazios.
Mas tivemos o consolo, o bálsamo, o privilégio e a alegria de ter convivido por tantos anos com um ser humano tão especial, tão bom e tão iluminado.
Alguns acreditam que a eternidade é essa memória, essa lembrança no coração.
Saint Éxupery pedia que a gente deixasse em algum lugar o fruto da nossa bondade.
E como deixaste!

Penso nos teus pais, seres tão especiais e que amo tanto, como a mana Dorinha – um carvalho – e o querido Júlio, tão emocionado, tão apegado a ti, tão ligado a ti há tantos anos.
Penso nos teus filhos, que tanto te amaram e amam, e que fizeram tudo o que foi possível pela tua salvação.
E  recordo-me de todos os outros parentes e amigos, que te amaram e também estiveram sempre ao teu lado.
Queria tentar consolar um pouco.
No fundo: também me consolar.
Já falei sobre tantos mortos.
Num domingo à tarde, veremos as tuas fotos.
Não estás mais aqui.
Leremos as tuas mensagens.
Releremos.
Continuaremos vendo as tuas fotos – para sempre.
E recordando.

Como entender o nosso trajeto, a nossa vida?
É o que nos resta. Lembrar. E orar – orar muito – para que todos (principalmente os teus queridos pais e amados filhos e irmãos) tenham forças para lidar com essa ausência, na certeza de estás sentada à Direita do Pai.
Pois se uma pessoa merece esse privilégio és tu, querida Letícia, mais que sobrinha – querida e eterna amiga.
Queria retomar nossos fecundos diálogos, e lembro-mede tuas risadas no período pré-enfermidade.
Na memória, estaremos sempre juntos.
Peço-te que beijes todos os seres amados que já se foram.
E dizer a eles que por aqui vamos tentando dar conta do recado.
Às vezes, é difícil.
 Mas – sem falsa modéstia– nossa família tem persistência, espírito de luta e não desiste fácil,
Temos uma herança de dignidade, de fé e de luta
Mando-te um beijo bem afetuoso, agregador (junto com a Célia, a Clarice e o Lucas) e brincaremos juntos de novo, quem sabe um vôlei nos Ingleses, um peixinho na Lagoinha, um churrasco na casa do Balneário, um passeio pelos verdes na imensidão do Planalto Central, em Brasília ou aqui mesmo na Bahia – onde o Brasil começou –, e que disseste que virias conhecer.
Que pena! Não deu tempo!
Vai em paz! Tua memória para sempre será guardada, eternizada (perene), pois mesmo não estando mais aqui, estarás sempre no lugar em que estivermos.
Beija-te o teu tio Tadeu, com todo o afeto, admiração e sentida gratidão e muita saudade.
Até, amiga, sobrinha e iluminado ser humano!


(Emanuel Tadeu Medeiros Vieira)
Salvador, 3 de julho de 2013)


Crônica da Urda

TEMPOS FELIZES 5
                          - As crianças e as viagens
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Atahualpa tem uma tendência enorme para gostar de todas as crianças do mundo – imaginem só o quanto gosta das crianças que vivem aqui pertinho dele! É só ele ouvir as vozes das crianças vindo aqui para o parquinho que já se alvoroça todo, o rabo abanando, o maior jeito de felicidade na cara peluda, e a felicidade dela só aumenta quando as crianças vêm brincar na nossa varanda. Às vezes tais brincadeiras são de pet-shop, e então as crianças lhe dão comidinhas, brincam de penteá-lo com sua escova, jogam bola e brincam com seus bichinhos de pelúcia e sua boneca, e ele fica todo mole entre elas, as pernas viradas para cima, parecendo ele também um bicho de pelúcia.
                                   Apesar de gostar de todas as crianças, sua relação com elas é variada: diria que Diana é sua preferida, talvez por ser ainda tão pequenina e com aquele jeitinho frágil – ele chega a chorar quando passa na casa dela e não a vê. Fico pensando o que passa na cabeça do meu cachorro diante de crianças pequenas – talvez ele as veja como adultos em miniatura, mais adequados para brincar do que os enormes adultos de 1,60 m, muuuuito mais altos que ele. Diana acaba de completar sete aninhos e ainda está baixinha, e é tão meiga! Penso que se pudesse escolher, Atahualpa traria Diana para ficar morando aqui em casa, assim como também traria Monique, e Fernanda, e tantas outras crianças! Sua relação com Fernanda é de amor total, e ele freqüenta a casa dela, e sempre entra na varanda dela quando saímos para nossa última voltinha, tarde da noite, e é na casa de Fernanda que ele faz suas maiores artes, subindo no sofá e nas camas e estragando alguns brinquedos. Já fico morrendo de medo quando vamos até lá: meu cachorro é muito comportadinho, mas perde totalmente a educação na casa da Fernanda. Não sei bem qual é a química que existe entre os dois, mas sei que ele perde qualquer acanhamento e vira um bicho muito arteiro, quando lá.
                                   Já com Monique Schörner ( da casa 34) ele trata como se ela fosse alguém de casa, e Monique É alguém de casa. Nossas casas são contíguas e, como dona do Preto, ela está sempre vindo aqui em casa atrás do Preto, ou vamos juntas fazer passeios com os nossos cachorros – Monique é como uma filhinha, ou como uma sobrinhazinha, e é ela que recorro quando Atahualpa se nega a comer, coisa que faz muitas vezes. Monique tem uma paciência infinita com meu cachorro, e então fica pegando os pedacinhos de carne, ou os grãozinhos de ração, ou a papinha de leite com bolo numa colher, e oferecendo a ele enquanto faz que chora, pedindo:
                        - Come, Atahualpa, come para eu não chorar!
                        Não sei a mágica que ela consegue, mas meu cachorrinho acaba comendo pelas mãos de Monique. Diana também consegue efeitos parecidos.
                        E são tantas, tantas as histórias das crianças do condomínio com o meu cachorro que penso que daria outro livro, que não caberiam todas aqui!   
                        xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx


                        Minha vida me faz viajar muito, principalmente para dar palestras em escolas onde os alunos leram os meus livros, mas, nos últimos tempos, o número de viagens dobrou, pois estou a fazer um doutorado na Universidade Federal do Paraná, na cidade de Curitiba mais ou menos a 250 quilômetros daqui. Em uma ou outra viagem Atahualpa vai junto, principalmente em cidades rurais próximas, ou quando vou a passeio a algum lugar, como Florianópolis. Florianópolis é uma cidade bastante movimentada, e meu cachorro, que não usa coleira ou guia, se sente em plena felicidade correndo pelas ruas ou pela Praça XV, em Florianópolis, cheirando tudo e fazendo xixi em muitos inesperados lugares novos. Fico de olho nele, e quando vejo que ele está desorientado, sem saber mais onde estou, basta dar um assobio que ele volta direitinho em minha direção.  Já aconteceu de estarmos a andar pelo movimentado calçadão da Rua Felipe Schmidt, em Florianópolis, com Atahualpa ziguezagueando por entre a multidão móvel, quando comecei a ouvir alguém gritar:
                                   - Atahualpa! Atahualpa!
                                   Era nada mais nada menos que o meu amigo jornalista Raul Fitipaldi, que não me havia visto, mas que vira meu bichinho.  Encontramo-nos com efusão – teríamos passado um pelo outro sem nos vermos, caso Atahualpa não estivesse circulando por ali.
                                   E ele também faz bastante sucesso nas escolas aonde vai – claro que peço autorização antes, explico que ele toma todas as vacinas, que é bonzinho, não morde – e ele costuma se comportar muito bem nas escolas, deixando-se acariciar por dezenas de crianças e é levado no colo pelos adolescentes. As fotos dele e as histórias sobre ele costumam circular nas escolas antecipadamente, e quando lá chegamos tudo corre bem, a não ser uma vez, numa escola, onde uns meninos chutaram o meu bichinho. Nem culpo os meninos: crianças são reflexos da educação que recebem dos pais.
                                   Mas, mesmo ele indo a diversas viagens comigo, não pode ir à maioria, por distância, ou porque são escolas urbanas, ou porque ficarei num hotel, coisas assim. Então, onde é que Atahualpa fica?
                       




"Eu me dei conta de que cada vez que um dos meus cachorros parte, ele leva um pedaço do meu coração com ele. Cada vez que um cachorro novo entra na minha vida, ele me abençoa com um pedaço de seu coração. Se eu viver uma vida bem longa, com sorte, todas as partes do meu coração serão de cachorro, então eu me tornarei tão generoso e cheio de amor como eles."  (Autor desconhecido)

Urda Alice Klueger
                                               Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela
- See more at: http://varaldobrasil.blogspot.ch/search?q=urda#sthash.5IXbGmPR.dpuf 

Convite palestra ALAP

ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DE PARANAPUÃ
- ALAP -

CONVITE

            A Academia de Letras e Artes de Paranapuã – ALAP tem o prazer de convidar V. Sª. e família para a palestra da acadêmica Maria da Conceição dos Santos sobre “Clarice Lispector”.

Data: 08 de julho de 2013, segunda-feira, às 16 horas.
Local: FALB / FALARJ
            Rua Teixeira de Freitas, nº. 05 – sala: 303 - Passeio Público/RJ.

Acad. Eliane Mariath Dantas

Presidente

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