samedi 1 juin 2013

LIVRO VARAL ANTOLOLÓGICO 4

Confira na lateral do nosso blog o regulamento para participação em nossa quarta coletânea:

VARAL ANTOLÓGICO 4!

Inscrições abertas a partir de hoje, primeiro de junho!

VENHA FAZER PARTE DESTE PROJETO!


NOVIDADES DO VARAL

Bom dia amigos do Varal!


Depois do acontecimento maravilhoso que foi nossa participação no Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra, por aqui e por aí não tivemos muita parada! Veja fotos de nossa participação aqui: http://www.varaldobrasil.ch/338512/index.htmle confira como fizemos de nosso stand o ponto de encontro da literatura de língua Portuguesa em Genebra.

Na semana seguinte parti para Foz do Iguaçu para participar do Prêmio Literarte de Cultura, organizado pela equipe de Izabelle Valladares e que foi, com certeza, um grande sucesso e um grande evento, onde reinou a amizade e a literatura alçou voos! Você pode ver muitas fotos aqui:http://www.facebook.com/media/set/?set=a.535630579811850.1073741835.100000947381442&type=1

Dias depois, já de retorno, parti para Zurique onde participei com muita alegria da mesa de debates sobre Redes Sociais e Integração no V Encontro Brasileiro, promovido pelo Conselho Brasileiro na Suíça. Foi realmente um encontro excepcional e você pode ler sobre o assunto aqui:http://www.swissinfo.ch/por/sociedade/Saudade_de_ter_saudade.html?cid=35993532 e ver fotos aqui:http://www.facebook.com/media/set/?set=a.537128186328756.1073741836.100000947381442&type=1

Agora, na falta do calor e do sol que em geral a primavera sempre nos traz nesta época, vamos já pensando em coisas que possam nos aquecer e iluminar nossos dias!

Assim é que dia 2 de agosto estarei em Florianópolis junto com vários coautores para lançar nossa coletânea Varal Antológico 3. O evento será na Assembleia Legislativa do Estado e, além do coquetel e do lançamento do livro, apresentaremos também os livros individuais dos autores que lá conosco estarão.

Em setembro estarei em Bienne para o lançamento oficial na Suíça de meu livro Faca de Dois Gumes e apresentação de meus livros anteriores numa produção e convite da organização Madalena’s e do Calendário Brasileiro na Suíça (Multimondo e Madalena’s).

Em outubro terei o prazer de acompanhar a Literarte a Frankfurt e Viena para apresentação de meus livros no Salão do Livro de Frankfurt e no evento cultural promovido pela ABRASA, associação brasileira em Viena.

Desde junho estarão abertas as inscrições para o livro Varal Antológico 4 e a partir de agosto já teremos novidades sobre o 28º Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra e de nossa próxima participação.

No dia 2 de agosto serão anunciados oficialmente os vencedores do I Prêmio Varal do Brasil de Literatura e os textos premiados e os que receberão menção honrosa serão publicados em nossa revista de novembro, edição de 4 anos de aniversário do Varal do Brasil.

A próxima edição da revista, edição de julho/agosto, trazendo Segredos & Pecados, sairá no final de junho. As inscrições para esta edição estão encerradas, mas não esqueçam: estão abertas até dia 25 de junho as inscrições para a edição de setembro onde falaremos do HOMEM! Venha também com sua prosa ou seu verso falar do homem, de suas facetas, suas façanhas, de suas histórias e vitórias!

Amigos, obrigada pela companhia, obrigada por estarem sempre presentes!

Fiquem bem!

O CAVALEIRO DA DESESPERANÇA (2)

E o velho rascava o fundo da boceta de fumo, catando os últimos caroços para a palha ou papel de enrolar o cigarro, único prazer de sua escuridão. Mesmo parecendo despercebido da discordância da avó, exalava o receio respirado pelo menino que perguntou apressado:
            - O sinhô conheceu?
            Aí o susto da avó foi maior. Percebeu que falando, o neto buscava a atenção do velho e, talvez, o castigo, como quase aconteceu naquele dia em que chegando do mercado, deu com a assombração do velho sentado no banco, escondido no escuro do detrás da porta.
   - Olando! – sussurrou para dentro de si mesma, como se arrenegando uma visão que a emudecia no seu terror.
   - O que é que tu comprô no mercado? – foi só o que perguntou o velho, como se dali a tivesse visto sair e chegar todos os dias daqueles tantos anos, compartilhando das corriqueirices do cotidiano das vidas daquela casa. Os olhos da mulher percorreram o pouco do aposento único e sossegou no olho espantado do menino ao fundo. Voltou-se de cabeça baixa e tartamudeou num misto de medo e fingida doçura na voz, subornando alguma simpatia ou antecipando desculpas por erros desconhecidos:
   - Comprei algum provimento: um pedaço de chita, vela pro santo, querosene pro lampião, milho pra criação...
   - Milho?...
   - Sim! Não... É que o da roça já foi... Teve São João e veio a entressafra... – sentia-se na obrigação de explicar, mas o velho não se mostrou interessado, apenas pedindo com naturalidade e estranha gentileza:
   - Dê cá um punhado!
   Trêmula, encostou a sacola, buscou o saco de milho e o estendeu ao velho. Só então percebeu que ficara cego.                                                                                                                                              - Tu não enxerga Olando? Como foi isso?
   Tateando, enfiou a mão no saco. Sempre sorrindo e falando manso, derrubou um, dois... Três punhados do milho no chão de terra dura e batida:
   - Te importa? Devia não... Pois se tu num ia nem mais deixá eu entrá aqui na casa.
                        A velha iria gaguejar alguma coisa, mas se voltou rápido num olhar que pedia silêncio e alertava perigo ao menino que se remexeu lá na parede ao fundo. Repentino, num bote, a mão do homem agarrou seu pulso. Pressionou como garras de gavião carcará, mas ao invés de voar às alturas para devorar a presa no alto de uma lapa, forçou-a abaixo, obrigando que se dobrasse:
               - Ajoelhe aqui Vitó. Aqui no pé da porta, bem aqui no grão de milho. E cante aquela música da Lua. Aquela uma que tu sempre cantava. Toda vez que me lembrava dessa música, lembrava de tu. Ô lembrança disgramada! Mas a música é bonita. Cante!
   Cantou. Terminava a música, ele dizia calmo:
   - Faz mal não, cante outra vez. Não precisa nem parar, pode continuar repetindo os verso que é pra matar bem a saudade.
   Cantava, enquanto os grãos iam se cravando na pele esmagada sob o joelho magro, de muito osso e pouca carne. Passou hora, a voz foi se misturando aos soluços e lágrimas, engasgando, e o velho insistindo, embevecido:
   - Cante Vitó! Cante! – alentava: - Quero ouvir tua voz bonita.
   - Posso mais não. – chorou: - Fico ajoelhada, mas não me peça que cante.
   - Mas tem que cantá, Vitó. Se não, como é que vô sabe se tu tá aí, ajoelhada no milho, junto de mim? – insistia em voz branda de cruel carinho.
   O menino via a avó se dobrar, enxugar as lágrimas que escorriam no leito seco das rugas, fungar e soluçar entre os versos tristes da toada:
   “Lua bonita,
   se tu num fosse casada,
   eu pegava uma escada
   ia no céu te beijar.”
   Não agüentava mais ver o sofrimento da avó. Teve vontade de levantar e dar um berro, xingar aquele velho de merda. Mas era tão grande a ruindade, tão sofrida a dor, que o menino calava e só ouvia a voz soluçada:
   “Lua bonita,
   me traz ‘borrecimento
   ver São Jorge em seu jumento
           pisando teu quilarão”
            O menino tapou o ouvido e fechou os olhos. Não queria ver, não queria ouvir... Um medo enorme da tamanha maldade não permitia que ele levantasse dali, passasse em frente ao olho cego daquele avô ressuscito dos infernos, e fugisse pro terreiro, pra longe da voz da avó chorando:
           “Tu te casaste
               com um homem tão sisudo
           que come, bebe, drome,
           faz tudo,
               dentro do teu coração.”
            Apertou as mãos nos ouvidos, como as rótulas da velha apertavam os grãos já melados de sangue. Mesmo assim, o pranto infiltrava-se por entre os vãos do seu tímpano, ecoando dentro da cabeça:
            “Lua bonita
           me traz ‘borrecimento...”
               - Chega! – o grito saiu de sua garganta como uma vazão de açude. Medrosa, a avó calou e olhou espantada. O olho vermelho do menino dançava entre o medo do avô e a aflição da velha.
   - Quem é esse? – perguntou Odulando, sem poder distinguir a direção do grito e o tom da voz estrangulada.
   - É o filho de Socó... Seu neto.
   - O que ele faz?
   - Me ajuda muito. Não mande ele embora – a avó não chorava mais da dor do milho, apesar do joelho sangrando muito. – Sem ele não posso fazer nada, não tenho mais força pra tirá água do poço. Sem ele nós morre.
   - Só faz tirá água de poço?
   - Não! Faz muito mais... Estuda tumém. Não incomoda nada. Manhã toda na escola. Depois ajuda... Ajuda muito. Não mande... não mande...
   A voz da avó era só um soluço dolorido no silêncio pensante do avô, avaliando sem expressar decisão, definindo-se apenas por um:
   - Tô com fome. Me dê o de comê.                                                                                 
   A avó levantou, desdobrando os joelhos como se os desenterrasse da terra batida. Sangravam. Cambaleou até o fogão. Chorando, o menino engatinhou até ela, abraçou seus joelhos intumescidos, pretos de sangue. Retirava os grãos incrustados, salgando as feridas com as lágrimas do seu choro.

                        Desde aquele dia nunca mais o velho disse nada além de “Tô com fome.”, “Quero água.”, “Me dê o bornal.” Mais nada. Guiava-se sozinho dentro da casa, de onde só saía para curtas incursões no terreiro em horas mais frescas, logo voltando a sentar na soleira, olhando pro nada. Quando sentia o aproximar de alguma das criações de penas, espantava numa tapa que se perdia no ar. Mesmo inofensivo, fazia receio no menino pela sobrevida dos pintainhos. Ao cachorro sarnento desferiu pontapés. Depois de ganir a dor de um que o alcançou nas costelas, o bicho aprendeu a se arredar das pernas do velho. Nas horas do Sol mais quente, escondia-se no interior do cômodo único e só vinha afora por precisão da casinha de necessidades, mas por si se arredava da mesa quando pressentia o circundar dos demais viventes que, por vezes, daquela tábua careciam para as tarefas de estudo do menino ou pelos afazeres de costura e cozinha da mulher.   

(Continua na segunda-feira dia 3 de junho) 

O TEMPO

Texto feito em conjunto pelo Grupo do Varal do Brasil no Facebook

http://www.facebook.com/groups/varaldobrasil/

Neste grandioso poema escrito a 18 mãos, participaram:
Nilda Lima/ Carmen de Moraes/ Caroline Baptista/ Juca Cavalcante/ Isabel Vargas/ Marcia Gomes/ Silvana Sil/Dorothy de Brito Steil/ Flavia Assaife/ Dulcio Ulyssea/ Cida Gaioffato/ Sandra Ferrari/ Noralia Castro/ Susana Zilli/Rita Pea/ Neyde Bohon/ Inês Carmelita Lohn/ Jacqueline Aisenman               



                   O TEMPO
                     
Falando do tempo, do vento, do sentimento
O coração do poeta em detrimento,
sofre a rajada dos acontecimentos,
ao relento...

Ao relento no tempo o vento sopra frio,
no rosto, na alma ou pensamento,
mas a vida não é só de sofrimentos...
É também de alegrias e a felicidade
feita de momentos...
A cada instante indiferente ao tempo
e à idade...

Minha vida não tem tempo.
Não existem nem minutos, horas, dias,
semanas, meses ou anos...
Conto a existência em acontecimentos.
O tempo é somente o movimento da terra no espaço.
A noite me dá os sonhos e os dias,
as oportunidades...

Houve um tempo que o tempo era meu amigo.
Acreditava no tempo, achava que ele me protegia
e até me sentia imortal.
Mas o tempo me traiu, me mostrou a realidade
que eu não queria conhecer...
Me jogou no turbilhão da vida.
Tudo mudou com o tempo.
O tempo e eu nos tornamos inimigos.
Agora eu não tenho mais tempo para o tempo
e o próprio tempo
não tem mais tempo pra mim.
Só peço ao tempo que me dê um pouco mais de tempo
para que eu compreenda que perdí muito tempo
tentando entender a vida que passa
num tempo tão rápido e na verdade,
nem temos tempo de odiar
o famigerado tempo...
           
                
Tempo.
Melhor remédio para as dores,
amigo dos eternos amores e algoz dos desamores...
Corre célere levando tudo
sem nunca voltar
ao mesmo lugar.
Paradoxalmente finito e eterno...

As vezes dói, as vezes é alegria...
Ontem foi noite, hoje é dia.
A vida é um documento em branco
com sombras que se movem.
Todos assinam
até que a luz ultrapasse o tempo
e todos morrem...Retornando...

Tempo, menino que corre e socorre
a vida da dor, que não quer se esvair.
Menino que às vezes caminha
porque adivinha
que o tempo não pode cessar....

O tempo nunca há de cessar.
Girando infinito, é o tempo
trazendo amores, é o tempo
levando amores, é o tempo
cicatrizando as feridas, é o tempo.
Não se abandone em sofrimento,
pois tudo passa... com o tempo...

Enquanto escurece, o tempo aos poucos
adormece, sonha e ama.
Aproveita esse momento
para acariciar a alma dos amantes.
Respira, dá um tempo
e volta a amar...

                
O tempo que passa, esvai ao vento...
Tempo que voa sem lamento,
vento que voa com a asas do tempo
que perdido em pensamento,
acorda a saudade e dói lá dentro...

Tempo perdido, querido e também amigo
Tempo que passa, deixa marca e até mau trata
Tempo de tudo, pro sortudo e pra todo mundo
tempo amado, lembrado e muito esperado,
tempo é assim; é pra tí é pra mim enfim...

E por fim, de sí.
Do sagrado que carrega sem memória...
Solilóquios
Sendo apenas tão somente,
Solidão...


Nem todos os dias sou forte
E nem sempre sou sábia...
O tempo correndo em mim
e eu, correndo dele...
A vida, essa louca aventura
Me afagando nos seus braços
Compasso, tempo e ternura...

Não tenha falta de tempo
Para fazer aquilo que gosta
Pois o tempo adiante mostra
Que não voltará o momento
Eis uma pequena amostra
De evitar descontentamento...

Imiscuiu-se no tempo do sem saber
Do sem sentido e significado
Sem afeto ou atenção
Sem diálogo, sem respeito e sem função
Sem desejo, sem o certo ou o errado
Sem história ou tradição...

                   
Vim do tempo. Estou no tempo,
retornarei ao tempo.
A eternidade se faz no tempo
Com fé e amor, no tempo sempre estarei.
Tudo é movimento do tempo...

O tempo faz e refaz
todas as mazelas da vida...
acalma os ânimos, abençoa enamorados
Cura através da fé
fecha todas as feridas...

Tempo que me invade com o olhar voraz
A saudade do teu sorriso
Me eleva ao mais íntimo
do teu pensamento
Guardo-me para os teus sonhos
nesse tempo em que te espero
e te escrevo com a poesia do meu amor...

                
Tempo
Nas dobras da folha
Poeta esbarra nas avessas do ontem
Em poemas
o reviver de traços emocionais...
Na bravata das entrelinhas em carpintaria da escrita
Moldados sentimentos martelam na alma
A saudade de todos os tempos...

Na janela do tempo as cortinas esvoaçaram
Com a lembrança de um amor que o tempo eternizou
No coração solitário de um poeta e de seu tempo
e das poesias soltas ao vento
Brindando no esplendor
do tempo puro e nostálgico....

Tempo, senhor de todos os rebentos...
Tempo de nascer, tempo de morrer
tempo sábio, tempo bom
Amigo de todos os momentos...

Tempo que te quero tempo
Para o que sonho, para o que vejo, tempo...
Me insinuo entre tuas linhas, tempo...
E por tí passo, espero e sigo, tempo.



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