samedi 16 février 2013

DE BERLIM COM RUI MARTINS: O FESTIVAL PRA VOCÊ!


Berlim – Trem noturno de Berna a Lisboa

Baseado num livro best-seller, Trem noturno para Lisboa é o longa metragem mais próximo do Brasil, exibido no Festival de Berlim. Embora não seja falado em português, os atores Jeremy Irons, Melanie Laurent, Jack Huston e Martina Gedek tentam dar um sotaque luso ao inglês, som no qual foi rodado o filme.

Na verdade, o filme poderia ter sido feito em alemão, pois o livro no qual se inspirou, vem de Berna. Conta a história de um professor da Universidade de Berna, mas foi também escrito por um professor de filosofia dessa universidade. Ex-professor porque como o livro vendeu mais de dois milhões de exemplares, o professor Peter Bieri deixou Berna e vive atualmente em Berlim.

Quando escreveu o livro, romance contando justamente a busca de um professor de Berna, em Lisboa, de um filósofo e poeta português, preferiu utilizar um pseudonimo Pascal Mercier, pois como contou numa entrevista ao Diário de Notícias, de Lisboa, temia, na época, as consequências de sua audácia sobre sua carreira universitária.

Ainda mais que, num certo momento, a personagem do filme, Raimund Gregorius, fala de Berna como cidade entediante, mais ou menos como Clarice Lispector contava ao seu amante Samuel Wainer, quando era obrigada a viver em Berna, acompanhando seu marido diplomata brasileiro.

Porém, os temores de Peter Bieri eram infundados. Seu livro não se restringiu ao pequeno mundo suíço, mas teve sucesso em toda a Europa, tanto que o cineasta Bille August foi escolhido para fazer sua transposição para o cinema. E assim Comboio ou trem noturno para Lisboa, se transformou num filme de quase duas horas, bem menos que tempo necessário no longo trajeto de um trem noturno, nos anos 70, de Berna a Lisboa.

Ao salvar uma jovem portuguesa que tentava se jogar da ponte do Kirchenfeld, em Berna, o professor Raimund descobre um livro de filosofia, escrito por um certo Amadeu de Prado. Dentro do livro, havia uma passagem para Lisboa que Raimundo, numa decisão repentina, decide utilizar. A jovem salvada do suicídio desaparecera, mas não é ela o alvo de sua busca e sim Amadeu do Prado. Existe algum filósofo e poeta português com esse nome ? Uma espécie de outro Fernando Pessoa, que lutara contra a ditadura salazarista ? Ou se trata de uma personagem de Peter Bieri, aliás Pascal Mercier ?

Esse é o filme que se enriquece das ruas, dos bondes, das praças e da ponte sobre o Tejo. Contá-lo seria tirar o prazer da leitura do livro e da visão do filme.

Mas um resumo é possível – Amadeu do Prado era um médico, filho de juiz salazarista, amigo de Jorge, colega de universidade, apesar de uma diferença fundamental entre ambos – Amadeu era de família rica e influente, Jorge era filho de pobretões. No seu discurso de formatura, Amadeu provoca escândalo denunciando a ditadura, sua parceira a Igreja católica e se declarando ateu contra um Deus omnisciente e omnipresente, invasor da intimidade das pessoas, e contra a imortalidade prometida aos fiéis, porque pior coisa não poderia haver do que ser condenado a viver para sempre.

O filme é thriller político, cujas personagens são os resistentes ao salazarismo e, do outro lado, os torturadores da PIDE, a polícia política portuguesa versão mais sofisticada do Doi-Codi dos nossos anos de ditadura. E também tem história de amor, pois a mesma mulher é amada tanto por Jorge como por Amadeu. É ela que detém os nomes dos resistentes que, na manhã do 25 de abril, vão derrubar a ditadura ao som de Grandola Vila Morena, na Rádio Renascença.

Não sei se o monopólio americano da distribuição dos filmes levará aos cinemas brasileiros essa história portuguesa, revelada pelo professor suíço. Se passar no Brasil, não perca, é um filme bonito de se ver. Em Portugal, imagino ser tão obrigatório como foi a Cidade Branca, do suíço Alain Tanner, fora do circuito turístico das cidades européias de Woody Allen.

DE BERLIM COM RUI MARTINS: BERLIM DESTACA HAITI



O terremoto do dia 12 de janeiro de 2010, no Haiti, e a reconstrução do país são os temas de um dos principais filmes do Festival de Cinema de Berlim, Berlinale, do cineasta haitiano Raoul Peck, cujo título é Assistência Mortal.

Exibido na mostra Berlinale Especial, trata-se de um documentário reunindo depoimentos de autoridades, como os do ex-pesidente René Preval, do ex-primeiro-ministro Jean Max Bellerive, do ex-presidente Bill Clinton, co-presidente da Comissão Interina de Reconstrução do Haiti, mais dirigentes de Ongs e habitantes da capital Port-au-Prince.

O objetivo é o de demonstrar a mobilização internacional da ajuda humanitária, tão logo ocorreu o devastador terremoto, porém, ao mesmo tempo, como essa ajuda mobilizando alguns bilhões de dólares não respondeu às necessidade básicas da população. Como explica um dos ex-ministros haitianos, os países que ofereceram assistância o fizeram sem consultar e sem a participação do governo local, enquanto as Ongs tomaram iniciativas próprias, algumas vezes absurdas.

Assim, fica-se sabendo que, na remoção de detritos num dos principais sistemas de canalização das águas pluviais, três Ongs agindo isoladamente e em trechos diversos da canalização faziam e refaziam o mesmo trabalho. A primeira removeu todo o material que impedia o escoamento das águas e colocou ao lado. Ora, nas primeirias chuvas tudo entrou de novo na canalização e, a seguir, foi devidamente removido por outra Ong mais abaixo. Todo o trabalho foi perdido com novas chuvas e coube a outra Ong refazer a limpeza, isso demonstrando a maneira caótica dispensada pelas organizações humanitárias.

« Não existe uma coordenação das Ongs, explica uma autoridade haitiana, e se torna impossível se contatar as duas mil Ongs existentes, muitas delas religiosas, que evitam qualquer planificação com o governo. Um caso mais marcante, explicou, foi a construção de um novo hospital, perto de um já existente, sem qualquer autorização, ao invés de alguns quilômetros mais diante, próximo de uma população mais carente. O resultado é que enviei tratores para impedir a construção, dada a insistência dos dirigentes da Ong, sem que eu saiba o porquê de tal interesse!

Outro absurdo relatado é o de que certas casas de emergências construídas pelas organizações humanitárias estrangeiras custaram mais caro do que se tivessem sido construídas pelos próprios haitianos. Essa discrepância entre o que se oferece e o que se precisa é acentuada logo no início do filme, quando o presidente do Haiti não entende porque os países filantrópicos enviam produtos do exterior quando poderiam ter sido comprados dentro do próprio Haiti.

Raoul Peck deixa também visível um interesse de certas Ongs fazerem qualquer coisa, mesmo mais cara e nem tanto necessária, provavelmente para mostrarem serviço aos seus financiadores. Há também uma discrepância entre os totais anunciados nos planos de assistência e os dólares que realmente chegam ao Haiti.

O cineasta Raoul Peck, nascido no Haiti, mas que viveu no Zaire e nos Estados Unidos, vive na França. Hoje cinquentenário, Peck já fez, na se notabilizou, logo depois de seus estudos em cinema, por um filme dedicado à memória de Patrice Lumunda, herói congolês, cujo assassinato deu acesso ao poder ao ditador Mobutu.

Tatcher e a política social inglesa

Também na mostra Berlinale Especial está o filme do cineasta inglês Ken Loach, com o sugestivo título de O espírito de 45, ano, do fim da guerra, quando a vitória dos trabalhistas significou uma série de nacionalizações dos serviços públicos minas, estradas de ferro, eletricidade, gas, portos, serviços de assistência médica e o próprio Banco da Inglaterra.

Ora, esse socialismo inglês foi totalmente anulado na época da primeira-ministra Margareth Thatcher , de 1979 a 1990, que aplicou um programa de privatização, precedendo o atual neoliberalismo, que se alastra pela Europa e pelo mundo.

NOVA VERSÃO DE OS MISERÁVEIS

Já estreado na Inglaterra, Berlinale exibe também, na mostra Especial o filme de Tom Hooper, uma nova versão do romanche de Vitor Hugo, publicado em 1862.

A história de Jean Valjean, perseguido, preso e enviado à prisão por ter roubado um pão, contando as misérias dos pobres de todo o mundo, e da avareza do casal Thénardier, onde Fantine deixara sua filha Cosette, continua emocionando leitores e espectadores. Não se pode esquecer que o escritor Vitor Hugo, que viveu parte de sua vida no exílio, não escondia suas idéias socialistas e sua condenação da exploração gerada pelo advento da industrialização.

A história de Jean Valjean inclui também o incansável inspetor de polícia Javert, fiel aos princípios da época de que a prisão devia ser uma punição, um pouco o inferno para os que desobedecessem a lei. Sem perceber que a lei serve principalmente para a manutenção, no poder, dos opressores de todo tipo.



Convite para a nossa festa de Aniversário


     FESTA DE 3º ANIVERSÁRIO DO

GRUPO CATAVERSOS DA MOOCA
DIA 23 DE FEVEREIRO – 15 Horas

VENHA DANÇAR A SUA POESIA
VENHA DECLAMAR A SUA DANÇA
VENHA CANTAR O SEU INSTRUMENTO
VENHA TOCAR O SEU CANTO
VENHA PARTICIPAR DA NOSSA FESTA


NO BAIRRO MAIS ROMÂNTICO DE SÃO PAULO
O SARAU MAIS CHARMOSO DA CIDADE

ABERTO A TODOS QUE QUEIRAM MOSTRAR A SUA ARTE

Participação especial do poeta pernambucano
Valmir Jordão, fazendo o lançamento do seu
mais novo livro: “Poemas Diversos”

Rua Guaimbé, 48 – Mooca
Ônibus Mooca no Metrô Bresser
Descer no Final – Percurso de 10 minutos

Pedimos a todos os participantes que tragam
um prato com doces ou salgados para realizarmos
a nossa tradicional mesa de guloseimas



Ferretti
Ivan Ferretti Machado

CEL. (11) 99106-0948

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