lundi 25 novembre 2013

MEDITAÇÃO

Nazaré, 22-02-1974
Gilberto Nogueira de Oliveira

Subo os milhões de degraus
Da inteligência humana.
E, sem nada perceber
Apareceu em minha frente
Uma linda mulher.
Era a sabedoria,
E me disse coisas estranhas.
A princípio mandou-me embora
Eu insisti em ficar,
E perguntei por que deveria sair,
Porque deveria retornar.
Ela me respondeu:
É porque nenhum homem
Pode ser um sábio completo,
E era arriscado eu ser,
Descobrindo o grande segredo
Que envolve o ser humano.

Seria cedo demais?
Seria tarde demais?
Seria o mistério, prejudicial?
Era difícil decifrar,
Neste momento
Em que pensava e duvidava.
Mudei-me de lugar.

Eu agora voava
Para onde, não sei dizer.
Era algo que me levava
Também, não sei dizer o que.
Me levava, talvez
Para o infinito.
Tudo era paz, nada ouvia,                                               
Nada sentia, nada pensava.
Gostei daquilo imensamente.
E, à proporção que ia gostando,
Mais longe eu ia.

Agora, sem saber por que,
Eu retomava da viagem.
Fiquei triste de repente
Ao perceber que retornava
Para o mundo do barulho.
A meditação perdia o efeito
Cada vez mais, e mais...
E voltei a mim, meu ser bruto.
Voltei para onde não queria,
Voltei para a terra dos homens,

O lugar mais barulhento do universo.

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