lundi 21 octobre 2013

NOSSAS FACES

NOSSAS FACES, trabalho coletivo do Grupo Varal do Brasil e organizado pela nossa amiga Isabel Vargas.

Muito obrigada Isabel, muito obrigada a todos os participantes!

Grupo Varal do Brasil: http://www.facebook.com/groups/varaldobrasil/

NOSSAS FACES

Faces ocultas do mundo e expostas em Minh ‘alma levam os meus "eus" ao redor de minhas emoções descortinando-as além do espelho para o olhar de quem possui sensibilidade para enxergar...
Flávia Assaífe


Todos os dias nos vestimos, nos preparamos, saímos, encontramos pessoas, vivemos, enfim! Para todos estes momentos, muitas são as faces que escolhemos "vestir" ou "usar", pois são necessárias para o convívio social. Isto não significa falsidade, significa nuances de nossa personalidade: somos pais, irmãos, avós, amigos, colegas, tios, primos, etc.
Do lado da cama, ainda despertando abro a gaveta e vislumbro todas as faces: qual será a primeira? Penso, decido, visto. Coloco as outras na bolsa. Nunca se sabe quais os encontros que a vida nos reserva!
Muitas vezes fazemos o uso de várias faces para sobrevivermos a um mundo tão tribulado e inconstante, mas eu prefiro fazer uso da face nua, clara, transparente.
Eu, somente eu, exposta em mil faces, mil atuações, maquiagens e máscaras do drama, da comédia, ou de cara limpa, sem medo ou interpretações, somente minha face; única, múltipla, oculta...
Vivendo em sociedade e civilidade podemos dissociar dois tipos de “máscaras” - ou faces: a máscara que a pessoa utiliza de forma a mostrar ser o que não é, o que chamamos de “falsidade”, ou para manipulação e outras condutas ruins enrustidas e escondidas por elas. Mas temos uma máscara necessária – que vou chamar aqui de “máscara do ego”, que serve tão somente para nos resguardar e nos proteger de exposições desnecessárias para pessoas - muitas das quais sequer conhecemos. Se estamos sofrendo, por exemplo, pela perda de um amor recente, e vamos a um lugar onde necessitamos estar em convívio social com pessoas com as quais não temos intimidade, nos revestimos desta nossa máscara - face simplesmente porque não desejamos “escancarar” para o mundo o nosso universo interior! No mais, são os mais próximos, os amigos e parentes que nos conhecem que sempre verão a face sem máscaras, e através do nosso olhar, saberão aquilo que somos ou o que sentimos em determinado momento.

Ai, ai, ai! Minhas faces em mim são tantas! São o que sou do que aprendi e os reflexos do outro nos meus olhos e pensamentos. Se buscam a minha mão são expectativas, perguntas, sonhos, significados distintos. E são muitas, porque estar vivo ensina que o segredo do ser é dividir. Contudo, somam. Somam mundo, vidas, vontades, dores, esperanças. E depois resultam sempre em apenas um: neste que sou eu.

Aprender e saber usar a gentileza, com verdades sem mentiras, na nossa maior roupa de grife - o nosso corpo, é uma arte que se desenrola durante toda a vida, permitindo o uso de nossas máscaras sociais, sem perder o nosso centro. Afinal a Vida é um teatro a ser bem encenado.
Já a minha máscara preferida é o meu hoje: estou viva vivencio o meu somatório de vida, com ânsia louca de aprender... aprendo dia a dia, cada vez mais, amando a Vida.
O meu reflexo no espelho revela todas as faces que tive durante a vida. As rugas são cicatrizes de tristezas, e de dissabores mal digeridos. Mas resolvo usar aquela cujo brilho nos olhos revela toda a alegria que carrego dentro de mim. Revela meu agradecimento por ter tido a oportunidade de saborear tudo muito intensamente. Amo viver. Das muitas que escondo no peito, minha preferida é a de avó. Ela doce, serena, feliz. Não apresenta ainda nenhuma cicatriz e tem sede de aprendizado.

Participantes: Jacqueline Aisenman, Nilda Lima, Norália Castro, Silvana Brugni, Dúlcio Ulissea Jr. Cláudio Hermínio, Dulenary Ana Rosa, Sandra Nascimento, Maria Nilza Campos Lepre, Ly Sabas.

Organização do texto: Isabel Vargas
Imagem by Soad 2K


ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...