lundi 17 juin 2013

A MAGRELA

A MAGRELA

  Rosilda Lucia Trombini, esse foi o nome que aquela menina rosada, loirinha e gorducha recebeu ao nascer; era uma criança linda e saudável e ninguém podia imaginar as mudanças que o passar do tempo ia lhe trazer, mas na vida as surpresas são sempre esperadas embora se diga o contrario e Rosilda seria um exemplo dos sustos que a vida traz.
   Aos sete anos aquela menina se conservava bonita e gordinha, começou seus estudos em uma escola particular e estava sempre alegre e muito feliz, brincava com as amigas durante o recreio e saia com as colegas depois  das aulas, sempre conversando e rindo o tempo todo e ao chegar em casa mantinha a animação.
   Assim viveu Rosilda até completar quinze anos  e para comemorar sua entrada na sociedade da cidade de São José dos Gentios, sua família promoveu uma grande festa, parecia coisa de contos de fadas, a decoração maravilhosa toda em rosa e prata combinando com o lindo vestido de gaze finíssima da aniversariante, um bufê delicioso e a melhor música.
   A festa de Rosilda foi uma coisa nunca vista naquela pequena cidade e rendeu meses de assunto sempre recheado de elogios, mas se a festa marcou época, marcou também a virada na vida da mocinha, porque logo depois da festa ela começou a mudar de comportamento, parecia que o que restava de sua vivacidade e alegria se esgotara em sua linda festa.
   Ela se tornou uma pessoa arredia, triste e muito estranha, sua família não entendia o que estava acontecendo e resolveram levá-la a um bom médico na capital do estado, mas pouco adiantou, porque o conceituado médico receitou  umas vitaminas e acalmou a família da mocinha, dizendo que aquela mudança era coisa de adolescente e que logo iria passar.
   Passar passou, mas para pior, porque Rosilda além de viver triste e estranha começou a perder peso de maneira acelerada; em poucos meses ela parecia um esqueleto falante e chamava a atenção quando saia na rua, porque as pessoas olhavam e diziam: lá vai a magrela e a coitada voltava para casa chorando, mas nada detinha aquele emagrecimento galopante.
   O apelido de Magrela encobriu o nome de Rosilda e na cidade todos a chamavam assim e ela deixou de sair de casa, passava o tempo  fechada em seu quarto e sua família não sabia o que fazer para ajudar a pobre moça; para agravar a situação, os moleques passavam pela rua gritando: oi Magrela cadê você? Rosilda suportou aquelas humilhações por algum tempo.
   Foi levada aos melhores médicos, mas ninguém descobriu a causa de seu desânimo e emagrecimento, porque ela tinha uma grave disfunção  da tireóide e naquela época a medicina estava atrasada  e esse problema era desconhecido; quando perdeu toda esperança de cura, Rosilda a Magrela sumiu de casa e só foi  encontrada dias depois.
  Ela estava morta enforcada no galho de uma árvore em um capão de mato fora da cidade; foi uma tristeza para sua família e para toda a arrependida comunidade, que se culpava pelas brincadeiras  e apelido de mau gosto, mas como remorso não resolve nada, Rosilda continuou morta e enterrada, mas sua história jamais foi esquecida.

Maria Aparecida Felicori {Vó Fia}
Nepomuceno Minas Gerais Brasil

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