jeudi 23 mai 2013

Pequenas reflexões (fragmentárias)

 (Com citações diversas...)

EMANUEL TADEU MEDEIROS VIEIRA

PARA ADÉLIA E DORINHA – IRMÃS E AMIGAS
PARA LETÍCIA ARANGUE, MANAIRÁ ATHAYDE (E ANDRÉ) E CARLOS MOTA (E INÊZ)

Informam-me que uma pessoa muito amiga, muito amada e muito querida está à morte.
Devoto-me as palavras - mal rompe a aurora - há mais de 50 anos: eu sei, elas não mudam o mundo.
O que dizer?
Mas a palavra tem uma força  imensa: nós nascemos para ela.
Somos, como dizia Lacan, “falesseres”.
Seres da fala e prometidos à morte, ao falecimento.
Alguém disse que a escuta tem uma função pacificadora, e é cada vez mais necessária no mundo globalizado em que vivemos.
Salma Rushdie acredita que é “função do poeta: nomear o  inominável, apontar as fraudes, tomar partido, dar forma ao mundo e impedir que adormeça”.
Só haverá lugar para fala e para a escuta, se houver afeto.
Afeto, segundo Freud, está no campo do prazer e do desprazer.
O citado Lacan, por sua vez, traz o silogismo “amódio”, que junta amor e ódio.
O que fazer? Fazendo!
A vida seria aquele touro que, segundo o poeta Garcia Lorca, temos de enfrentar, nem que seja com o traje emprestado do toureiro – como alguém lembrou.
Escrevemos porque acreditamos que isso dá sentido à nossa vida.
Continuaremos escrevendo porque é também um modo de domar tormentos.
O leitor não tem rosto.
Mas insistiremos: não para sermos célebres, por dividendos pecuniários, por vaidade. Isso não tem importância.
É preciso sentir organicamente a palavra para não poder viver sem ela.
E continuamos.
Viver é breve, efêmero.
E continuaremos com a palavra, mal rompe a aurora – até.

(Salvador, maio de 2013)

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