mardi 19 mars 2013

SAMBA DE RODA...


                                                                                            (Poesia Autêntica)

                                                                                          Germano MACHADO


Li, jovem, SAMBA DE RODA, de Frederico José de Souza Castro, chamado comumente de Fred. SAMBA DE RODA é poesia autêntica, porque fecunda, real porque revela o íntimo do povo; valiosa, porque continua o caminho da poética social de Castro Alves. Não vai, nesta última afirmativa, um elogio à pessoa do autor e nem revela bajulação banal de escriba provinciano... Castro Alves, homem de sua época, entranhado na terra o seu canto que revela o espírito da gente, gritou na sua poesia contra a escravidão, contra o estado de miséria de uma raça, clamou por liberdade e batalhou contra a prepotência... Frederico reenceta a mesma luta, já agora contra o feudalismo dos "fazendeiros de asfalto", contra os que exploram a massa trabalhadora dos canaviais, revelando o drama daquela gente... A terra está-lhe no sangue: "Um bisturi de luz partejou a neblina; e do ventre leitoso de "fog" de Santo Amaro nasceu a cabeleira verde do filho massapê..."
E a gente, essa vibra no canto de Frederico:


"Pra onde fugir?
Para onde?
Como escapar aos tentáculos verdes
se um dia...
         qualquer destes dias
vai ouvir a tirana cantada no trabalho...
Vai ouvir aquele samba de roda...
E lembrar folhas verdes ao longe lhe acenando...
Abrindo-lhe os braços
                     Num abraço na sua saudade!...

O Autor, porém, não canta ou só contempla... Participa...
Luta...
        “Um dia...
        um raio de entendimento
        vai rasgar a neblina dos olhos da gente do massapé!...

E o seu canto, pleníssimo de poesia, brota-lhe cantante, rítimico,
musical, cheio de naturalidade, encantador:

        “É a terra inteira assim: Lama e torrão
         conforme seja inverno ou verão

        O Brasil de lá é só massapê.
        E gente do massapê.
        Afora os donos do massapê
                           que ninguém vê.
       (Porque não gostam do massapê).

       Mas desses a gente não fala
       porque não conhecem samba-de-roda
       nem nunca viram negras, mulatas,
       brancas também se rebolando no chão batido”.

E o poeta chora no seu canto os lamentos de seu povo:

             “Plantar a cana,
              cortar a cana,
              queimar o terreno,
              limpar o terreno,
              plantar outra vez...
                                 
                                Gente do eito,
                                doente do peito
                                tomando mezinha
                                morrendo sozinha
                                num canto de massapê”...

E logo, relembro que é poesia de luta:
              “Gente do eito,
               Doente do peito,
              tomando mezinha
              morrendo sozinha
              num canto de massapê”...
              
              E ninguém vê!

              Mas essa indignidade
              que fere a mim e a você
              não fere a gente do massapê;

              porque o mundo da gente do massapé
              é só massapé: Lama e torrão
              conforme seja inverno ou verão...”

...E assim começa a cantar o SAMBA DE RODA...



Germano Machado



ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...