jeudi 28 février 2013

Crônica da Urda


TEMPOS FELIZES 1
- A nova casa
(Texto do livro "Meu cachorro Atahualpa", publicado em 2010)

Agora é o tempo da Alegria. Já fez 13 meses que estamos morando neste condomínio que é como que um pequeno paraíso, e onde a vida segue com tal suavidade que fica até difícil explicar.
No começo, ainda havia três casinhas em construção aqui bem perto, mas agora elas ficaram prontas e só há um único terreno vazio, ainda, esperando por uma construção. Como em qualquer comunidade do mundo há aqui gente diversificada e com gostos e hábitos diferentes, mas no geral, há uma grande harmonia envolvendo tudo. Aqui é a parte alta de um vale onde a gente pode avistar muito longe, vendo morros verdes e morros azuis, lá na distância, e quando Atahualpa e eu chegamos aqui, nossa varanda não tinha cerca nem portão, nosso jardinzinho abandonado era cheio de brita e nossa casinha era pintada de um verde bem escuro.   
O primeiro passo era cercar nossa varanda e jardim para que Atahualpa pudesse ficar solto; depois, havia que tirar a brita e fazer o jardim, o que fiz com as plantas que sempre tinham agradado ao meu cachorrinho: macia grama pelo de urso para ele se deitar; certas plantas de finas folhas altas esbranquiçadas para ele fazer xixi, e um carreirinho de flores para mim. Atahualpa sempre gostara tanto daqueles canteirinhos de grama pelo de urso que houvera no nosso passado, e sempre quisera tanto poder deitar e rolar em cima daquela grama, e sempre levara tantas broncas de síndicos e outras pessoas por tal motivo, que eu não via a hora em que ele tivesse o seu gramado particular. Também sempre gostara tanto de fazer xixi naquelas folhas finas e esbranquiçadas que encontrara no passado, e também levara tantas broncas por tal causa, que quando plantei aquelas plantas fi-lo na certeza de que estava construindo um pequeno paraíso para o meu cachorro. Mas o que tinham feito com ele, no entanto! Tantas broncas levou por querer ser feliz com as plantinhas de que gostava, que agora que tem, realmente, o jardinzinho que lhe prometi, nunca pisa nele, tão condicionado está de que aquelas plantas são proibidas.   Quem realmente usufrui daquele jardim é o Preto, o cachorro da Monique e da família da casa vizinha, que tinha apenas 3 meses quando viemos morar aqui.
Preto é um caso à parte, neste condomínio onde vivem muuuuitos cachorros. Ele me foi apresentado como Preto, mas, naquela altura, seu nome ainda estava indefinido, e sua família também o chamava de Cusco.  Acabou tendo o impressionante nome de Cusco Preto.
Assim como Atahualpa é um cachorrinho atarracado, forte e musculoso, Preto é um cachorro alto e de corpo fino, mas que cria tal quantidade de pelos, de vez em quando, que mais parece um assustador leão, e a gente pensa que ele é enorme. No entanto, até hoje, já em idade adulta, passa sem esforço pelas grades da nossa varanda e está sempre a roubar a comida do Atahualpa e na nossa casa ele se sente como se estivesse na casa dele. Quando meu cachorro ouve o portão da varanda tremendo por causa da velocidade com que o Preto o atravessa, sai em disparada para salvar seu osso preferido naquele dia – e o Preto aproveita e rouba a outra comida disponível que há! Penso que nossa vida, no entanto, não seria tão divertida sem a existência do Preto na casa da família Schörner, ao lado da nossa, e sem as brincadeiras, estrepolias e encrencas que os dois cachorros fazem juntos, com Monique sempre a acudir as artes do Preto aqui e ali, encantadora Monique que há pouco fez 9 anos, e que, além dos luminosos olhos azuis e tantas outras qualidades de criança que se sabe muito amada e muito querida, ainda usa fascinantes pantufas peludas nas manhãs frias, que me encantam a ponto de me por a fotografá-la. E Monique é apenas uma das tantas crianças que brincam ao lado da nossa casinha e na nossa varanda, trazendo todo um colorido às nossas vidas.   

Urda Alice Klueger
Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR  

"Eu me dei conta de que cada vez que um dos meus cachorros parte, ele leva um pedaço do meu coração com ele. Cada vez que um cachorro novo entra na minha vida, ele me abençoa com um pedaço de seu coração. Se eu viver uma vida bem longa, com sorte, todas as partes do meu coração serão de cachorro, então eu me tornarei tão generoso e cheio de amor como eles."  (Autor desconhecido) 

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