samedi 9 février 2013

BRINQUEDOS PARA O MENINO JESUS


AGUINALDO LOYO BECHELLI

No  meu  livro  DE NATAL E DE TODOS OS DIAS (1993), cumprimentei o aniversariante no dia 25 de dezembro. Agora, ocorre-me outra coisa além da ficção: Natais afora, as pessoas se reúnem e se presenteiam. Quem lembrou de dar uma bola pro Menino Jesus? Será que na sua infância ganhou brinquedo? Na época não existiam brinquedos inteligentes, invertidos, desses que brincam com a gente. Nem os certos: bolinhas de gude, pipa, pião, velocípede.  O bom José, pai de Jesus, era carpinteiro. Teria feito carrinho? Pouco se sabe da infância do Menino. Se for verdade que ele pegou um passarinho de barro e ordenou “voa”,  seria brinquedo? Diz que voou. É verdade que desafiou a molecada a subir por um raio de sol? Daí, ele subiu. O incrédulo, matuta: é milagre ou truque? Eu gosto mais de milagre. Com tais poderes, divertia-se um bocado.

A bola é simbólica, um jeitinho de evocar Jesus para uma atividade lúdica. E Ele deve deleitar-se quando alguém evoca a sua infância, deita, rola, dá cambalhota no quintal.

Jesus respondeu a Pilatos: “Meu reino não é deste mundo”, mas Ele mesmo, quando criança, reinou.

 Insisto nos brinquedos - ponte que estabelece travessia na mais difícil de todas as artes: viver. Num poema meu, imploro pela canoinha que me fez meu pai. O tamborim, guardo até hoje. Não perdi a criancice e me levo mais a sério quando brinco.

Se Jesus já veio pronto, Filho de Deus, passou batido pelas travessuras. A História até conta que seus pais o procuraram, foram encontrar o  garoto ensinando coisas aos sábios. Mas se Ele não veio pronto e se fez Filho de Deus, talvez seu mérito seja ainda maior e aí deve ter aprontado traquinagens. Lapidou-se e deu essa maravilha de exemplo para humanidade, não importando para qual religião. Eterno, é mistério reconfortante sentir-se abraçado por Ele.

Quem levou a notícia a Pôncio Pilatos que baixaram Jesus da cruz e “estava tudo acabado” ouviu a resposta: “Acabado? Agora é que tudo começa.” Foi Herodes que disse?  Ou Caifás? Já não lembro. Faz tempo.

O poema seguinte, enviei via e-mail e pelo Correio, para cerca de cento e cinqüenta pessoas. Acusaram o recebimento somente 6. Eu disse seis. Seriam meus versos de pé-quebrado? Será que peguei mal no mote? Talvez ninguém mais tenha tempo para o que julga ser insignificante. Ressalva: há que enaltecer e agradecer a mensagem vinda de Lisboa, do importante escritor João Pereira Coutinho, colaborador da Folha de S.Paulo.


PARABÉNS, JESUS CRISTO, PELO SEU ANIVERSÁRIO

Sim. Jesus 33 era forte. / De corpo também. / Naquele tempo / não tinha serra elétrica / Ele ajudava o pai, / Zé, São, carpinteiro. / Tinha que serrar no muque. / Quem carregaria aquela cruz? / Sozinho! – O Homem. / Cada baita tora! / Enxotou mercenários. / Encarou Pilatos.
Cristo, não cristo, peitudo. / Não sei porque / nunca o mostraram assim

Sim. Ungido. ligado. Desligado. / Coragem e simplicidade. / Há de chegar o momento / de tempo para bobear, / jogar fora os elásticos, / gravatas, cismas, / o peso dos ingratos. / Enfim, o escalão: amor. / Viver tudo de nada. / Jesus não veio pronto. / Sem negar luzes, / bem parido, a criatura / se fez filho do Criador. / Não sei porque / nunca o mostraram assim.

Em Caná, no casório, / chegou, já tinham / emborcado tonéis. / Tanto! Acabou o vinho. / Fosse Ele um chato, / aborrecido, panariço, / vento encanado, / não faria o que fez: / pediu seis talhas de água, / transformou-as em tinto. / Novo embelezador. / Sim. Jesus era alegre. / Ria. / Não sei porque / nunca o mostraram assim.

Aguinaldo Loyo Bechelli
Cronista. Poeta. Percussionista

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