lundi 28 janvier 2013

Viaduto do Chá




No Viaduto do Chá,
em São Paulo, Capital
não há chávenas de chás
dessas ervas,
de todos os países.

Repare bem: transitam
índios e indianos,
hindus, japoneses
(ascendentes e descendentes,
aos montes, samseis e nisseis)...

São homens, mulheres e gays,
às vezes animais
crianças e tudo mais:
gente como a gente
e gente muito diferente.

Pessoas tradicionais,
trabalhadoras ou banais, trombadinhas, sacanas,
traficantes, prostitutas,
artistas e pedintes,
doentes e naturebas,
saudáveis e chagados...

Toda e qualquer cidade
nesse passar de vai-e-vem
em passos
de ninguém
pois vai se re-conhecer
na roda-viva das pressas, do medo,
dos sobressaltos, assombros?

O Viaduto do Chá serviria,
se um salão fosse,
todos os chás,
de todas as ervas,
de todos os países,
a qualquer daqueles transeuntes de todas as raças, classes, castas,
biótipo, cores e faces.

Mas é apenas uma armação
de concreto, concreta
onde não haveria tempo de parar
parar para beber chá.

Clevane Pessoa

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